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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Nu

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.08.2018
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Messalina, 1880
Henrique Bernardelli
Óleo sobre tela, c.i.e.
115,00 cm x 207,00 cm

As representações do nu acompanham toda a história da arte figurativa, na escultura e na pintura. Praticado já pelos egípcios, o nu alcança posição proeminente no interior da arte grega, desde as primeiras esculturas de pedra, em que os gregos reproduzem figuras de pé, marcando divisões do corpo e o desenho dos músculos, de acordo com os ensinam...

Texto

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Definição

As representações do nu acompanham toda a história da arte figurativa, na escultura e na pintura. Praticado já pelos egípcios, o nu alcança posição proeminente no interior da arte grega, desde as primeiras esculturas de pedra, em que os gregos reproduzem figuras de pé, marcando divisões do corpo e o desenho dos músculos, de acordo com os ensinamentos das artes egípcia e assíria. Em seguida, a representação do nu na Grécia trilha caminhos próprios pela ênfase na observação direta dos corpos. A rigidez das representações anteriores dá lugar às tentativas de fornecer imagens convincentes da figura humana. As esculturas de atletas permitem o aperfeiçoamento da representação do corpo humano em movimento, como mostra o Discóbolo, executado pelo escultor ateniense Myron (ativo em ca. 450 a.C.). O atleta nu é flagrado no momento em que está em vias de lançar o disco. O corpo inclinado e torcido, o braço para trás em movimento de arremesso representam com exatidão a pose de lançamento do disco. A maior liberdade de representação dos corpos nus entre os gregos traz consigo a idéia de que o "corpo é o espelho da alma", isto é de que os sentimentos e a vida interior afetam diretamente o corpo em ação. A isso se associa um ideal de beleza, de perfeição, harmonia e graça que os artistas procuram representar pela simetria e proporção das formas (Praxiteles, ativo entre ca. 375-340 a.C., Hermes com o Jovem Dionisio). Nesse sentido, os corpos nus apresentam-se como se fossem reais e, ao mesmo tempo, exemplares aperfeiçoados (Vênus de Milo, séc. I a.C.).

Descartado no período da Idade Média, o nu reaparece na arte renascentista, especialmente na Itália. O bronze Davi (ca.1430) do escultor florentino Donatello (ca.1386 - 1466) é considerado a primeira figura nua em tamanho natural feita desde a Antigüidade clássica. Herdeiro de Donatello, Michelangelo Buonarroti (1475 - 1564) realiza nus, seja em estudos de anatomia para composições maiores (por exemplo Estudo para uma das Sibilas no teto da capela Sistina) seja em esculturas em mármore, como o jovem nu de quatro metros de altura, o Davi (1501-1504), transformado em símbolo da arte florentina do período. O nu é ainda praticado no interior de obras cujo desafio é combinar a precisão do desenho com a harmonia da composição mais ampla, como no Nascimento da Vênus, de Sandro Botticelli (1444/5 - 1510). A imagem da Vênus como símbolo de graça e beleza revelada na forma nua é explorada por outros pintores do período, por exemplo a Vênus Deitada (1509), de Giorgione (1477 - 1510) e a Vênus de Urbino (1538), de Ticiano (ca.1488 - 1576). A figura feminina saindo do banho é simultaneamente grande e avantajada, e dotada de leveza pela luz que incide sobre ela. A representação da figura feminina despida com forte sensualidade encontra adeptos na Alemanha, por exemplo na obra de Lucas Cranach, o velho (1472 - 1553), que realiza várias versões da ninfas reclinadas e diversos nus eróticos, executados com base em modelos tirados da Renascença italiana. A representação do corpo humano baseada em um ideal de beleza da arte clássica é também exercitada por Albrecht Dürer (1471 - 1528), que experimenta regras de proporção e noções de harmonia em estudos com corpos nus, entre os quais a água-forte Adão e Eva (1504).

A realização de nus encontra-se ligada ao aprendizado técnico, desenhos e estudos de anatomia no interior das academias de arte, nos séculos XVI, XVII e XVIII, quando são, em geral, exercitados a partir de modelos vivos e de modelos em gesso. Na arte classicizante do século XIX, se evidencia a forte ligação com o desenho e com o padrão do "belo ideal" clássico, testado preferencialmente na escultura. Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780 - 1867) utiliza o desenho como instrumento fundamental na execução da tela, como em A Banhista de Valpinçon (1808). A integridade do corpo nu da mulher sentada vista de costas, é recuperada pelos contornos marcados, pelas linhas, luz e cor, assim como pela integração das formas da figura com as dobras e movimento dos lençóis, cortina, turbante etc. A forma ideal de Ingres, mostra este quadro e também sua Odalisca (1814) - criticada por ter uma vértebra a mais -, contempla imperfeições anatômicas, na medida em que corresponde ao modo como o artista vê o corpo. A ênfase de Ingres na visão tem impacto na pintura posterior: nos vários nus de Pierre Auguste Renoir (1841 - 1919), nas banhistas de Edgar Degas (1834 - 1917) e nas de Paul Cézanne (1839 - 1906). Olympia (1865) de Éduard Manet (1832 - 1883) está entre os mais célebres nus da arte moderna. Retoma a pose e os adereços das Vênus anteriores e, ao mesmo tempo, rompe com a tradição de nus, pela ausência de modelagem, pela gargantilha preta - que quebra o acabamento contínuo e suave das pinturas de nus -, pela evidência das pinceladas, pelo contraste de cores. A dicção realista de Gustave Courbet (1819 - 1877) rebate no corpo nu de A Fonte (1868) e adquire tom quase pornográfico em A Origem do Mundo (1866), centrado no órgão sexual feminino. Inúmeros artistas realizam nus no interior da arte moderna dos séculos XIX e XX. Lembremos, entre muitos outros, Nu no Ateliê (1898), de Henri Matisse (1869 - 1954), Puberdade (1895), de Edvard Munch (1863 - 1944), A Toalete da Manhã (1914), de Pierre Bonnard (1867 - 1947), Nu Deitado (1917), de Amedeo Modigliani (1884 - 1920). Nus ainda fazem parte do repertório da produção figurativa do período entreguerras, ocupando lugar de destaque na obra de pintores como Pablo Picasso (1881 - 1973). Não seria exagerado afirmar que o nu constitui um tópico central na produção de Picasso, nos óleos e desenhos eróticos que realiza.

A arte brasileira do século XIX está repleta de nus, no entanto essas representações do corpo feminino tem significações divergentes, enquanto Moema (1866), de Victor Meirelles (1832 - 1903) e A Carioca (1882), de Pedro Américo (1843 - 1905), são alegorias da nação brasileira, Nu de Costas (s.d.) e Estudo de Mulher (1884), ambas de Rodolfo Amoedo (1857 - 1941) e No Verão (1894), de Eliseu Visconti (1866 - 1944) tem um sentido mais realista. O desenho conhece nus de Carlos Leão (1906 - 1983), Ismael Nery (1900 - 1934), Clóvis Graciano (1907 - 1988), Flávio de Carvalho (1899 - 1973), etc. Victor Brecheret (1894 - 1955) esculpe diversas figuras femininas nuas, entre as quais A Bailarina (déc. 1920).

Obras 6

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Reprodução fotográfica César Barreto

A Carioca

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Estudo

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Messalina

Óleo sobre tela
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Moema

Óleo sobre tela

Fontes de pesquisa 6

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  • ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • CHASTEL, André. A arte italiana. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1991, 738 pp.il. p&b.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • DICIONÁRIO da Pintura Moderna. Tradução Jacy Monteiro. São Paulo: Hemus, 1981. 380 p., il. p.b.
  • FRASCINA, Francis, BLAKE, Nigel, FER, Briony. Modernidade e modernismo: a pintura francesa no século XIX. Tradução Tomás Rosa Bueno. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. 345 p., il. p&b., color. (Arte Moderna : práticas e debates, 1).
  • GOMBRICH, E. H. A história da arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Guanabara, 1993, 543 pp. il. p&b.color.

Como citar

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