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Artes visuais

Arte do New Deal

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2015
A produção artística financiada oficialmente durante o governo do presidente Franklin D. Roosevelt (1933 - 1945), nos Estados Unidos, com o programa de reformas empreendido para conter a depressão econômica e recuperar a confiança na economia americana, é conhecida como a arte do New Deal (1933 - 1939).

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Definição
A produção artística financiada oficialmente durante o governo do presidente Franklin D. Roosevelt (1933 - 1945), nos Estados Unidos, com o programa de reformas empreendido para conter a depressão econômica e recuperar a confiança na economia americana, é conhecida como a arte do New Deal (1933 - 1939).

A quebra da bolsa de Nova York em 1929 e a conseqüente crise econômica levam muitos artistas a questionar o papel da arte na sociedade. A vanguarda européia passa a ser rejeitada ao mesmo tempo que cresce a simpatia por uma arte realista, capaz de expressar a vida tipicamente americana. Nesse momento, destacam-se os pintores da chamada Cena Americana, com paisagens urbanas e rurais, e seus pares regionalistas. Entre eles, destaca-se a figura xenófoba do pintor e professor Thomas Hart Benton (1889 - 1975), espécie de porta-voz do movimento. É o tipo de arte figurativa praticada por Benton - com seus personagens robustos emprestados de Michelangelo Buonarroti (1475 - 1564) e combinados com imagens populares - que predomina no período.

Como parte das diversas medidas tomadas para conter as taxas de desemprego entre os trabalhadores, o governo institui em 1933 o Public Works of Art Project, extinto no ano seguinte, com a função de recrutar artistas para decorar os prédios públicos com "arte de qualidade". Como qualidade compreende-se principalmente a capacidade de expressar os valores nacionais da cultura norte-americana. Em 1934 é criada a Section of Painting and Sculpture [Seção de Pintura e Escultura], que dura até 1943, financiada por um fundo para decoração de edifícios do ministério da fazenda. A seção tem a tarefa de adquirir obras de arte para o governo. Elas são selecionadas por uma comissão formada por expoentes da Cena Americana (fundamentalmente refratários à arte modernista européia): os pintores Benton, John Steuart Curry (1897 - 1946), Rockwell Kent (1882 - 1971), Grant Wood (1892 - 1942) entre outros. Em 1935, a recém-criada Works Progress Administration (WPA) sustenta o programa de decoração de pequenos prédios federais, chamado Treasury Relief Art Project; e é elaborado o maior programa público de financiamento de arte e artistas do New Deal, o Federal Art Project [Projeto de Arte Federal], agência sob controle da WPA.

Como nota o historiador inglês J. Harris, é preciso considerar que minimizar o desemprego no meio artístico é somente um dos objetivos desses programas públicos para o patrocínio da arte: na verdade, a produção é, também, parte de um movimento de retomada do desenvolvimento social e econômico e adquire aspectos patrióticos e de mobilização da cidadania, elementos fundamentais para a sustentação das políticas governamentais do período. Por outro lado, ao tratar o artista como qualquer outro trabalhador assalariado, estabelece a noção de artista-cidadão, ou seja, alguém capaz de refrear suas inclinações artísticas particulares a favor de uma produção que contribua para a construção da imagem positiva da Nação-Estado à qual pertence. Entende-se que o artista é capaz de criar uma espécie de "realismo democrático", em perfeita harmonia com as práticas do governo.

Em oito anos de atuação, o Federal Art Project, sob o comando de Holger Cahill, emprega cerca de 5 mil artistas, que fazem pinturas, esculturas, gravuras e murais para escritórios, escolas, bibliotecas, aeroportos, estações de trem e outros edifícios públicos em mais de mil cidades americanas. Participam do programa: Stuart Davis (1894 - 1964), George Biddle (1885-1973), William Gropper (1897 - 1977), Morris Graves (1910), e os então jovens Willem de Kooning (1904 - 1997), Arshile Gorky (1904 - 1948), Jackson Pollock (1912 - 1956), Philip Guston (1913 - 1980), entre outros.

A estrutura extremamente complexa e burocrática do projeto permite que em algumas cidades, como Nova York, os artistas trabalhem fora do realismo regionalista - naturalmente a posição dominante e defendida por seu diretor -, desenvolvendo obras de caráter mais abstrato, como o mural de Arshile Gorky no aeroporto de Newark, intitulado Aviation: Evolution of Forms Under Aerodynamic Limitations (1936). No entanto, o controle é maior sobre as pinturas murais, particularmente influenciadas pelo estilo monumental dos muralistas mexicanos Diego Rivera (1886 - 1957) e José Clemente Orozco (1883 - 1949), cujos esboços deveriam satisfazer a um comitê nomeado para discorrer sobre o estilo e conteúdo apropriados para expressar o espírito e a cultura norte-americanos.

Fontes de pesquisa 5

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  • HARRIS, J. Federal art and national culture: the politics of identity in New Deal America. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.
  • HUGHES, R. Americans visions: the epic history of art in America. New York: Alfred A. Knoff, 1997.
  • PROWN, J.; Rose, B.. La Peinture americane: de la période colonial à nos jours. Genève: Skira, 1969.
  • ROSE, B. L'art américain depuis 1900 - une histoire critique. Bruxelles: La Connaissance S.A., 1969.
  • WOOD, Paul, FRASCINA, Francis, HARRISON, Charles. Modernismo em disputa: a arte desde os anos quarenta. Tradução Tomás Rosa Bueno. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. 268 p., il. p.b. color. (Arte Moderna : práticas e debates, 4).

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