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Artes visuais

Goiânia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2018
A experiência de Goiânia segue de perto o êxito do projeto de Belo Horizonte, realizado 40 anos antes. Trata-se de projetar, mais uma vez, uma nova capital, desta vez para o estado de Goiás, que combine as funções administrativas e as de mercado distribuidor, de modo a contribuir para o desenvolvimento econômico do estado em questão. O projeto o...

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Histórico

A experiência de Goiânia segue de perto o êxito do projeto de Belo Horizonte, realizado 40 anos antes. Trata-se de projetar, mais uma vez, uma nova capital, desta vez para o estado de Goiás, que combine as funções administrativas e as de mercado distribuidor, de modo a contribuir para o desenvolvimento econômico do estado em questão. O projeto original da cidade é encomendado a Attílio Corrêa Lima (1901 - 1943), em 1933, pelo interventor federal de Goiás, Pedro Ludovico Teixeira. Em 1936, Armando de Godoy (1876 - 1944) assume a direção do projeto, já concluído, alterando sobretudo a parte sul do Plano Diretor. O projeto de 1933 prevê uma cidade de, inicialmente, 15.000 habitantes e que poderia atingir uma população máxima de 50.000 pessoas. Sua concepção central está assentada na divisão do espaço urbano em zonas de atividades, de modo a obter uma melhor organização dos serviços públicos. A ênfase na circulação - por meio da projeção de grandes avenidas que concentrariam o tráfego mais intenso -,  à qual se liga a preocupação com o escoamento das mercadorias e produtos industriais, é mais um ponto importante do projeto.

A funcionalidade do desenho, sobretudo na parte central, a tentativa de compatibilizar o espaço da cidade com as atividades industriais, a racionalidade do plano e a clareza das linhas indicam as afinidades do projeto de Goiânia com os desígnios do urbanismo moderno, para os quais Attílio Corrêa Lima estava atento. Aluno dos cursos de artes e arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes - Enba e depois das aulas de urbanismo na Sorbonne, Paris, o urbanista se notabiliza pela preocupação com a ligação estreita entre cidade e topografia natural, assim como pelo planejamento racional das funções urbanas, como indicam, por exemplo, os seus Plano regional de urbanização do Vale do Paraíba (entre Barra Mansa e Pinheiros, RJ) e o Plano da cidade industrial de Volta Redonda. Como arquiteto, a grande obra de Atílio Corrêa Lima é a Estação de Hidroaviões do aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro (1937-1938), projeto elaborado segundo as normas da arquitetura racionalista moderna, aliando simplicidade de concepção à coerência funcional.

Cinco grandes setores definem as linhas gerais da cidade de Goiânia: central, norte, sul, leste e oeste. Em cada um deles, distribuem-se zonas: residencial, administrativa, industrial e rural, cada qual abrigando vias públicas, espaços livres e praças. O projeto prevê também um aeroporto e uma estação ferroviária. Tanto as quadras comerciais como as residenciais são dotadas de áreas internas livres. Nas primeiras, para carga e descarga de mercadorias; nas segundas, para áreas de lazer. A exploração da topografia, no sentido prático e estético, faz-se notar pela maneira como são projetadas as avenidas. Aquelas dotadas de infra-estrutura de serviços e comércio possuem maior inclinação. As secundárias seguem o relevo do terreno, de modo a evitar corrosões e enchentes, características da região. O traçado adotado favorece o escoamento das águas e dos esgotos para grandes coletores situados no fundo dos vales. As avenidas principais, Anhanguera e Goiás, estão dispostas em forma de cruz. A primeira corta a cidade no sentido leste/oeste e ultrapassa em extensão o perímetro urbano, confundindo-se com as vias intermunicipais. Por ela, escoaria o tráfego mais intenso da cidade. A avenida Goiás, por sua vez, define o eixo norte/sul, ligando o centro administrativo à estação ferroviária. Esta avenida recebe tratamento paisagístico especial e, devido às suas dimensões e largura, é o local pensado para as festas cívicas.

Na implantação do centro administrativo observa-se, uma vez mais, o modo como o arquiteto explora as características do sítio natural, bem como sua inspiração no feitio monumental de cidades como Versailles e Washington. Localizado na parte mais alta do terreno, o Palácio do Governo ganha destaque, enfatizado pelo uso da perspectiva: três avenidas - Goiás, Araguaia e Tocantins - convergem para a sede do governo, que funciona como uma espécie de ponto de fuga. Do centro administrativo saem ainda duas outras avenidas em ângulo: a Araguaia, em direção ao Parque Botafogo, e a Tocantins, que dá acesso ao aeroporto. Uma outra via, circular, a Paranaíba, liga o Parque Botafogo e o aeroporto. Esta avenida tem a função de liberar a circulação de veículos no centro da cidade, desviando-o para o setor industrial e para a estação ferroviária.

A partir de 1936, as marcas da intervenção do engenheiro e urbanista Armando Godoy no plano primeiro se fazem sentir no setor sul de Goiânia, que ele refaz inteiramente. A inspiração primeira do seu projeto, diz ele, são as cidades-jardins de Howard (1850 - 1928), pensadas como totalidades orgânicas que integram campo e cidade. Nas áreas residenciais do setor sul de Goiânia, Godoy privilegia os amplos espaços verdes, as habitações ventiladas e iluminadas, as pistas exclusivas para pedestres e as vielas tortuosas. Nesse sentido, ele cria uma zona diferenciada no interior da cidade mais ampla, comprometendo a unidade do plano de Attílio, que concebe a cidade como uma única estrutura aberta, de modo a prever sua expansão. A despeito das alterações sucessivas no projeto original da cidade, para as quais contribuiu o crescimento acelerado da cidade, Goiânia é considerada por alguns uma prefiguração de Brasília, modelo do qual Lucio Costa (1902 - 1998) teria retirado inspirações para o plano da capital federal.

Fontes de pesquisa 4

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  • ANDRADE, Rodrigo M. Franco. Attílio Corrêa Lima. In: XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
  • BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.
  • LEME, Maria Cristina (org). Urbanismo no Brasil: 1895- 1965, São Paulo: Faculdade de Arquitetura, FAU/USP ; Studio Nobel, 1999. , 599 pp. il. p& b.
  • THE THAMES and Hudson Dictionary of 20th-Century Architecture. Edição Vittorio Magnago Lampugnani; tradução Barry Bergdoll. Londres: Thames and Hudson, 1997. 384 p., il. p.b. (World of art).

Como citar

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