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Artes visuais

Pitoresco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.02.2017
O termo entra para o vocabulário artístico no final do século XVIII para designar uma nova categoria estética em relação à paisagem natural e representada, distinto do sublime. Enquanto a poética do sublime apela ao temor reverencial diante da natureza - que se apresenta grandiosa e hostil -, a estética do pitoresco evoca imperfeições e assimetr...

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Definição

O termo entra para o vocabulário artístico no final do século XVIII para designar uma nova categoria estética em relação à paisagem natural e representada, distinto do sublime. Enquanto a poética do sublime apela ao temor reverencial diante da natureza - que se apresenta grandiosa e hostil -, a estética do pitoresco evoca imperfeições e assimetrias em cenas repletas de detalhes curiosos e característicos que procuram remeter a uma natureza acolhedora e generosa. Valoriza-se aí a irregularidade (sempre agradável) da natureza e a interpretação poética de uma atmosfera particular. Ainda que na França se fale em gênero pitoresco a propósito do rococó, a noção é definida e sistematizada na Inglaterra. O pitoresco designa, nesse contexto, tanto o objeto natural quanto a sua representação num quadro. A expressão artística exemplar do pitoresco é a paisagem dos jardins ingleses. Aliás, o pitoresco, segundo Giulio Carlo Argan, "expressa-se na jardinagem", arte de educar a natureza, melhorando-a, mas sem tirar-lhe a espontaneidade. Tanto o sublime quanto o pitoresco estão na raiz do romantismo. O sublime apontando para o trágico, o infinito e o universal; o pitoresco enfatizando o característico, o mutável e o relativo.

O pitoresco conhece diferentes teóricos. O pintor inglês Alexander Cozens (1717-1786) discute a noção em seu famoso tratado Um novo método de auxílio à invenção no desenho de composições paisagísticas originais (1785/1786). Cozens expõe aí um método de estímulo à imaginação baseado na idéia de que as sensações visuais se apresentam sempre variadas e irregulares - como borrões - e não por meio de esquemas geométricos, como queria a perspectiva clássica. Os artistas buscam captar a variedade das aparências, definindo os traços particulares e característicos das paisagens. William Gilpin (1724-1804) é outro importante defensor do pitoresco. Através de seus escritos - o seu livro de 1782 é uma espécie de guia ilustrado do pitoresco -, Gilpin exerce grande influência sobre o gosto europeu da época no que diz respeito à pintura de paisagem. Aspectos de seu pensamento apontam no sentido da formulação de um ponto de vista romântico acerca da natureza e da beleza natural. Richard Payne Knight (1751-1824), por sua vez, escreve um poema didático, intitulado A Paisagem (1794), e o ensaio Uma investigação analítica acerca dos princípios do gosto (1805), ambos importantes na literatura dedicada ao pitoresco. Sir Uvedale Price (1747-1829) é responsável por uma das maiores obras da doutrina pitoresca, Ensaio sobre o pitoresco (2 vols. 1794/1798). No traçado de sua propriedade rural, Foxley, no condado de Hereford, coloca em prática os princípios do pitoresco, orientadores do projeto.

Cozens e seu filho John Robert Cozens (1752-1797) são pioneiros da estética pitoresca. Pertencem a essa mesma tradição paisagistas como Richard Wilson (ca.1713-1782) - Snowdon Visto de Llyn Nantlle (ca.1765) -; Thomas Gainsborough (1727-1788) - Camponesa Recolhendo Gravetos (1782) -; John Crome (1768-1821) - O Carvalho de Poringland (1818) -; Thomas Girtin (1775-1802); John Constable (1776-1837); o jovem Joseph Mallord William Turner (1775-1851), entre outros. As paisagens pitorescas empregam, em geral, tonalidades quentes e luminosas, que destacam a irregularidade e a diversidade das coisas do mundo natural. Os cenários são compostos a partir de amplo repertório: árvores, troncos caídos, poças de água, choupanas, animais no pasto, pequenas figuras etc. Constable, por exemplo, influenciado pelos paisagistas holandeses do século XVII, representa as mudanças de luz ao ar livre e o movimento das nuvens no céu em telas como A Represa e o Moinho de Flatford (1811). Sua pintura capta as variações da natureza, recusando a idéia de um espaço universal e imutável. As excursões pitorescas em busca de temas adequados são exercitadas por diversos paisagistas. Girtin executa desenhos pintados segundo a tradição topográfica do século XVIII, sobretudo no início da carreira, e também aquarelas com cores fortes em amplas áreas uniformes. Em 1792, Turner realiza excursões de desenhos nas quais retrata temas pitorescos e arquitetônicos, vistas e paisagens, que já anunciam o seu interesse pela luz e pelo espaço atmosférico. A estética do pitoresco vale-se também da associação entre paisagem e ruínas, sobretudo aquelas cobertas de musgos e trepadeiras, que trazem consigo sugestões fantásticas e /ou sentimentais.

Fontes de pesquisa 4

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  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • DUROZOI, Gérard; ROUSSEL, André. Dicionário de filosofia. Tradução Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1993.
  • La nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milano: Garzanti, 1986.

Como citar

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