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Enciclopédia Itaú Cultural

Indicadores Culturais

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.09.2021
Indicadores culturais são instrumentos que servem de referência para a compreensão de fenômenos que ocorrem na esfera da cultura, permitindo o reconhecimento concreto e a descrição objetiva de certos aspectos da experiência cultural, contribuindo, assim, para a ampliação do conhecimento sobre o setor.

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Indicadores culturais são instrumentos que servem de referência para a compreensão de fenômenos que ocorrem na esfera da cultura, permitindo o reconhecimento concreto e a descrição objetiva de certos aspectos da experiência cultural, contribuindo, assim, para a ampliação do conhecimento sobre o setor.

Um indicador é uma estatística processada com o objetivo de fornecer uma informação específica. Na visão da pesquisadora Jurema Machado, o indicador não é um dado, mas, antes, sua evolução no espaço e no tempo. Ao contrário dos dados isolados, que descrevem uma situação cristalizada, o indicador expressa relações entre dados, informações, objetivos e determinado contexto. Nesse sentido, o indicador avalia mais do que descreve. 

Quanto às suas características, o professor Enrique Saravia assinala que os indicadores podem ser: estratégicos, quando se referem a metas; de sustentabilidade, quando aferem a consecução de propósitos de políticas; de resultado, quando avaliam o desempenho de programas e projetos determinados; e de atividade, quando apontam características de desempenho. 

Os indicadores não são neutros; dependem do contexto no qual são construídos e dos objetivos a que servem. Como ferramenta de gestão e de políticas culturais, apontam avanços ou retrocessos de determinadas políticas ou programas, na comparação dos resultados com objetivos previamente definidos. Considerando que a política cultural antecede a construção de um indicador, políticas vagas enfraquecem sua formulação. Além de subsidiarem as atividades de planejamento público e a formulação de políticas, os indicadores podem contribuir para o aprofundamento da investigação acadêmica sobre fenômenos culturais. Por outro lado, ao serem divulgados, contribuem para dar transparência e ampliar o conhecimento público sobre os fenômenos investigados, podendo se tornar um valioso instrumento de diálogo entre as instâncias do poder e outros componentes da sociedade, colaborando, desta forma, para o empoderamento da sociedade civil. A professora Rosimeri Carvalho da Silva sustenta que diferentes grupos da sociedade, movimentos sociais, organizações profissionais e indivíduos podem construir suas ações, críticas e reivindicações com base em sistemas de indicadores.

A construção de indicadores não é neutra e deve responder a determinado propósito. Suscetíveis a diferentes usos, eles são tanto melhores quanto mais claras as perguntas para as quais devem fornecer respostas. Para serem elaborados, os indicadores precisam partir de uma conceituação do fenômeno que se deseja quantificar, para depois estabelecerem-se as variáveis necessárias para a construção de conhecimento dentro da abordagem escolhida, demarcando-se a perspectiva de onde se analisa o objeto. No caso do setor cultural, um desafio específico é que não há um entendimento único do que seja cultura, além de não existirem modelos globais que possam dar sustentação a um sistema padronizado de indicadores culturais.

Todo sistema de indicadores culturais é imperfeito, pois não há como expressar em dados estatísticos todas as experiências, práticas, influências e impactos da cultura. O tratamento estatístico da realidade não consegue dar conta, por exemplo, da experiência dos participantes de atividades culturais. Para Cristina Pou Satorre, o valor da cultura não pode ser expresso somente com estatísticas, já que nela intervêm fatores subjetivos, polaridades imprevistas, reações heterogêneas. Além disso, as consequências da participação cultural são remotas demais no tempo e no espaço para serem sintetizadas em uma simples questão de causa e efeito. 

Diante das limitações e dificuldades apontadas, o entendimento e a aceitação de um indicador depende da explicitação e da divulgação de sua metodologia, tornando claras as escolhas efetuadas.

Fontes de pesquisa 5

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  • A CONSTRUÇÃO de indicadores para a cultura. Entrevista com Jurema Machado. Revista do Observatório Itaú Cultural/OIC, São Paulo, n. 1, jan./abr. 2007. Indicadores e políticas públicas para a cultura. São Paulo: Itaú Cultural, 2007.
  • POU SATORRE, Cristina. “O uso de indicadores em pesquisa no setor cultural: o salto da estatística para a desconstrução do discurso”. Revista do Observatório Itaú Cultural/OIC, São Paulo, n. 4, jan./mar. 2008. São Paulo: Itaú Cultural, 2008.
  • REVISTA do Observatório Itaú Cultural/OIC, São Paulo, n. 4, jan./mar. 2008. Reflexões sobre indicadores culturais. São Paulo: Itaú Cultural, 2008.
  • SILVA, Liliana Sousa e. Indicadores para políticas culturais de proximidade: o caso Prêmio Cultura Viva. São Paulo, 2007. Tese de Doutorado (ECA/USP).
  • SILVA, Rosimeri Carvalho da. “Indicadores culturais – reflexões para a construção de um modelo brasileiro”. Revista do Observatório Itaú Cultural/OIC, São Paulo, n. 4, jan./mar. 2008. São Paulo: Itaú Cultural, 2008.

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