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Artes visuais

Colagem

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2015
A colagem como procedimento técnico tem uma história antiga, mas sua incorporação na arte do século XX, com o cubismo, representa um ponto de inflexão na medida em que liberta o artista do jugo da superfície. Ao abrigar no espaço do quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal e papéis de todo tipo, tecido, madeira, objeto e outro...

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Definição
A colagem como procedimento técnico tem uma história antiga, mas sua incorporação na arte do século XX, com o cubismo, representa um ponto de inflexão na medida em que liberta o artista do jugo da superfície. Ao abrigar no espaço do quadro elementos retirados da realidade - pedaços de jornal e papéis de todo tipo, tecido, madeira, objeto e outros -, a pintura passa a ser concebida como construção sobre um suporte, o que dificulta o estabelecimento de fronteiras rígidas entre pintura e escultura. Fruteira e Copo (1912), de Georges Braque (1882-1963), é considerada uma das primeiras colagens da arte moderna. A partir desse momento, a técnica é largamente empregada em diferentes escolas e movimentos artísticos, com sentidos muito variados. Pablo Picasso (1881-1973) encontra no novo recurso um instrumento de experimentação inigualável, que tem início com Copo e Garrafa de Suze (1912), parte de uma série em que são utilizados papéis e desenhos a carvão.

O uso de papéis colados abre pesquisas cubistas em novas direções. A utilização cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel, dá origem a objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris (1887-1927), outro grande nome do cubismo que trabalha exaustivamente com colagens, define a pintura como "espécie de arquitetura plana com cor". As colagens de Braque, Picasso e Gris despertam o interesse de artistas dos círculos cubistas mais próximos e mais distantes. Albert Gleizes (1881-1953), Louis Marcoussis (1883-1941), André Derain (1880-1954), Robert Delaunay (1885-1941) e Sonia Delaunay-Terk (1885-1979), entre outros nomes do circuito parisiense, passam a fazer uso de colagens em suas composições. Na escultura - também realizada por Braque e Picasso -, os trabalhos de Alexander Archipenko (1887-1964), Jacques Lipchitz (1891-1973), Vladimir Tatlin (1885-1953), Pablo Gargallo (1881-1934) e Henri Laurens (1885-1954) são exemplos da articulação entre superfícies e volumes, em consonância com o programa das colagens cubistas.

Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontram seguidores em todo o mundo, o que não significa falar em generalização uniforme, mas em interpretações distintas de um mesmo procedimento. Na Itália, um diálogo cerrado com o meio francês leva os artistas reunidos em torno do futurismo a praticar colagens em sentido cubista estrito. Um traço destacado da produção futurista - em Umberto Boccioni (1882-1916) e Gino Severini (1883-1966), por exemplo - diz respeito à atenção dedicada ao mundo moderno, sobre o qual os artistas se debruçam sistematicamente, por meio de comentários que fazem à guerra, - tecnologia, velocidade, violência etc. Os trabalhos de Giacomo Balla (1871 ou 1874-1958) e Luigi Russolo (1885-1947) apontam rumo às pesquisas abstratas. Na Rússia de Kazimir Malevich (1878-1935) e Tatlin, as conquistas cubistas adquirem novas feições. As colagens aderem às tendências construtivas em pauta, ganhando destaque os princípios de composição propriamente ditos e o poder expressivo dos materiais, por exemplo nos "relevos pictóricos" de Tatlin.

Diverso é o resultado da técnica no interior do movimento dada. Em Marcel Duchamp (1887-1968) e Francis Picabia (1879-1953), nota-se uma radicalização dos procedimentos usuais da colagem, numa clara recusa ao que eles consideram a rigidez cubista. Nos trabalhos de Kurt Schwitters (1887-1948), a ênfase recai sobre elementos e materiais diversos, que encontram seu exemplo mais acabado nas obras Merz (1919). "A pintura Merz", diz ele, "não utiliza só a cor e a tela, o pincel e a paleta, senão todos os materiais percebidos pelos olhos e todas as ferramentas necessárias." Com Max Ernst (1891-1976), ampliam-se as possibilidades da colagem. Nota-se uma articulação imprevista dos elementos e uma abertura mais direta ao irracional, no que é seguido pelos surrealistas, que levam ao limite a idéia de associação de elementos díspares e de construção de uma "realidade irreal", por exemplo, em Joán Miró (1893-1983), Yves Tanguy (1900-1955), René Magritte (1898-1967), André Masson (1896-1987) e Salvador Dalí (1904-1989). Diferente é a trajetória seguida pelos artistas ligados a Bauhaus quando empregam a colagem e a montagem como parte de seu programa pedagógico. Distinto também o sentido que Henri Matisse (1869-1954) atribui aos papéis colados que utiliza na obra de maturidade, em que a pesquisa da forma liga-se diretamente à exploração da cor.

Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes artistas, por exemplo, nas obras de Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard (1896-1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008). São elas que também oferecem possibilidades aos relevos espaciais de Hélio Oiticica (1937-1980) e os casulos e bichos de Lygia Clark (1920-1988).

Fontes de pesquisa 3

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  • COTTINGTON, DAVID. Cubismo. Tradução Luiz Antônio Araújo. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. 80 p., il. color. (Movimentos da arte moderna).
  • DAIX, Pierre. Dictionnaire Picasso. s.l.: Éditions Robert Laffont, 1995.
  • MAX ERNST, esculturas, obras sobre papel, obras gráficas. São Paulo: MUBE/Torcular, 1997.

Como citar

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