Artigo da seção termos e conceitos Macchiaioli

Macchiaioli

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais  

Definição

O termo faz referência a um grupo de pintores italianos que se reúne em Florença, mais precisamente no Café Michelangelo, entre 1855 e 1867. Contra as convenções acadêmicas, defendem um novo estilo pictórico que se caracteriza pelo uso de manchas (macchie) de cor, com objetivo de transmitir uma "impressão de verdade", como quer Giovanni Fattori (1825 - 1908). Os sentidos pejorativos que alguns críticos atribuem ao termo (Gazeta do Povo, 1862) - como se ele designasse uma pintura em fase de esboço preliminar, sem contornos definidos - logo são descartados e dão lugar a uma acepção positiva, defendida sobretudo por Telemaco Signorini (1835 - 1901), como proposta de um novo grupo e nova concepção de pintura. O rompimento com o claro/escuro tradicional, a simplificação da paisagem e os fortes efeitos de luz, obtidos pelos jogos de cor e sombra, são as principais inovações formais dos macchiaioli. Do ponto de vista do conteúdo representado, o grupo coloca em segundo plano as temáticas religiosa e histórica, concedendo privilégio às paisagens e, em menor escala, às cenas de gênero e aos retratos. As marcas da pintura francesa - sobretudo do impressionismo e da Escola de Barbizon - são incontestáveis, ainda que as conotações literárias e a manutenção da solidez das formas (a despeito dos efeitos de luz) afastem o grupo italiano das correntes francesas. O realismo de Corot (1796 - 1875) é outra forte influência para os pintores italianos.

O movimento dissemina-se por toda a Itália, recrutando artistas de diversas regiões do país, em contexto em que a arte figurativa de tom realista adquire proeminência, como na Exposição Nacional de 1861. Giovanni Boldini (1842 - 1931) é um dos expoentes do grupo e se destaca pelos retratos Retrato da Senhora Charles Max, 1896, e pelas cenas de ruas de Paris  Noturno em Montmartre, 1883, realizadas quando de sua estada na capital francesa, onde entra em contato com as obras de Gustave Courbet (1819 - 1877) e Éduard Manet (1832 - 1883). Os cenários sóbrios de Fattori - caracterizados por nítidos contrastes de luz e sombra e pela solidez das formas - constituem outro exemplo importante da pintura dos macchiaioli O Círculo de Palmieri, 1866 e  Artilharia em Manobra, 1890 - 1900. As marcas da pintura de Edgar Degas (1834 - 1917) se fazem presentes na obra de Signorini como A Toalete Matinal, em 1898, autor de diversos escritos em defesa dos macchiaioli por exemplo, Caricaturistas e Caricaturados do Café Michelangelo, 1893 e fundador, com Diogo Martelli (1838 - 1896), da Gazeta de Arte e Desenho, em 1867. Os temas sociais abordados em Cárceres,  1896, e as paisagens luminosas vista em Novembro, de 1870,  são tópicos importantes da obra de Signorini, que também se notabiliza pelas águas-fortes.

Giuseppe de Nittis (1846-1884) se associa aos macchiaioli no início da carreira. A viagem a Paris, em 1868, leva-o a aproximar-se do impressionismo, da pintura ao ar livre e de temas relacionados à vida moderna (por exemplo, o célebre Estrada de Brindisi a Barletta, exposto em 1873. As paisagens com pontes constituem marcas registradas de seu trabalho, e um dos elementos com base em que os críticos registram seu interesse pela arte japonesa. Giovanni Costa (1826 - 1903) - Mulher na Praia de Anzio, 1852 -, Serafino de Tivoli (1826 - 1892) - A Antiga Pescaria em Bougival, 1864 - e Silvestro Lega (1826 - 1895) - A Pérgula, 1868 - são outros integrantes dos macchiaioli. A obra de Serafino Domenico Morelli (1823 - 1901), repleta de temas literários, simbólicos e religiosos - A Tentação de Santo Antão, 1878, e os quadros históricos de Francesco Saverio Altamura (1826 - 1897) - Triunfo de Mario sobre Cimbri, 1861 - indicam a diversidade de artistas reunidos no grupo.

Os macchiaioli não têm grande êxito crítico. Apesar disso, são considerados o fenômeno artístico mais importante da pintura italiana do XIX. No Brasil, parece difícil localizar influências específicas desse conjunto de pintores italianos, sua presença ainda deve ser estudada.

Fontes de pesquisa (3)

  • CHASTEL, André. A arte italiana. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1991, 738 p., il. p&b.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • LA NUOVA ENCICLOPEDIA DELL'ARTE GARZANTI. Milão: Garzanti Editore, 1986. 1112 p. il. p&b, color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MACCHIAIOLI . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3188/macchiaioli>. Acesso em: 12 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7