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Enciclopédia Itaú Cultural

Arte Holográfica

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.08.2018
Em 1948, o físico Dennis Gabor (1900-1979) descobre acidentalmente um novo princípio óptico baseado nas interferência entre ondas luminosas: a holografia. Essa técnica inovadora de captação e impressão fotográfica possibilita a reprodução da tridimensionalidade e da posição do objeto no espaço em relação ao raio de luz incidente sobre ele e, ain...

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Em 1948, o físico Dennis Gabor (1900-1979) descobre acidentalmente um novo princípio óptico baseado nas interferência entre ondas luminosas: a holografia. Essa técnica inovadora de captação e impressão fotográfica possibilita a reprodução da tridimensionalidade e da posição do objeto no espaço em relação ao raio de luz incidente sobre ele e, ainda, a visualização dessa paralaxe em uma superfície bidimensional que oferece diferentes espectros de cores e perspectivas conforme a posição do espectador.

No entanto, foi somente com o desenvolvimento do raio laser na década de 1960 que o holograma óptico pôde de fato se desenvolver de forma a registrar objetos em três dimensões, já que as pesquisas iniciais de Gabor na década de 1940, que buscavam métodos de visualização microscópica de elétrons através do raio-X, nunca puderam ser finalizadas. Foi partindo desses princípios que os físicos Emmett Leith (1927-2005) e Juris Upatnieks (1936) mostraram o primeiro holograma de um objeto tridimensional. A partir de então, com a incidência do raio laser sobre um objeto, passou a ser possível armazenar informações de diferentes ângulos luminosos desse registro sobre um filme especial de iodeto de prata.

O uso artístico da holografia foi apresentado em uma exposição em 1968, nos Estados Unidos, na Cranbrook Academy of Art, em Michigan. Durante a década de 1970, estúdios e escolas como a San Francisco School of Holography e o Center for the Holography Arts, em Nova York, difundiram técnicas diferentes às das aplicações industriais da técnica de gravação. É também nessa década que o Brasil recebe suas primeiras exposições de hologramas: a mostra do artista visual Dieter Jung (1941) no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) em 1975, e na 15ª Bienal Internacional de São Paulo (1979), onde foram expostos os trabalhos da artista Setsuko Ishii (1946). Em 1981, na 16ª Bienal Internacional de São Paulo, o produtor cultural e então diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP), Ivan Negro Isola (1945), organiza uma exposição coletiva de holografias de artistas internacionais.

É na década de 1980, com a maior facilidade de obtenção dos filmes de iodeto de prata específicos para a holografia e a evolução dos emissores de laser, que essa técnica passa a ser executada artesanalmente também no Brasil. O artista visual Moysés Baumstein (1931-1991) é pioneiro nessa prática em 1982, quando monta um laboratório holográfico em sua produtora cinematográfica, a VIDECOM. O artista faz gravações utilizando a técnica rainbow, um método desenvolvido pelo físico óptico Stephen Benton (1941-2003) no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, que permite finalmente os hologramas serem visíveis sob a luz branca comum, eliminando a necessidade da incidência do laser para sua visualização. A técnica rainbow, além de manter a tridimensionalidade da impressão, permite ao observador perceber uma mudança do espectro de cores quando ele se move em relação à imagem.

Após ter sucesso em difundir o uso comercial do meio no país e realizar em 1984 uma exposição individual de hologramas no MIS/SP, Moysés Baumstein passa a trabalhar, em 1985, em conjunto com o artista gráfico e professor Julio Plaza (1938-2003), os poetas Augusto de Campos (1931), Décio Pignatari (1927-2012), a pesquisadora Rozélia Medeiros (1950) e o artista multimídia e arquiteto José Wagner Garcia (1956).

Garcia é o primeiro artista brasileiro a realizar uma exposição individual de hologramas, em 1982, também no MIS/SP. Ele participa também da primeira exposição coletiva de arte holográfica brasileira, organizada por Julio Plaza e pelo pesquisador Arlindo Machado (1949) no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), sob o título Arte e Tecnologia, com obras do próprio Plaza junto a Augusto de Campos, Pignatari, Baumstein, o técnico em holografia Fernando Eugenio Catta Preta (1956) e o artista visual e poeta Eduardo Kac (1962).

Catta Preta e Kac colaboraram pela primeira vez em 1983, quando o técnico auxilia o poeta carioca a holografar o poema HOLO/OLHO. Kac é um dos artistas mais persistentes na utilização dessa arte, realizando cerca de 23 poemas no período de 1983 a 1993, produção que categorizou como “holopoesia”. Esse conjunto é reconhecido, em 1995, pelo Shearwater Foundation Holography Award, prêmio de maior prestígio no campo da arte holográfica na época.

Outra exposição de grande importância é realizada no MAC/USP, em 1987. Sob o título Idehologia, a mostra reúne criações holográficas baseadas em poemas concretos de Pignatari, Garcia, Plaza, Augusto de Campos e Baumstein. No mesmo ano, também é pode ser vista na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A década de 1990 e os anos 2000 recebem mostras pontuais, em que hologramas artísticos são exibidos em instituições paulistanas e mineiras. Em 1992, como homenagem póstuma a Moysés Baumstein, uma exposição de hologramas, filmes e vídeos é realizada durante o 9º Festival VideoBrasil, em São Paulo. Em 2007, a exposição Poesia Concreta - O Projeto Verbivocovisual ocorre no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, apresentando hologramas feitos pelos poetas daquele movimento. Em 2010, a mostra TEKHNÉ, na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo, inclui diversos hologramas em seu núcleo histórico.

Após 18 anos da morte de Baumstein, em 2009, o estúdio holográfico da Videcom encerra as atividades e doa sua estrutura para o laboratório de óptica do Departamento de Física da Matéria Condensada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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