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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Expedições Artistícas e Científicas do Século XIX

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.04.2017
Reprodução fotográfica Walter Morgenthaler

Mata Reduzida a Carvão, 1830
Félix-Émile Taunay
Óleo sobre tela
135,00 cm x 195,00 cm

As expedições artísticas e científicas, em geral organizadas e integradas por estrangeiros, têm no Brasil do século XIX o seu momento de expansão. Ao longo do período colonial brasileiro, a descoberta e a pesquisa científicas realizam-se de modo esporádico - com exceção do governo de Maurício de Nassau (1604-1679), em Pernambuco (1637-1644), que...

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Histórico

As expedições artísticas e científicas, em geral organizadas e integradas por estrangeiros, têm no Brasil do século XIX o seu momento de expansão. Ao longo do período colonial brasileiro, a descoberta e a pesquisa científicas realizam-se de modo esporádico - com exceção do governo de Maurício de Nassau (1604-1679), em Pernambuco (1637-1644), que atrai para Recife sábios e artistas estrangeiros -, no século XIX tem início um processo mais sistemático de estudo e pesquisa da flora, fauna, geografia e vida social do país. O ano de 1808 é considerado um marco na história da investigação científica nacional em função da vinda de dom João VI (1767-1826) e da corte portuguesa ao Rio de Janeiro. A abertura dos portos brasileiros nesse ano traz a alteração do estatuto colonial que restringe as viagens de estrangeiros pelo país. Desde então, expedições artísticas e científicas são realizadas para registrar e coletar espécimes naturais e objetos, sendo que parte deles é encaminhado a museus e instituições europeias. Tem início um ciclo de viagens e missões científicas que, ao lado das instituições culturais criadas pelo governo português instalado na colônia - Jardim Botânico, Biblioteca Nacional e Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), entre outras -, dão novo impulso ao desenvolvimento artístico e científico no Brasil. 

As facilidades de acesso trazem ao país viajantes que descrevem o ambiente natural e a vida social de então. O mais conhecido é o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), que participa de uma expedição promovida pela marinha inglesa, cujo objetivo é prospectar dados cartográficos da América do Sul. Darwin, a bordo do navio HMS Beagle, chega a Fernando de Noronha em fevereiro de 1832 e passa quatro meses no Brasil. Entre os viajantes, também estão o inglês Henrique Koster (que vive no país entre 1808 e 1819, publicando, em 1816, Travels in Brazil) e o botânico August de Saint-Hilaire (1779-1853) que, após viagens realizadas entre 1816 e 1822, publica diversos volumes de Voyages dans l'Intérieur du Brésil; o alemão Frederico Guilherme Sieber (que realiza estudos geológicos e botânicos na bacia Amazônica); os naturalistas Jorge Freyreiss (1789-1825) e Frederico Sellow (1789-1831), que acompanham o príncipe alemão Maximiliano von Wied-Neuwied (ele mesmo um viajante e colecionador de plantas, objetos e pesquisador de línguas indígenas, autor de Viagem ao Brasil, 1820 e 1821); João Emanuel Pohl (1782-1834), que viaja pelo país entre 1817 e 1821 registrando a riqueza da fauna e seus minérios; e João Natterer (1787-1843), zoólogo, ornitólogo e entomólogo, que permanece no país entre 1817 e 1835. Boa parte desses pesquisadores liga-se a expedições mais amplas, nas quais se associam ciência e arte para documentação e pesquisa.

Algumas expedições se tornam célebres pelos seus resultados científicos e artísticos. A missão austríaca de 1817, organizada devido ao casamento de dona Leopoldina (1797-1826) com o príncipe dom Pedro (1798-1834), traz um conjunto de sábios e artistas destacados. Compõem o séquito da arquiduquesa Leopoldina o zoólogo Johan Baptiste Von Spix (1781-1826) e o botânico Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868). Eles esboçam imagens da natureza e da sociedade brasileira em sua Viagem pelo Brasil (cujos três tomos são editados em 1823, 1828 e 1831, respectivamente, e cuja edição brasileira, promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, IHGB, data de 1938). Integra também a missão austríaca, Thomas Ender (1793-1875), responsável por ilustrações para as viagens de Pohl e de Martius. Seus diversos desenhos da região do Rio de Janeiro e da província de São Paulo (por exemplo, Vista da Tijuca e O Catete e o Vale das Laranjeiras) só são apresentados após sua morte.

Outra importante expedição de pesquisa e produção de pinturas documentais é a organizada pelo barão e médico Georg Heinrich Von Langsdorff (1774-1852), entre 1824 e 1829. Langsdorff vem para país, pela primeira vez, acompanhando o almirante russo João von Krusentern em viagem ao redor do mundo, realizada entre 1803 e 1807. Em 1813, é nomeado cônsul-geral da Rússia junto à corte portuguesa e atrai diversos estrangeiros ao Brasil, entre os quais Freyreiss, Sellow e Carlos Henrique Beyrich (1786-1834). A expedição de 1825 reúne o botânico Luis Riedel, o zoólogo Cristiano Hesse, o astrônomo Rubzoff, o desenhista-topógrafo Hercule Florence (1804-1879) e o pintor Rugendas (1802-1858). Os artistas contratados produzem rico acervo iconográfico ao longo dos 17 mil km percorridos. Hercules Florence é responsável por aquarelas sobre o ambiente natural e social do Brasil (Habitação dos Apiacás sobre o Arinos, 1828); Rugendas registra o périplo da expedição em Viagem Pitoresca pelo Brasil (1834); o pintor Adrien Taunay (1803-1828) realiza paisagens e registros da vida social bororo (Agrupamento dos índios Bororo do Aacampamento Chamado Pau-Seco, entre os Rios Paraguai e Jauru, 1827). Há, ainda, a expedição "Rurick", organizada pelo conde de Romanzov (1754-1826), entre 1815 e 1818 - e que deixa registros visuais da ilha de Santa Catarina, realizados por Louis Choris (1795-1828) - e a Expedição Thayer (1865-1866), chefiada pelo naturalista Louis Agassiz (1807-1873), que se notabiliza pelas paisagens amazônicas, a cargo de Jacques Burckhardt (1808-1867). Entre elas estão Paisagem Brasileira, Manaus (1865) e a série de Peixes Brasileiros (1865).

A Missão Artística Francesa, que chega ao Rio de Janeiro em 1816, embora não seja uma expedição artística e científica como as anteriores - já que o grupo de estrangeiros contratado se fixa institucionalmente no país -, pode ser incluída nessa lista devido à obra deixada por alguns de seus integrantes, como Debret (1768-1848). Professor de pintura histórica na Aiba, ele é responsável por descrições detalhadas da vida social brasileira: a vida na corte, o trabalho escravo, a cidade do Rio de Janeiro, o cotidiano, a família etc. Sua Viagem Pitoresca e Histórica do Brasil, de 1834 (1ª edição brasileira, 1840), é dos mais importantes exemplos de pintura de valor documental realizados, sendo amplamente utilizada como fonte iconográfica para o estudo da sociedade brasileira e, mais recentemente, analisada por suas qualidades pictóricas, como expressão das dificuldades de aclimatação do modelo neoclássico no país. O pintor Nicolas Antoine Taunay (1755-1830) é outro integrante da missão contratada para inaugurar a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, futura Aiba. Nicolas Taunay se torna conhecido pelas paisagens (Cascatinha da Tijuca e Paisagem do Brasil, entre outras), no que é seguido por seu filho, Félix Taunay (1795-1881), autor de Vista da Mãe d'Água e Mata Reduzida a Carvão.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 7

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  • FITTKAU, Ernest Josef. Johann Baptiste Ritter Von Spix: primeiro zoólogo de Munique e pesquisador do Brasil, História, ciência, saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, vol. 8, 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/>.
  • FITTKAU, Ernest Josef. Johann Baptiste Ritter Von Spix: primeiro zoólogo de Munique e pesquisador do Brasil, História, ciência, saúde - Manguinhos, Rio de Janeiro, vol. 8, 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/>.
  • HOLANDA, Sérgio Buarque de (org). História geral da civilização brasileira, tomo II, volume 1. O Brasil monárquico. São Paulo: Difel, 1982 (cap. V: Viajantes, naturalistas e artistas estrangeiros, p. 119- 131).
  • KOMISSAROV, Boris. Expedição Langsdorff: acervo e fontes históricas. Tradução Marcos Pinto Braga. São Paulo: Unesp : Hucitec, 1994.
  • NAVES, Rodrigo. Debret, o neoclassicismo e a escravidão. In A Forma difícil: ensaios sobre arte brasileira. São Paulo: Ática, 1996. 285 p. il. color.
  • O BRASIL dos viajantes. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo (Masp), 20 de out. a 18 de dez. 1994.
  • ROSSATO, Luciana. Imagens de Santa Catarina: arte e ciência na obra do artista viajante Louis Choris, Revista Brasileira de História, v. 25, n. 49, 2005, p. 175- 195.

Como citar

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