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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Pintura de Gabinete

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.04.2016
Em geral, usa-se a expressão pintura de gabinete para designar pequenas pinturas de cavalete feitas para serem vistas de perto. Desenvolvido durante a Renascença, o cavalete populariza-se no século XVII, quando aumenta a procura pelas camadas médias da sociedade por pinturas de dimensões menores, estabelecendo uma diferença em relação à pintura ...

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Definição

Em geral, usa-se a expressão pintura de gabinete para designar pequenas pinturas de cavalete feitas para serem vistas de perto. Desenvolvido durante a Renascença, o cavalete populariza-se no século XVII, quando aumenta a procura pelas camadas médias da sociedade por pinturas de dimensões menores, estabelecendo uma diferença em relação à pintura decorativa - murais e afrescos de templos, edifícios públicos e palácios. No limite, a expressão, considerada em sentido ampliado de "pintura de pequenas dimensões", pode ser aplicada a pinturas de qualquer época ou lugar, abrangendo no limite retratos, naturezas-mortas, paisagens, nus etc. Mas de fato ela é empregada mais amiúde para designar as cenas de gênero holandesas do século XVII, pintadas para ocupar as paredes das residências burguesas da época. Nesse sentido, o termo indica também a formação de uma nova clientela, com aspirações e gostos próprios, atendidas pelos artistas com obras que, com temáticas e dimensões renovadas, passam a fazer parte da casa e do cotidiano burguês. Empregada de modo esporádico, a expressão aparece freqüentemente como sinônimo de pintura de cavalete, de pintura de interior e de pintura de gênero. Assim como são fluidos os seus contornos, suas origens são também bastante discutíveis. Algumas fontes apontam ter sido utilizada pela primeira vez em Art and Architecture in Italy, 1600- 1750, 1958, no momento em que o historiador da arte Rudolf Wittkower (1901 - 1971) descreve a tela Ceia de Emaús, ca.1598/1600, de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 - 1610), de dois metros de largura.

As cenas de gênero e de interior proliferam na Holanda protestante do século XVII, onde se desenvolve um estilo sóbrio e realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, de situações da vida diária, de homens realizando seus ofícios, de mulheres no interior das casas e de festas comunitárias, no campo e na cidade. As imagens se particularizam pela riqueza de detalhes, precisão e apuro técnico, numa tentativa de registro fiel do que o olho humano é capaz de captar. De um lado, se referem ao universo burguês, à vida urbana e à economia monetária que encontram, nos Países Baixos, desenvolvimento acelerado. Os padrões de gosto dos burgueses holandeses articulam-se à realidade do trabalho e do comércio, no qual não há lugar para excessos nem pompas. A vitória do protestantismo, por sua vez, obriga os pintores a se especializarem em ramos da arte que não levantem objeções de natureza religiosa. A pintura de gênero aparece assim, ao lado dos retratos e das paisagens, como alternativa aos artistas que haviam perdido um importante filão de trabalho, a pintura de retábulos. Os novos temas e repertórios, contidos em telas de dimensões reduzidas, encontram grande acolhida num mercado em expansão.

Fontes de pesquisa 5

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  • ALPERS, Svetlana. A arte holandesa no século XVII. Tradução Antonio de Pádua Danesi, São Paulo, EDUSP, 432 pp. il. p&b. color (Coleção Texto e Arte).
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • La nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milano: Garzanti, 1986.
  • MARCONDES, Luiz Fernando. Dicionário de termos artísticos. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1998. 381 p., il. p&b.
  • VÉGH, János. A pintura holandesa. Tradução do inglês, Luiz Oscar Dubeux. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A, 1981. 48p., il. color.

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