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Artes visuais

Web art

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.03.2021
A web art é uma das mais recentes manifestações no campo das artes eletrônicas. É entendida como a fusão entre a arte-comunicação e a arte digital. A arte-comunicação está fundamentada em elementos ligados a diferentes formas de comunicação, mas se desenvolve com base em tecnologias pré-digitais. A arte digital, por sua vez, está ligada ao uso d...

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A web art é uma das mais recentes manifestações no campo das artes eletrônicas. É entendida como a fusão entre a arte-comunicação e a arte digital. A arte-comunicação está fundamentada em elementos ligados a diferentes formas de comunicação, mas se desenvolve com base em tecnologias pré-digitais. A arte digital, por sua vez, está ligada ao uso de tecnologias digitais na criação ou fruição de obras. A web art conjuga essas duas vertentes, graças aos avanços da tecnologia de rede de computadores. Esse processo nasce no fim da década de 1960, mas se populariza a partir de 1993, durante a abertura comercial da internet. Embora a referência mais óbvia seja a internet, não se exclui a utilização de redes locais para o desenvolvimento da web art. 

A expressão é uma subdivisão da arte em rede (networked art), associada às obras conectadas por redes fechadas, pré-Internet, precursoras do movimento em rede aberta. A expressão internet art , por sua vez, engloba não apenas aplicações na web, mas utiliza também e-mail, redes P2P (peer-to-peer), ambientes puramente textuais. No entanto, internet art e web art são expressões utilizadas de forma intercambiável.

Apesar de a internet ser um meio eficiente de distribuir obras à distância, sua utilização como mero sistema de transporte de obras de arte não é suficiente para que um trabalho seja entendido como web art. Tampouco se enquadram nesse conceito a arte hipermídia ou a arte em 3D, que são favorecidas pela internet, mas para as quais ela não é elemento indispensável. Na web art, as obras são criadas para a rede, visam à interatividade e estão sujeitas à efemeridade; lidam com as consequências de estarem na internet e com a escolha desse meio de difusão. 

Das características que têm sido exploradas nesse tipo de obra, destacam-se a conectividade entre pessoas à distância, a colaboração e o trabalho em grupo, a criação de arquivos ou depósitos distribuídos, a simultaneidade em diversos lugares do mundo e as discussões contextuais e conjunturais sobre a rede.

A web art não depende de um espaço físico para ser executada; a própria internet pode ser seu espaço de exibição. Uma obra de web art pode, entretanto, pressupor um híbrido de realidade e virtualidade, exigindo a presença do usuário, como em uma exposição, cuja obra é executada à distância, via conexão de rede. As obras constituem-se em websites, e-mails, projetos de software baseados na internet, performances em rede, vídeo ou áudio interativos, e instalações em rede via internet.

Diversos trabalhos sobressaem-se na construção do movimento web art no Brasil: Moone: La Face Cachée de la Lune, do artista e professor Gilbertto Prado (1954), de 1992, trabalha a criação de imagens compartilhadas à distância, por parceiros nos Cafés Électroniques de Paris e na 9ª Documenta, Kassel, Alemanha. Em Telage 94, de 1994, os artistas Carlos Fadon Vicente (1945), em São Paulo, Eduardo Kac (1962), em Lexington, Estados Unidos, Irene Faiguenboim (1955), no Recife, e Gilbertto Prado, em Campinas, processam imagens compartilhadas à distância. Em Ornitorrinco, desenvolvido entre 1989 e 1996 por Eduardo Kac, em parceria com o designer de hardware norte-americano Ed Bennett, um robô em Chicago é controlado por alguém do público à longa distância. A artista Diana Domingues (1947), nos trabalhos I’mito, de 2004, e Firmamento, de 2005, realiza pesquisas em tempo real de palavras-chave sobre personalidades e mitos contemporâneos.

No plano internacional, uma dos principais trabalhos é o Jodi, da artista holandesa Joan Heemskerk (1968) e do belga Dirk Paesmans (1965). A dupla desenvolve, no início dos anos 1990, uma das primeiras experimentações em web art: um site com páginas sem qualquer sentido aparente expõe a expectativa de logicidade da rede. O trabalho File Room, de 1994, do artista espanhol Antoni Muntadas (1942), cataloga de forma colaborativa ações de censura de diferentes meios e épocas. Em The Ghost Watcher, de 1996, a artista June Houston transmissão cenas de sua casa a partir de câmeras instaladas em diversos ambientes e propõe que os telespectadores relatem o que veem. Unendlich, fast..., de 1995, do artista alemão Holger Friese (1968), é uma imensa página azul, com poucos caracteres soltos, uma associação com o espaço sideral. Em 2008, o grupo britânico Boredomresearch cria o Real Snailman, uma instalação com caracóis que transportam chips com e-mails, uma reflexão sobre o tempo da troca de informações.

Em 1995, a Ars Electronica inclui a web art como uma das categorias na competição internacional de arte eletrônica. No Brasil, em 1998, a 24ª Bienal Internacional de São Paulo é a primeira mostra a realizar curadoria para uma exposição de web art

A web art encontra espaços privilegiados de discussão e disseminação de suas obras: no Festival Ars Electronica, que ocorre anualmente em Linz, na Suíça; no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), maior evento do gênero no Brasil; no Laboratório Virtual de Pesquisa em Arte, da Universidade de Brasília (UNB); no Ircam (Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique; em português, Instituto de Pesquisa e Coordenação de Música e Acústica), do Centro Georges Pompidou, em Paris, França; e em coletivos online, como SITO, criado em 1993 para facilitar compartilhamento de obras e experimentação com projetos colaborativos, e nas redes The Thing, criada em 1991, e Rhizome, fundada em 1996 e afiliada ao New Museum of Contemporary Art de Nova Iorque, em 2003.

Fontes de pesquisa 7

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  • DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas e movimentos: guia enciclopédico da arte moderna. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
  • GERE, Charlie. The history of network art. In: CORBY, John. Network Art: practices and positions. London: Routledge, 2006.
  • IPPOLITO, John. Ten Myths of Internet Art. Disponível em: http://www.nydigitalsalon.org/10/essay.php?essay=6. Acesso em: 22 nov. 2016.
  • KAC, Eduardo. Interactive art on the Internet. Disponível em: http://ekac.org/interactiveartonthenet.html. Acesso em: 22 nov. 2016.
  • VANNUCCHI, Hélia. Rompendo com as expectativas do usuário da Web. Cadernos da Pós-Graduação, Campinas, v. 3, n. 1, 1999.
  • WEB ARTE NO BRASIL. Site dedicado à pesquisa da produção brasileira de arte e tecnologia na Internet. Disponível em: http://www.fabiofon.com/webartenobrasil/index.html. Acesso em: 22 nov. 2016.
  • WILSON, Stephen. Information Arts: intersections of Art, Science, and Technology. Cambridge, London: The MIT Press, 2002.

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