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Cinema

Cinema de animação

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.06.2022
Cinema de animação é a arte de criar a ilusão de movimento de imagens e objetos inanimados por meio de técnicas variadas, que vão do sequenciamento de desenhos para criar o efeito de continuidade (animação tradicional) à produção e processamento de imagens por computação gráfica (animação digital).

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Cinema de animação é a arte de criar a ilusão de movimento de imagens e objetos inanimados por meio de técnicas variadas, que vão do sequenciamento de desenhos para criar o efeito de continuidade (animação tradicional) à produção e processamento de imagens por computação gráfica (animação digital).

A charge animada O Kaiser (1917), de Álvaro Marins (1891-1949) é considerado o primeiro filme de animação brasileiro. Seus negativos, entretanto, se perderam. O primeiro curta-metragem preservado é Macaco feio, macaco bonito (1929), de Luis Seel (1881-1958) e João Stamato (1886-1951). Esses curtas pioneiros são exceções de uma época em que as telas brasileiras eram dominadas por títulos estadunidenses. Em 1953, estreia o primeiro longa de animação nacional: Sinfonia amazônica, uma viagem por lendas da Amazônia, realizado à mão, a partir de quinhentos mil desenhos produzidos ao longo de seis anos de trabalho pelos irmãos Anélio Latini Filho (1926-1986) e Mário Latini (1924).

De 1960 a 1990, a criação de um festival, de núcleos de pesquisa, produção e divulgação e da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes) dá impulso a esse tipo de produção. Presente de Natal (1971), de Álvaro Henrique Gonçalves, e Piconzé (1972), de Ypê Nakashima (1926-1974), são os primeiros longas-metragens coloridos de animação a chegar aos cinemas, ambos retratando figuras do folclore brasileiro. Cada filme consume seis anos de produção. O curta Meow (1981), de Marcos Magalhães (1958), sobre um gato que, forçado a beber refrigerante em vez de leite, começa a miar em inglês, é premiado em Cannes.

No ano seguinte, Mauricio de Sousa (1935) abre seu estúdio e lança o primeiro dos cinco bem-sucedidos filmes que produz na década, As aventuras da Turma da Mônica (1982), inspirado na tendência das animações de Hollywood, voltadas para o público infantil. Em 1985, estreia o primeiro longa produzido fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo: Boi Aruá, do baiano Francisco Liberato (1936), realizado com 25 mil desenhos sobre papel, cuja estética se inspira na literatura de cordel.

A extinção da Embrafilme, em 1990, paralisa a produção cinematográfica. Mas a criação do Festival Anima Mundi, em 1993, abre novo espaço de exibição e intercâmbio. Da época, destacam-se os independentes Rocky e Hudson (1994), de Otto Guerra (1957), sobre as aventuras de um casal gay de cowboys, e Cassiopeia (1995), de Clóvis Vieira (1953), primeiro filme de animação produzido digitalmente no país.

A produção brasileira do século XX é marcada por dificuldades de acesso a recursos e falta de incentivos. Boa parte da força criativa é absorvida pela publicidade televisiva. Nos anos 2000, que começam com a fundação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), a produção se intensifica e diversifica. A popularização da internet torna os projetos mais viáveis.

Uma jovem indústria começa a se constituir. É nesse período que a animação começa a desenvolver o perfil de indústria cultural no Brasil. A turma da Mônica segue em alta, mas títulos menos comerciais ganham espaço. É o caso de O grilo feliz (2001), de Walbercy Ribas (1959), sobre um grilo que precisa resgatar a musa sequestrada por um terrível lagarto; e Wood & Stock (2006), de Otto Guerra, sobre as memórias dos "coroas" que adoram fumar cigarro de orégano enquanto relembram os tempos de jovens hippies.

A Lei da TV Paga (2011), que impõe cota de exibição de produções nacionais, aumenta a demanda por animações e impulsiona a profissionalização. Em 2012, Paolo Conti (1977) e Arthur Nunes (1975) lançam Minhocas, primeiro longa brasileiro em stop-motion, que simula movimento com fotos sequenciais de um mesmo objeto. A disputa de três minhocas contra o tatu-bola que quer dominar o mundo consome cinco anos de produção.

No ano seguinte, o Festival de Annecy, na França, maior evento de animação do mundo, dá o prêmio de melhor filme a História de Amor e Fúria (2013), de Luiz Bolognesi (1966), uma trama para o público jovem e adulto, que trata da história nacional e dialoga com o universo dos quadrinhos de ação. Na mesma época, Rio (2011) e Rio 2 (2014) entram para a lista das 100 animações de maior bilheteria da história. Os longas do brasileiro Carlos Saldanha (1965), que retratam a beleza do Rio de Janeiro e do Brasil, são produzidos em Hollywood, pelos estúdios da Fox.

Em 2016, O menino e o mundo, de Alê Abreu (1971), produção 100% nacional, é indicado ao Oscar de Melhor Animação narrando a jornada de uma criança em busca do pai. Segundo o crítico Luciano Trigo, a linguagem simples, com poucos diálogos, e a cadência tranquila indicam haver espaço para narrativas menos aceleradas e dependentes de efeitos especiais. Em 2018, estreia Peixonauta, o filme, de Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Rodrigo Eba, longa em 3D derivado de uma série televisiva exportada para mais de noventa países. Os indícios de reconfiguração de uma indústria de animação são pereceptíveis: de 2000 a 2020, são realizados quarenta longas no país.

Apesar da inconstância do estímulo à produção e do restrito circuito de exibição, o empreendedorismo e a força criativa de artistas e produtores levaram o cinema de animação brasileiro a ganhar corpo e se destacar no cenário internacional, com pluralidade de estilos e temas que refletem a diversidade cultural do país.

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