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Artes visuais

Valori Plastici

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.02.2017
O movimento artístico italiano denominado valores plásticos define-se em torno da revista de mesmo nome, fundada pelo pintor Mario Broglio (1891 - 1948) e pelo pintor e escultor Roberto Melli (1885 - 1958). Editado entre 1918 e 1921, o periódico, orienta-se pelo retorno à ordem, assim como o movimento ao seu redor, em consonância com o fenômeno ...

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Definição

O movimento artístico italiano denominado valores plásticos define-se em torno da revista de mesmo nome, fundada pelo pintor Mario Broglio (1891 - 1948) e pelo pintor e escultor Roberto Melli (1885 - 1958). Editado entre 1918 e 1921, o periódico, orienta-se pelo retorno à ordem, assim como o movimento ao seu redor, em consonância com o fenômeno europeu mais amplo, em que se observa uma tentativa de reação às experimentações empreendidas pelas vanguardas, desde a recuperação do realismo, a reabilitação da tradição e dos valores culturais nacionais. Na Itália, o retorno à ordem, ou a "antivanguarda", nos termos do crítico Giulio Carlo Argan, "configura-se como uma aspiração a uma forma plástica absoluta, arquetípica", cujas raízes devem ser procuradas na tradição italiana dos séculos XIV e XV, sobretudo naquela referida a Giotto (ca.1266 - 1337) e Masaccio (1401 - 1428). A revista Valori Plastici [Valores Plásticos] acolhe artistas de formação variada, como Carlo Carrà (1881 - 1966), Giorgio Morandi (1890 - 1964), Giorgio de Chirico (1888 - 1978), Ardengo Soffici (1879 - 1964) e Arturo Martini (1889 - 1947). Publica também monografias de pintores estrangeiros - como André Derain (1880 - 1954), Henri Rousseau (1844 - 1910) e Marc Chagall (1887 - 1985) -, e matérias sobre movimentos artísticos, por exemplo, De Stijl [O Estilo], o cubismo sintético, e o Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul].

O período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, na Itália, é marcado pela crítica aos preceitos estéticos e políticos do futurismo, levada a cabo pelos adeptos da pintura metafísica, sobretudo por De Chirico e Carrà. A arte de De Chirico permite entrever as linhas de força da estética metafísica que a revista Valori Plastici divulga e promove: coloca-se como exterior à temporalidade, como negação do presente, da realidade natural e social. Nada mais distante das motivações futuristas, que almejam uma arte de seu tempo, ligada à técnica e transformação da sociedade. Menos que interpretar ou alterar a realidade, a pintura de De Chirico dirige-se a uma "outra realidade", além da história. Os cenários projetados pelo pintor entre 1910 e 1915, imersos em uma atmosfera de enigma e melancolia, permitem flagrar os contornos do novo estilo, que se consolida entre 1917 e 1920 - por exemplo, O Enigma da Hora, 1912, Melancolia de uma Bela Tarde, 1913, e Melancolia Outonal, 1915. Ativo participante do futurismo, Carrà adere à poética metafísica em 1917 em O Ídolo Hermafrodita, A Musa Metafísica e O Quarto Encantado. Em sua pesquisa estilística, observa-se uma tentativa de simplificação da forma e o intuito de recuperação da integridade dos objetos. Morandi aproxima-se da pintura metafísica um pouco mais tarde (e por pouco tempo), como revelam as naturezas-mortas realizadas entre 1918 e 1919. A partir de 1922, sugestões da pintura metafísica e do movimento dos valores plásticos são incorporadas por artistas ligados ao Novecento italiano - ou Novo Renascimento, como era chamado -, entre eles Mário Sironi (1885 - 1961), Achile Funi (1890 - 1972) e Arturo Tosi (1871 - 1956). Também parece clara a retomada de um estilo naturalista na pintura e um resgate dos valores estéticos tradicionais, contra as conquistas futuristas em A Adivinha, 1924, de Funi, Paisagem Urbana, 1924, de Sironi e Estrada para Clusone, 1929, de Tosi. A adesão de Soffici aos valores plásticos e depois ao Novecento pode ser percebida em trabalhos como Mulher Toscana, 1924 e Procissão, 1933.

No Brasil, as marcas do retorno à ordem podem ser aferidas em diferentes grupos e artistas. Na produção modernista em geral - com exceção da produção de Anita Malfatti (1889 - 1964), até 1916 -, observa-se larga influência do retorno à ordem. Podem ser lembradas a fase pau-brasil de Tarsila do Amaral (1886 - 1973), além das obras de Candido Portinari (1903 - 1962), Di Cavalcanti (1897 - 1976), Victor Brecheret (1894 - 1955) e Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970). Os grupos Santa Helena e Família Artística Paulista - FAP, a despeito de sua inclinação modernista, compartilham os influxos do retorno à ordem que marcam as artes brasileiras dos anos 1930. Vittorio Gobbis (1894 - 1968) e Rossi Osir (1890 - 1959) são bons exemplos de leituras do Novecento italiano realizadas no Brasil. Alguns críticos localizam influências da pintura metafísica em certas obras de Milton Dacosta (1915 - 1988).

Fontes de pesquisa 7

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  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • CARRÀ, Massimo. Metaphysical Art. New York ; Washington: Praeger Publishers, 1971, il. p&b. color, 216 pp.
  • CHIARELLI, Tadeu. Arte Internacional brasileira. 2.ed. São Paulo: Lemos, 2002.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • DE CHIRICO, Giorgio. Giorgio de Chirico. Pictor Optimus. Pittura. Disegno. Teatro. Genova: Pallazo Ducola, Edizzioni Carte Segrete, 1993, il. p&b. color. 311 pp.
  • FER, Briony, BATCHELOR, David, WOOD, Paul. Realismo, Racionalismo, Surrealismo: a arte no entre-guerras. Tradução Cristina Fino. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. (Arte Moderna : práticas e debates, 3).
  • La nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milano: Garzanti, 1986.

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