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Design

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.02.2015
O design - do latim de + signare, e este de signum, "sinal", "símbolo", e em inglês, "projeto" e/ou "esboço" - deve ser pensado em relação às artes aplicadas, isto é, nas diferentes modalidades da produção artística que se orientam para o mundo cotidiano, pela criação de objetos de uso corrente, e englobam parte da arquitetura, das artes decorat...

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Definição
O design - do latim de + signare, e este de signum, "sinal", "símbolo", e em inglês, "projeto" e/ou "esboço" - deve ser pensado em relação às artes aplicadas, isto é, nas diferentes modalidades da produção artística que se orientam para o mundo cotidiano, pela criação de objetos de uso corrente, e englobam parte da arquitetura, das artes decorativas, das artes gráficas etc. Ele se beneficia de diversas artes, dialogando com elas para a criação de modelos e protótipos que estão na origem de ampla gama de produtos artísticos voltados para a vida comum: pôster, embalagem, capa de livros e revistas, moda, mobiliário, objetos utilitários, desenho industrial e outros. E se insere no seio da sociedade industrial, fruto da íntima articulação instaurada entre arte, indústria e mercado. As raízes da arte do design podem ser encontradas nas corporações de ofícios que predominam como locus privilegiado da produção e da formação artísticas até pelo menos o século XVI, na criação das academias de arte, e da separação entre belas-artes e artesanato.

A oposição entre arte e artesanato instaurada pela arte renascentista - para a qual o artista é um intelectual, munido de formação científica e humanística - é contestada em diversos momentos pela arte moderna. Na segunda metade do século XIX, na Inglaterra, por exemplo, teóricos e artistas reunidos no arts and crafts, com a liderança de John Ruskin e William Morris, reafirmam a importância do trabalho artesanal diante da mecanização industrial e da produção em massa. Esse movimento lança-se à recriação das artes manuais em plena era industrial, produzindo tecidos tingidos e estampados à mão, móveis, livros etc. Os padrões de Morris para papéis de parede são bastante conhecidos e ainda hoje comercializados.

O movimento de artes e ofícios está nas origens do art nouveau europeu e norte-americano, que se desenvolve entre 1890 e 1918, ao matizar as fronteiras entre arte e artesanato pela valorização dos ofícios e trabalhos manuais, embora as filosofias dos movimentos sejam distintas. Menos que uma atitude de recusa à indústria, a produção art nouveau coloca-se no seu interior, valendo-se dos novos materiais do mundo moderno - ferro, vidro e cimento - assim como da racionalidade das ciências e da engenharia. Trata-se de integrar arte, lógica industrial e sociedade de massas, desafiando alguns princípios básicos da produção em série, por exemplo, o emprego de materiais baratos e o design inferior. Como indicam a arquitetura, o mobiliário, os objetos e as ilustrações realizados sob o signo da arte nova - as cerâmicas e os objetos de vidro de Émile Gallé, os interiores de Louis Comfort Tiffany, as pinturas, vitrais e painéis de Jan Toorop etc. -, o estilo visa revalorizar a beleza, colocando-a ao alcance de todos. A ligação estreita entre arte e indústria, função e forma, utilidade e ornamento parece ser o objetivo primeiro dos artistas e designers do novo estilo, que acompanha de perto os rastros da industrialização e o fortalecimento da burguesia.

A associação entre arte, artesanato e indústria está no cerne da experiência da Bauhaus, fundada, em Weimar, Alemanha, em 1919. Ao ideal do artista-artesão, defendido por Walter Gropius desde a criação da escola, soma-se a defesa da complementaridade das diferentes artes sob a égide do design e da arquitetura. O espírito que orienta o programa da escola está fundamentado na idéia de que o aprendizado e o objetivo da arte liga-se ao fazer artístico, o que evoca uma herança medieval de reintegração das artes e ofícios. Com a mudança da escola para Dessau, em 1925, a relação entre arte e indústria se fortalece, e consolidam-se as marcas características do "estilo bauhaus" expressas na série de objetos realizados - mobiliário, tapeçaria, luminárias etc. - como as cadeiras e mesas de aço cromado criadas por Marcel Breuer e Ludwig Mies van der Rohe, e produzidas em larga escala pela Standard Möbel, de Berlim e pela Thonet - por exemplo, o jogo de mesas que se encaixam, ca.1925-1930, de Breuer para a Thonet e Standard Möbel; e a cadeira Lounge, 1928/1929 e mesa da década de 1930, também de Breuer para a Thonet.

No campo dos trabalhos gráficos e do design de livros, destacam-se os projetos de Lázló Moholy-Nagy. Os vitrais, a tipografia, o projeto de móveis e utilitários de Joseph Albers constituem outro exemplo importante do desenvolvimento do design no interior da Bauhaus. Com o fechamento definitivo da escola, por determinação dos nazistas, em 1933, boa parte dos artistas se dirige aos Estados Unidos - Gropius, Moholy-Nagy, Breuer, Mies van der Rohe e outros -, surge a "Nova Bauhaus", em Chicago, 1937-1938, e o Architect's Collaborative - TAC, escritório de arquitetura criado por Gropius em 1945, responsável por pesquisas de ponta no campo do design contemporâneo.

A década de 1950 no Brasil traz um diálogo intensificado entre arte, técnica e indústria, sustentado principalmente pela vanguarda concreta. O nome de Geraldo de Barros se destaca no grupo concreto paulista pela sua proximidade com o desenho industrial e com a criação visual, sobretudo a partir de 1954, quando funda a cooperativa Unilabor e a Hobjeto, dedicadas à produção de móveis. A Forminform, também criada por ele, destina-se à criação de marcas e logotipos. Outro pioneiro na área é Alexandre Wollner, autor de inúmeros projetos no setor do "design visual" para empresas brasileiras: sistemas de sinalização, cartazes, embalagens etc. Wollner participa da criação da Escola Superior de Desenho Industrial - Esdi, em 1963, no Rio de Janeiro, que tem papel destacado na formação de novas gerações de designers. O nome de Joaquim Tenreiro figura como o "pai" do mobiliário moderno no país, que é o autor, por exemplo, da cadeira Embalo, 1947, produzida desde 1992 pela Probjeto. Ainda no campo do mobiliário, destacam-se as soluções originais de Lina Bo Bardi - entre elas a poltrona Bowl, 1951 - e, contemporaneamente, as diversas criações de Humberto Campana e Fernando Campana, conhecidos como irmãos Campana, entre elas as luminárias - Luminária Estela, 1997 - e móveis, como a coleção de cadeiras de cordas de algodão, 1998, Aloísio Magalhães merece destaque no campo do design brasileiro como o autor do desenho das cédulas do cruzeiro novo entre outras inúmeras criações.

Fontes de pesquisa 6

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  • CARMEL-ARTHUR, Judith. Bauhaus. Tradução Luciano Machado. São Paulo: Cosac & Naif, 2001, 80 pp. il. p&b. color.
  • CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • ENCYCLOPEDIE VISUELLE DES ARTS DÉCORATIFS, 1890-1940. Préface de Maurice Rheims. Paris/ Bruxelles: Bordas, 1981, 320 pp. il. p&b. color.
  • LAMPUGANI, Vittorio Magnano (ed.). Dictionary of 20th Century Architeture. London: Thames and Hudson,1988, 384 p. il. p&b.
  • LENNING, Henry F. The Art Nouveau. The Hague: Netherlands, 1951, 143 pp. il.p&b.
  • MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90: 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.

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