Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Teatro de Resistência

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.05.2017
Qualifica um movimento teatral e um conjunto de dramaturgos que se colocam contra o regime militar de 1964. São textos que enfocam a repressão à luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico e a ascensão dos executivos, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e ...

Texto

Abrir módulo

Histórico

Qualifica um movimento teatral e um conjunto de dramaturgos que se colocam contra o regime militar de 1964. São textos que enfocam a repressão à luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico e a ascensão dos executivos, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas. Desenvolve-se entre 1964 e 1984, embora a grande concentração esteja entre 1969 (decretação do Ato Institucional nº 5 - AI-5 e arrocho da Censura) e 1980 (início da distensão).

A primeira reação teatral ao golpe militar de 1964 é Opinião, um show de protesto que reúne ex-integrantes do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional de Estudantes (UNE), posto na ilegalidade. O espírito de resistência e denúncia das novas condições vigentes no país vai unir, a partir de então, a classe teatral em assembléias, ciclos de leituras dramáticas e outras atividades.

Com o AI-5 e a censura, os dramaturgos são obrigados a aceitar cortes ou a apelar para expressões metafóricas em seus textos, objetivando liberar as encenações. Muitos são proibidos ou mutilados, conhecendo a experiência do palco somente muitos anos após. A Resistência, de Maria Adelaide Amaral (1942), de 1975, obra emblemática do período, só é montada cinco anos depois.

Enfocam a temática social obras como Botequim, 1972, e Um Grito Parado no Ar, 1973, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006); Mumu, a Vaca Metafísica, de Marcílio Morais, 1974; Corpo a Corpo, 1971, A Longa Noite de Cristal, 1977, e Moço em Estado de Sítio, 1977, de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974); bem como Gota d'Água, de Chico Buarque (1944); A Cidade Impossível de Pedro Santana, 1975, e O Grande Amor de Nossas Vidas, 1978, de Consuelo de Castro (1946), ou Sinal de Vida, 1979, de Lauro César Muniz (1938).

A situação das classes populares constitui tema constante na obra de Plínio Marcos (1935-1999), bem como a de O Último Carro, de João das Neves (1935), 1977.

Assuntos históricos e alegóricos mostram uma saída para Castro Alves Pede Passagem, 1971, e Ponto de Partida, 1976, de Gianfrancesco Guarnieri; Calabar, 1972, de Ruy Guerra (1931) e Chico Buarque; O Santo Inquérito, 1976, de Dias Gomes (1922-1999); Papa Highirte, 1979, de Oduvaldo Vianna Filho; Frei Caneca, 1978, de Carlos Queiroz Telles (1936-1993).

Situações ligadas à tortura e ao exílio surgem em Milagre na Cela, de Jorge Andrade (1922-1984); Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal (1931-2009), e Patética, de João Ribeiro Chaves Neto, todas de 1978, e Fábrica de Chocolate, de Mario Prato (1946), de 1979, textos que mesmo com cortes e atenuações logram espetáculos de impacto.

Duas realizações coroam o movimento de resistência: A encenação em 1979 de Rasga Coração, texto de Oduvaldo Vianna Filho datado de 1972, que tem de enfrentar dura e longa batalha com a Censura, sendo liberado apenas após sua morte. E a visita ao Brasil de Augusto Boal em 1980, vivendo no exílio, com seu Teatro Oprimido. O texto de Oduvaldo Vianna Filho trata das lutas do Partido Comunista, e o Oprimido, idealizado por Augusto Boal, disponibiliza técnicas teatrais às vítimas de situações opressivas.

Um movimento paralelo, voltado para a ação e não somente à dramaturgia, revela uma nova tendência para a resistência. São grupos que, deslocando-se dos centros urbanos, implantam-se nos bairros periféricos, buscando aliar um esforço de militância, quase clandestina, com a busca de uma linguagem popular para suas criações, tornando-as acessíveis às comunidades à margem do mercado de produção cultural. A reunião desses grupos caracteriza o Teatro Independente, que dá origem a novas formas de organização e produção, que se tornarão hegemônicas nos anos subseqüentes.

Todos esses eventos compõem um movimento que, tendo partido do protesto, amadurece até a defesa do direito à liberdade de expressão.

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo
  • GARCIA, Silvana. Teatro da militância. São Paulo: Perspectiva, 1990.
  • HOLLANDA, Heloísa Buarque de; GONÇALVES, Marcos Augusto. Cultura e participação nos anos 60. São Paulo: Brasiliense, 1982.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • MICHALSKY, Yan. O palco amordaçado. Rio de Janeiro: Avenir, 1979.
  • MOSTAÇO, Edelcio. O espetáculo autoritário. São Paulo: Proposta, 1983.
  • PACHECO, Tânia. O teatro e o poder. In: ARRABAL, José; LIMA, Mariângela Alves de; PACHECO, Tânia. Anos 70 - Teatro. Rio de Janeiro: Europa, 1979.
  • ______; PEREIRA, C. A. Patrulhas ideológicas .São Paulo: Brasiliense, 1980.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: