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Artes visuais

Academias de Arte

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.09.2018
As academias são instituições destinadas à formação de artistas. Deixando de lado as associações informais e os círculos artísticos existentes na Renascença italiana, é possível afirmar que a primeira academia de arte propriamente dita é a Academia de Desenho de Florença, criada em 1562 pelo pintor, arquiteto e biógrafo italiano Giorgio Vasari. ...

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Definição

As academias são instituições destinadas à formação de artistas. Deixando de lado as associações informais e os círculos artísticos existentes na Renascença italiana, é possível afirmar que a primeira academia de arte propriamente dita é a Academia de Desenho de Florença, criada em 1562 pelo pintor, arquiteto e biógrafo italiano Giorgio Vasari. Segue-se a Accademia di San Luca, de Roma, 1577, que após longo período de declínio é reativada pelo pintor Federico Zuccaro, em 1593. Ainda na Itália, registram-se a Academia dos Progressistas (1580), de Bolonha, obra dos pintores da família Carracci, e a Academia de Milão, fundada pelo cardeal Federico Borromeo, em 1620. O surgimento das academias coincide com a crise dos ideais renascentistas expressa no maneirismo (momento de cristalização e sistematização de determinados procedimentos artísticos - maneiras ou estilos). Marca uma mudança radical no status do artista, personificada por Michelangelo Buonarroti. Não mais artesãos das guildas e corporações, os artistas são considerados a partir de agora teóricos e intelectuais. Cabe ao papa Urbano VIII, entre 1627 e 1633, estabelecer a autoridade da academia e conferir dignidade aos artistas, superando a oposição cerrada das guildas. As academias garantem a formação científica (geometria, anatomia e perspectiva) e humanística (história e filosofia), rompendo com a visão de arte como artesanato e com a ideia de genialidade baseada no talento e inspiração individuais. Elas defendem, ao contrário, a possibilidade de ensino de todo e qualquer aspecto da criação artística por meio de regras comunicáveis. Além de conferir caráter oficial ao ensino - com aulas de desenho de observação e cópia de moldes - as academias são responsáveis pela organização de exposições, concursos, prêmios e periódicos - e conservação de patrimônio, pinacotecas e coleções, que significa o controle da atividade artística e a fixação rígida de padrões de gosto.

Inspirado nos exemplos italianos, em Paris, em 1648, um grupo de pintores persuade Luís XIV a fundar a Académie Royale de Peinture et de Sculpture [Real Academia de Pintura e Escultura]. Dirigida pelo estadista Jean-Baptiste Colbert e pelo pintor e teórico da arte Charles Le Brun, a academia francesa confere à instituição um caráter renovado. Verifica-se um estreitamento das relações entre arte e poder político - a academia é financiada pelo rei - e uma associação mais nítida entre o órgão e uma doutrina particular. Lebrun, diretor da academia em 1663, impõe sua ortodoxia estética com base no classicismo e na obra do pintor francês Nicolas Poussin atuante em Roma. A paixão pela Antiguidade - revelada nos temas mitológicos, nos motivos históricos e associada à clareza expressiva e à obediência às regras - define o estilo de Poussin, que se converte no eixo da doutrina acadêmica. Com Colbert e Lebrun, os termos belas-artes e arte acadêmica entram na ordem do dia. Presencia-se a crescente importância da França no mundo artístico europeu, apesar do prestígio de que ainda gozavam os artistas italianos, frequentemente empregados pela realeza francesa. Sem subestimar a importância de outros grandes artistas do século XVII, como Diego Velázquez, Rembrandt e Peter Paul Rubens, em 1666, Luís XIV funda a Academia Francesa em Roma, para que os franceses partilhem com os italianos o estudo das obras-primas do passado.

Na segunda metade do século XVIII, as academias se espalham pela Alemanha, Espanha, Inglaterra, conquistando  grandes e pequenas cidades. O século XVIII assiste ao período áureo das academias - filosóficas, científicas e literárias -, num momento de afirmação e difusão de uma cultura laica, enciclopédica e universal e de revolução política, quando o papel social da arte se explicita e, com ele, o apoio crescente do Estado às instituições de ensino artístico. Ainda que as críticas à academia se acentuem na França de fins do século, o que leva a sua dissolução em 1793, o período napoleônico conhece a revalorização dessas instituições artísticas - em 1816 é criada a Academia de Belas Artes - e o engajamento crescente de artistas. Jacques-Louis David, por exemplo, torna-se o pintor de Napoleão como revelam as obras criadas para glorificar os feitos do imperador (Coroação de Napoleão, 1805/1807). É nesse contexto preciso que o Brasil recebe a Missão Artística Francesa (1816) e, com ela, tem ínicio, em 1826, o ensino formal da arte no país. Nicolas Antoine Taunay, Debret, Grandjean de Montigny e outros integrantes da missão tem papel destacado na criação da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba.

Fontes de pesquisa 5

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  • BARATA, Mário. As artes plásticas de 1808 a 1889. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de (org). História Geral da Civilização Brasileira - v.2: a época colonial; tomo III: o Brasil monárquico - reações e transações. São Paulo, Difel, 1982, pp. 409-424.
  • CHASTEL, André. A arte italiana. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo, Martins Fontes, 1991, 738 p., il. p&b.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • HASKELL, Francis. Mecenas e pintores: arte e sociedade na Itália barroca. Tradução Luiz Roberto Mendes Gonçalves; apresentação J. F. Haskell. São Paulo: Edusp, 1997. 720 p.
  • La nuova enciclopedia dell'arte Garzanti. Milano: Garzanti, 1986.

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