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Literatura

Slam

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.03.2022
O slam é uma batalha de poesia na qual cada competidor tem a oportunidade de declamar até três de seus trabalhos autorais para uma audiência que julga sua performance com base em ritmo, rimas, construção, sentido e significado dos versos, entre outros critérios. No Brasil, o slam é assimilado por poetas que estão à margem dos circuitos literário...

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O slam é uma batalha de poesia na qual cada competidor tem a oportunidade de declamar até três de seus trabalhos autorais para uma audiência que julga sua performance com base em ritmo, rimas, construção, sentido e significado dos versos, entre outros critérios. No Brasil, o slam é assimilado por poetas que estão à margem dos circuitos literários dominantes e se mostra um importante espaço de criação, troca e reivindicação para a população negra, feminina, LGBTQI+ e surdos.

O gênero surge nos Estados Unidos em 1986, quando o estadunidense Marc Kelly Smith (1949), operário da construção civil e poeta, organiza o Uptown Poetry Slam, primeiro evento do gênero, em um bar na cidade de Chicago. As regras criadas por Smith para os eventos persistem ainda hoje: cada poeta deve apresentar uma poesia autoral de até três minutos, decorada ou lida; não são permitidos acompanhamentos musicais, figurinos ou cenário. Os jurados, escolhidos aleatoriamente na plateia, são responsáveis por atribuir notas de zero a dez para os competidores. Aqueles que alcançarem as maiores notas avançam para a próxima fase até chegarem à final que decide o vencedor. Semelhantes aos saraus, como organização de evento coletivo voltado para a declamação de poesia, os slams, entretanto, diferem na dinâmica competitiva, cujo o intuito é atrair a atenção de poetas e público. Além disso, o slam exige que os competidores performem trabalhos autorais, o que incentiva novos poetas, em geral à margem dos circuitos literários dominantes, a apresentarem suas próprias composições.

A responsável pela organização do primeiro slam no Brasil é a poeta Roberta Estrela D’Alva (1978). Em 2007, ela viaja aos Estados Unidos e presencia em Nova York um slam pela primeira vez. Em 2008, notando a ausência desse tipo de evento no Brasil, realiza o primeiro slam no país, reproduzindo as regras criadas por Smith: o slam ZAP! (Zona Autônoma da Palavra), na então sede do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos Teatro Hip-Hop em São Paulo. Em 2012, surge o segundo evento, o Slam da Guilhermina, organizado por Emerson Alcalde, na estação de metro Guilhermina-Esperança, na capital paulsita. O Slam da Guilhermina é o primeiro a ser realizado na rua, o que atribui aos slams um sentido próximo aos das batalhas de rap, como acontecimentos que são, há um só tempo, eventos de lazer, espaço de troca, intervenção no espaço público, produção e divulgação artística, reflexão sobre si, a cidade e o mundo, cura e ação política.

O Brasil participa do Campeonato Mundial de Slam, realizado anualmente em Paris, desde 2011, ano em que Roberta Estrela D’Alva alcança o terceiro lugar. Em 2014, Emerson Alcalde se torna o vice-campeão do mundial. Em 2014, Estrela D’Alva organiza o primeiro Slam BR – Campeonato Nacional de Poesia Falada, no qual competem os vencedores dos campeonatos estaduais, e o vencedor tem garantida uma vaga no mundial na França. 

Entendido pelos praticantes também como um esporte, o slam devolve o aspecto oral, público e coletivo da poesia, ampliando seu sentido para além do livro e desestabilizando a concepção elitista de literatura. Frequentado e produzido principalmente por poetas periféricos, é ainda ferramenta para que vivências diversas e marginalizadas possam se expressar a partir de sua própria linguagem poética. O desejo de abrir caminho para corpos e vozes invisibilizados e silenciados cotidianamente reverbera também de maneira interna no movimento, produzindo a insurgência de diversos slams dedicados a públicos específicos. É o caso do Slam das Minas, que começa em Brasília em 2015 e hoje é realizado em diversos estados brasileiros. Nele batalham mulheres cis e trans e homens trans. O Slam Marginália, criado em São Paulo, em

2018, por sua vez, promove a batalha entre pessoas transsexuais. E no Slam do Corpo, participam duplas de ouvintes e surdos, que produzem poesia a partir do encontro desses dois mundos, na qual a palavra não é apenas som, mas também corpo. 

Em função dos temas que são trazidos pelos autores, o slam pode ser entendido ainda como uma ágora, na qual a poesia estimula o debate de questões de classe, gênero e raça. O potencial comunicacional amplo e diverso do slam permite que seja utilizado também como ferramenta pedagógica, além de incentivar a leitura e a escrita. Pensando nisso, Emerson Alcalde realiza em 2015 o primeiro Campeonato Interescolar de Slams em São Paulo, no qual participam alunos de escolas públicas e particulares. 

O slam é uma importante manifestação popular na qual pessoas que se veem à margem dos circuitos universitários, literários e intelectuais reinvindicam seu lugar na literatura e na sociedade. A dinâmica do jogo e da competição, além de instigar novos poetas a produzir e divulgar seu trabalho, potencializa ainda o aspecto oral, coletivo e público da poesia. 

Desde seu ínicio no Brasil, em 2008, o slam tem se multiplicado em diversas comunidades no país, divulgando o trabalho de artistas que lutam por ainda mais diversidade na arte e representatividade na sociedade e cujas narrativas são pouco vistas pelos circuitos literários tradicionais.

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