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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Bumba meu boi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.10.2022
Bumba meu boi é uma celebração da cultura popular presente particularmente nas regiões Norte e Nordeste. Apresenta elementos diversos, tanto expressivos quanto materiais, com destaque para a dança dramática, as encenações, as performances musicais, a poesia e o artesanato do boi, da indumentária e dos instrumentos musicais. A festa se articula e...

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Bumba meu boi é uma celebração da cultura popular presente particularmente nas regiões Norte e Nordeste. Apresenta elementos diversos, tanto expressivos quanto materiais, com destaque para a dança dramática, as encenações, as performances musicais, a poesia e o artesanato do boi, da indumentária e dos instrumentos musicais. A festa se articula em torno da representação do boi e inclui também a devoção aos santos do catolicismo popular, aos voduns, aos orixás e aos encantados.

O ciclo festivo do bumba meu boi se estende por quase todo o ano: inicia-se com os ensaios, seguidos do batismo, das apresentações públicas e da morte do boi. A despeito da variação nos distintos contextos em que a celebração ocorre, o bumba meu boi apresenta alguns enredos comuns, que são encenados na dança e se fixam na memória e nas performances dos brincantes. Uma das versões mais conhecidas narra a história do casal de escravos Mãe Catarina e Pai Francisco. A pedido da companheira, o escravo mata o boi preferido de um fazendeiro. Depois de uma série de episódios, um pajé consegue ressuscitar o boi.

O bumba meu boi está ligado à cultura do gado e às condições sociais, econômicas, culturais e ambientais no contexto da expansão pecuária no Brasil por meio da mão de obra escrava e do avanço violento de pastos pelos territórios dos povos originários. Há uma vasta documentação a respeito da repressão sofrida pelos grupos de brincantes, tanto na imprensa quanto nos boletins policiais. Esses registros declaram, nas entrelinhas, que, como no caso de diversas outras festas da cultura popular, o bumba meu boi é uma expressão da resistência afro-indígena à colonização e, nesse caso em particular, à expansão da pecuária.

No Maranhão, o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi é reconhecido como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2011 e patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) desde 2019. No caso maranhense, há uma classificação da diversidade dos grupos em torno de cinco sotaques. Sotaques são estilos de grupos oriundos de diferentes regiões que, no processo migratório do campo para a cidade, concentraram-se na cidade de São Luiz. Esses grupos passaram a seguir o calendário da festa da cidade, mas sem perderem suas características regionais. No entanto, há outros sotaques maranhenses e de estados vizinhos que não são contemplados por essa classificação.

Entre os elementos considerados para se comparar e se distinguir os sotaques, estão o tipo de toque e os instrumentos musicais. No Piauí, é comum o uso dos seguintes instrumentos: pandeirão, tambor cilíndrico de madeira de jenipapo coberto com pele de bode ou de cabra; maracá ou chiadeira, de zinco, tocado por mulheres que representam as índias dos blocos; tambor-onça, tambor de fricção cilíndrico, consideravelmente mais longo que o pandeirão, coberto com couro de boi e internamente vinculado a uma vareta friccionada por um pedaço de pano untado por azeite ou água. Outros instrumentos que compõem os bois de diferentes contextos são: ganzás, chocalhos, matracas, zabumbas, apitos, tambor de fogo, pandeirinhos e tamborins. A maior parte desses instrumentos, sobretudo os tambores, são construídos tradicionalmente com diferentes tipos de madeira e de couro de boi.

O boi é a figura central do festejo. A confecção do boneco utiliza carcaça do crânio do boi, que é anexada ao corpo feito de materiais diversos, como olhos de vidro e materiais brilhantes, como lantejoulas, miçangas, canutilhos e espelhos. O brincante que ergue o boi é chamado de miolo, alma ou espírito. Ele encarna o boi e o faz dançar entre os espectadores e as demais personagens, como o pajé, Pai Francisco, Mateus, Catarina e muitos outros que variam consideravelmente pelas diferentes regiões que celebram esse festejo.

É comum que os brincantes do bumba meu boi estejam conectados aos santos do catolicismo popular, frequentemente em relação sincrética com voduns e orixás, e aos encantados, por meio de promessas. O termo "brincadeira", como os praticantes do festejo a definem, vai além do sentido corrente no léxico ortodoxo: brincadeira, devoção e resistência são aspectos indissociáveis do bumba meu boi do Norte e Nordeste.

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