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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Arquitetura Moderna

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.08.2022
Reprodução fotográfica Autoria desconhecida/Acervo da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP)

Cine Universo, 1939
Rino Levi

Arquitetura Moderna é o nome dado a um conjunto de valores estéticos e estruturais que se aplica a grande parte das escolas arquitetônicas atuantes no contexto mundial durante o século XX. Suas características, como a predileção por formas geométricas sem ornamentos, quebram paradigmas em relação ao modo anterior de projetar e insere-se no movim...

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Arquitetura Moderna é o nome dado a um conjunto de valores estéticos e estruturais que se aplica a grande parte das escolas arquitetônicas atuantes no contexto mundial durante o século XX. Suas características, como a predileção por formas geométricas sem ornamentos, quebram paradigmas em relação ao modo anterior de projetar e insere-se no movimento cultural do modernismo. 

Como toda grande transformação histórica, o surgimento do modernismo dentro da arquitetura não tem uma data específica, como aponta o arquiteto Leonardo Benévolo (1923-2017), mas é possível notar um afunilamento de ideias dentro da arquitetura internacional durante as décadas de 1920 e 19301. Estas mudanças devem-se, em grande parte, às rupturas econômicas, sociais e tecnológicas advindas da Revolução Industrial europeia. A partir desse momento, por exemplo, materiais como o aço e o concreto podem ser amplamente aplicados nas construções devido às novas técnicas disponibilizadas pela automatização das linhas de produção.

No Brasil, os conceitos modernistas são difundidos na Semana de Arte Moderna de 1922 e posteriormente - entre as décadas de 1930 e 1960 - por meio dos manifestos dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAMs). Organizado por arquitetos modernistas no território europeu, os CIAMs definem e divulgam as diretrizes para a arquitetura moderna como a funcionalidade das formas dos edifícios e a padronização de materiais para otimizar os recursos.

A princípio, há certa dificuldade para o desenvolvimento de uma arquitetura moderna no Brasil devido à falta de mão de obra especializada, ao alto custo e à legislação urbanística. À época, o país encontra-se no estágio inicial de sua industrialização, diferentemente dos países europeus. Mesmo assim, o modernismo arquitetônico encontra no território brasileiro um campo fértil para explorar seus conceitos, adaptando-se ao quadro cultural presente. 

A arquitetura moderna brasileira é influenciada por arquitetos estrangeiros desde a sua origem, a exemplo do russo Gregori Warchavchik (1896-1972), que projeta a Casa Modernista (1927): primeira casa de estilo modernista construída em São Paulo. O arquiteto suíço Le Corbusier (1887-1965), por sua vez, também exerce um papel determinante neste cenário ao vir ao Brasil em 1929 e participar ativamente na proposta de projetos de edifícios e planos urbanísticos, a exemplo do projeto do Ministério de Educação e Saúde (MES), construído de 1936 a 1943 no Rio de Janeiro. 

O MES é considerado um dos edifícios fundadores do modernismo no país. Seu projeto é desenhado por uma equipe formada pelos arquitetos brasileiros Lúcio Costa (1902-1998), Carlos Leão (1906-1983), Affonso Eduardo Reidy (1906-1964), Jorge Moreira (1904-1992), Ernani Vasconcelos (1912-1989) e Oscar Niemeyer (1907-2012). Sob orientação direta de Le Corbusier, aplicam neste projeto os cinco pontos corbusianos para uma arquitetura moderna: pilares estruturais (pilotis), terraço jardim, planta livre, janela em fita (janelas horizontais contínuas) e fachada livre. Simultaneamente, recuperam elementos históricos da arquitetura brasileira como o painel de azulejos, comum em construções coloniais. É um projeto icônico que exemplifica o estilo próprio da arquitetura moderna brasileira e da Escola Carioca, mais especificamente. 

Em 1943, inaugura-se a exposição Brazil Builds: Architecture New and Old 1652-1942 no Museum of Modern Art (MoMA) [Museu de Arte Moderna], em Nova York. O evento e seu catálogo de mesmo nome constituem importante marco no reconhecimento da arquitetura brasileira em âmbito internacional. É a partir deste momento que inicia-se uma compilação mais aprofundada da historiografia da arquitetura nacional e sua consequente revisão.

Outro fator de destaque no reconhecimento da arquitetura nacional é a inauguração de Brasília em 1960. Oscar Niemeyer e Lúcio Costa idealizam o projeto do plano piloto durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976). Assim, Brasília consagra-se como uma experiência pioneira na arquitetura moderna mundial ao ser a primeira cidade projetada e construída inteiramente através dos preceitos modernistas. 

Data da mesma época, o projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo FAU/USP (1961). Desenhado por Artigas e Carlos Cascaldi, configura-se como o projeto mais emblemático dentro da Escola Paulista por seus seus amplos espaços física e visualmente interconectados, as aberturas zenitais, sua estrutura de concreto aparente, os grandes vãos e a falta de portas de entrada - que permite o acesso por todos, quase um manifesto modernista dos ideais pedagógicos propostos por Artigas. 

A partir da segunda metade do século XX, a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1941-1992) assume certo protagonismo no cenário arquitetônico. À época, já inserida na segunda geração de arquitetos modernos brasileiros. É neste período que são construídos o Museu de Arte Moderna de São Paulo (1968) e o Sesc Pompeia (1982), em São Paulo. Nos seus projetos nota-se também um estilo próprio como a valorização da arquitetura vernacular ou a ruptura com os programas convencionais como é o caso do Teatro Oficina (1958), cujo palco constitui numa passarela entre as plateias.  

Pode-se dizer que a arquitetura moderna instaura uma verdadeira revolução nos moldes projetistas ao redor do mundo. O Brasil insere-se nesse contexto por meio de uma arquitetura moderna única e, ao mesmo tempo, multifacetada: com diversos agentes que propõem a adaptação dos valores modernistas sem abandonar a identidade e cultura nacionais.

Notas

1. BENEVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. São Paulo: Perspectiva, 2001. 3 v.

Obras 5

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Reprodução fotográfica Autoria desconhecida/Acervo da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP)

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