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Artes visuais

Gótico

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2015
Estilo artístico europeu que predomina de meados do século XII ao início do século XV, período compreendido entre o fim do estilo românico e o início do Renascimento. O termo gótico, que faz referência ao povo godo, é utilizado originalmente pelos tratadistas do Renascimento com sentido pejorativo para designar a arquitetura - depois a escultura...

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Definição
Estilo artístico europeu que predomina de meados do século XII ao início do século XV, período compreendido entre o fim do estilo românico e o início do Renascimento. O termo gótico, que faz referência ao povo godo, é utilizado originalmente pelos tratadistas do Renascimento com sentido pejorativo para designar a arquitetura - depois a escultura, a pintura e as "artes menores" - da Idade Média, consideradas "bárbaras" em relação ao clássico. Giorgio Vasari (1511-1574) é um dos primeiros a designar a arte gótica como "monstruosa e bárbara". A partir de meados do século XVIII, observa-se um processo de reavaliação do estilo inicia na Inglaterra, segue pela França, Alemanha e, finalmente, Itália - que elimina os sentidos negativos associados ao termo. O amplo arco cronológico desenhado pelo gótico e sua vasta difusão geográfica impõem dificuldades aos estudiosos, que são obrigados a considerar as diversas inflexões por ele assumidas em diferentes momentos e contextos. De todo modo, é possível identificar traços distintivos do novo estilo que se ligam diretamente à leveza das construções, às linhas curvas, à verticalidade das formas arquitetônicas e às tendências naturalistas na escultura, que tornam mais reais e humanizadas as representações religiosas. Ao contrário da arte românica que se origina de uma multiplicidade de centros, o gótico tem uma única fonte de irradiação: o norte da França. Toda a primeira fase do estilo pode ser definida como a linguagem artística da sólida estrutura monárquica francesa e do poder da Igreja, que se via como depositária das ciências e das artes, além de mediadora entre Deus e os homens. A proeminência da Igreja é enfatizada pela intensificação do culto à Virgem Maria, que assume o primeiro plano na iconografia sacra.

É na arquitetura religiosa que o gótico predomina nos séculos XII e XIII. Se a arquitetura românica se desenvolve com base nas estruturas maciças com poucos vãos, nos arcos redondos, nas abóbadas de arestas (constituídas pela penetração de duas abóbadas), em grandes portais e capitéis esculpidos - cujos motivos principais são os esquemas geométricos e os bestiários -, a arquitetura gótica vale-se dos grandes vãos para conseguir máxima luminosidade, captada pelas janelas com rendilhados e pelos vitrais em forma de rosácea. Utiliza-se ainda dos pilares leves, das estruturas reduzidas ao mínimo e do sentido ascensional da construção, enfatizado pelos arcos em ogivas, agulhas e capitéis. Elementos fundamentais no sistema de equilíbrio gótico são as abóbadas sobre cruzeiro de ogivas (reforçadas por nervuras ou ogivas) e o uso do arcobotante, que possibilita levantar a abóbada a alturas muito elevadas. Com o descarte das superfícies cheias e das paredes pesadas, o edifício gótico se reduz a um arcabouço de arcos e suportes, amparado pelos arcobotantes, o que faz dele uma construção dotada de leveza, que a intensa luminosidade interior ajuda a acentuar. Testemunhos do desenvolvimento do estilo em sua primeira fase são a Catedral de Notre-Dame (1163-1250), e de Sainte-Chapelle, concluída em 1250, ambas em Paris; a Catedral de Amiens (1218-1247); a de Chartres, começada em 1194; a de Reims, começada em 1210, e a de Rouen da primeira metade do século XII. A íntima articulação entre arquitetura e escultura na decoração das catedrais é outro traço saliente do estilo. O pórtico da Catedral de Chartres, por exemplo, é esculpido com figuras mais realistas com Panejamento que permitem entrever as linhas dos corpos.

O gótico francês se expande para o resto da Europa, não apenas como modelo arquitetônico, mas também do ponto de vista das representações escultóricas e pictóricas. Na segunda metade do século XIII, Nicola Pisano, trabalhando muitas vezes com o filho Giovanni Pisano (ca.1240-1320?), redireciona a representação figurativa. Contra a convenção românica que separa os episódios em compartimentos dispostos em faixas, Nicola Pisano combina-os numa composição única, em que se destacam os detalhes vívidos e os efeitos dramáticos obtidos. Em seus murais e afrescos, Giotto (ca.1266-1337) logra traduzir para a pintura as figuras realistas da escultura gótica. Sua obra representa um corte em relação às convenções da tradição bizantina pela introdução de ideais naturalistas e pelo novo sentido atribuído ao espaço pictórico. Entre as obras a ele atribuídas estão os afrescos da Capela Arena ou dos Scrovgni, em Pádua, provavelmente concluídos em 1306. Mas Giotto é a transição para um novo período, o Renascimento.

A disseminação do gótico nos séculos XIV e XV acompanha o crescimento do comércio e a expansão das cidades. As catedrais já não constituem a principal tarefa dos arquitetos que se voltam, então, para os edifícios seculares, por exemplo, o Palácio dos Doges, em Veneza, iniciado em 1309. O estilo parece se expandir mais decididamente para a pintura, escultura e artes decorativas, além de definir outros centros de irradiação, por exemplo, a Boêmia, que se torna uma rota privilegiada de ampliação das influências francesa e italiana. Nesse momento, os historiadores da arte passam a falar no gótico internacional. Exemplo emblemático dessa fase é o chamado Díptico de Wilton (ca.1400), em que são João Batista, santo Eduardo, o Confessor, e santo Edmundo recomendam Ricardo II ao menino Jesus. Chamam atenção no Díptico o registro de um personagem histórico real, Ricardo II, marido de Ana de Boêmia, as linhas delicadas, o uso da perspectiva e o interesse pela observação do mundo real. O gótico internacional perpetua-se no decorrer do século XV, beneficiado pelas fortes ligações comerciais entre as cidades européias. Com o termo gótico tardio, alguns estudiosos batizam as obras realizadas entre meados do século XV e fim do XVI, paralelas, cronologicamente, ao primeiro Renascimento italiano.

Fontes de pesquisa 5

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  • CHASTEL, André. A arte italiana. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1991, 738 p., il. p&b.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • DUCHER, Robert. Características dos estilos. Tradução Maria Armentina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 219 pp. il. p&b.
  • GOMBRICH, E.H. A história da arte. 15.ed. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1993, 543 pp. il. p&b. color.
  • La nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milano: Garzanti, 1986.

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