Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.



Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Universalismo Construtivo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.02.2017
O termo universalismo construtivo remete diretamente à produção do grupo Cercle et Carré [Círculo e Quadrado], criado em Paris, no ano de 1929, pelo pintor uruguaio Joaquín Torres-García e pelo crítico e artista gráfico belga Michel Seuphor. A associação e o jornal de mesmo nome têm como objetivo primeiro instaurar um debate sobre as idéias cons...

Texto

Abrir módulo

Definição

O termo universalismo construtivo remete diretamente à produção do grupo Cercle et Carré [Círculo e Quadrado], criado em Paris, no ano de 1929, pelo pintor uruguaio Joaquín Torres-García e pelo crítico e artista gráfico belga Michel Seuphor. A associação e o jornal de mesmo nome têm como objetivo primeiro instaurar um debate sobre as idéias construtivistas e divulgar a arte abstrata, como revela a exposição realizada em 1930 na Galeria 23, em Paris, reunindo Jean Arp, Vassily Kandinsky, Fernand Léger, Le Corbusier, Piet Mondrian, entre outros. Ao dar o destaque das pesquisas às idéias de estrutura e construção, o grupo recusa o irracionalismo e as motivações inconscientes preconizados pelo surrealismo, de forte penetração na época. Mesmo conectado ao abstracionismo geométrico e às tendências construtivas da arte moderna - sobretudo ao neoplasticismo de Mondrian, Theo van Doesburg e Georges Vantongerloo -, o universalismo construtivo, sistematizado por Torres-García em diversos escritos e testado em toda a sua obra, adquire caráter próprio ao sublinhar o valor simbólico da forma. O lugar e a dimensão dos símbolos no interior da estrutura do quadro definem-se pela tentativa do pintor em obter uma síntese entre idéia e forma.

Formado em Barcelona, onde trabalha com Antoni Gaudí e conhece Julio González, Torres-García percorre diversos países europeus, e passa por Nova York até chegar a Paris, em 1926. O acervo do Museo del Prado, o contato com Joán Miró em 1918, o simbolismo de Puvis de Chavannes, o muralismo de Davi Alfaro Siqueiros e, principalmente, o contato com o ideal de harmonia universal postulado por Mondrian (a quem, não por acaso, dedica o livro Universalismo Construtivo), em 1928 e 1929, são fontes fundamentais para o construtivismo de Torres-García, que começa a se esboçar nas cenas de ruas, casas e portos projetadas em 1916 (por exemplo, Rua de Barcelona) e nos brinquedos construídos a partir de 1918. Mas é no período parisiense que sua pintura adquire conotação arquitetônica e as tendências construtivas se evidenciam. Também começa a fazer uso de símbolos bem delineados, situados em campos de pouca profundidade que tomam o quadro. As cores variam ora apresentam-se reduzidas ao negro, branco e cinza, ora resumem-se às cores primárias (amarelo, azul e vermelho), algumas vezes aproximam-se dos tons terra empregados pela cerâmica pré-colombiana, que tanto impressiona o pintor. O princípio construtivo da obra de Torres-García tem claro sentido metafísico, como ele mesmo indica no livro Razão e Natureza, 1932. Unificar o tempo, o espaço e a cultura, alcançar um sentido de harmonia, assim como representar visualmente o homem universal (com sua dimensão física, intelectual e espiritual), seriam as ambições maiores de Torres-García.

Totalidade, ordem e unidade são termos empregados por Torres-García para definir seu projeto pictórico, que conhece desdobramentos no período uruguaio, a partir de 1935. Na Associação de Arte Construtiva, criada em Montevidéu - e na qual são lançados dez números da revista Círculo e Quadrado entre 1936 e 1938 -, o artista amplia e divulga os ideais plásticos do universalismo construtivo, definidos no período anterior. As diversas obras criadas entre 1930 e 1940 como Composição Cósmica com Homem Abstrato, 1933, Construção com Signos Estruturados, 1932, Porto com Quatro Figuras Universais, 1942 e Ritmo Construtivo na Cidade, 1943, evidenciam as linhas mestras de seu programa. O espírito de síntese, a imagem a comandar a representação do essencial, a unidade da composição, o equilíbrio e a idéia filosófica de totalidade - compreendendo a unidade entre o artista construtor e a ordem cósmica do universo - são transpostos para a tela ou para a pedra, no caso do Monumento Cósmico, parque Rodó, 1935, com o auxílio de um vocabulário extremamente variado. Grafismos primitivos, formas tiradas da natureza, elementos do cotidiano, números, palavras, signos fenícios e outros, retirados de civilizações variadas, compõem o alfabeto pessoal e simbólico de Torres-García. Peixe, sol, lua, relógio, âncora, chave, flecha, casa, barco e outras, cada uma dessas formas remete a uma idéia precisa: à vida moderna, ao universo cósmico, à dualidade masculino/feminino, à transcendência. A inclusão de números alude às formas geométricas: quadrado, triângulo, pentagrama. As palavras vida, terra, emoção, magia e outras definem os planos físico, espiritual e intelectual da vida e do homem universal.

Na França, o Cercle et Carré dá origem, em 1931, ao grupo Abstraction-Création. Em Montevidéu, a Associação de Arte Construtiva, 1935-1942 e o Taller Torres-García, 1943-1962 formam uma série de artistas no léxico do universalismo construtivo como Gonzalo Fonseca, José Gurvich, Héctor Ragni, Augusto Torres, Rosa Acle e outros.

Fontes de pesquisa 4

Abrir módulo
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • DUNCAN, Barbara. Joaquin Torres-García. Cronologia. Tradução do inglês John Wheat. Austin: Universidad de Texas, 1975, 155 pp. il p&b. color.
  • JARDÍ, Enric. Torres García. Barcelona: Ediciones Polígrafa, S.A., s/ data, 286 pp. il p&b. color [Biblioteca de Arte Hispánico].
  • RAMIREZ, Mari Carmem. El Taller Torres-García. The School os the South and its legacy. Austin: University pf Texas Press, 1992, 395 pp. il. p&b.color.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: