Artigo da seção termos e conceitos Cenografia

Cenografia

Artigo da seção termos e conceitos
Artes visuais / dança / teatro  

Cenografia é o termo que se aplica ao estudo e à prática da concepção e execução de cenários, que podem ser idealizados para espetáculos teatrais, produções cinematográficas e televisivas, ou ainda para exposições, estandes comerciais, eventos sociais e até mesmo ambientes virtuais. Os termos cenografia de exposições, arquitetura de exposições ou design de exposições são empregados para designar o trabalho de organização do espaço e das formas de expor um conteúdo.

Cenografia vem do grego skenenographie (skènè-grapheins), que se traduz literalmente por “desenho da cena”. Sua origem e seu reconhecimento remontam ao teatro da Grécia Antiga, mas sua aplicação não está limitada à linguagem teatral. A cenografia é uma área de estudos e projetos ligada tanto às artes dramáticas quanto à arquitetura, e, portanto, abarca os vários elementos que compõem uma cena ou um ambiente, como a iluminação, os objetos, os efeitos sonoros, o figurino e a disposição desses itens no espaço.

No teatro grego, a área de representação ou cena (skènè) se delimita por uma parede ou grandes panos que a separam dos bastidores. Sobre essas superfícies é aplicada uma pintura (graphos) representando a fachada de um palácio ou templo. Novas formas e estilos decorativos são criados, de modo que os painéis e outros elementos de ambientação passam não somente a complementar a cena, mas também a fazer parte da própria encenação.

Durante o Renascimento (séculos XIV a XVI), o uso da perspectiva nas pinturas possibilita a abertura de novos horizontes no campo das artes. Esse conceito é empregado também nos cenários teatrais para a criação de uma ilusão de espaço tridimensional. Outras inovações na cenografia aparecem com a Revolução Industrial, no século XVIII, que leva motorizações para os cenários. Mais tarde, o surgimento da luz elétrica permite criar efeitos de iluminação nas montagens teatrais. A iluminação se estabelece como item fundamental dos projetos cenográficos, na medida em que possibilita a concepção de atmosferas ligadas às sensações, como acolhimento ou frieza.

No século XX, a cenografia amplia sua área de atuação, graças ao desenvolvimento rápido da ciência e da tecnologia, e chega à arquitetura e aos espaços expositivos, sejam eles permanentes ou temporários. Esse desenvolvimento também se observa no Brasil, onde a cenografia ganha mais destaque a partir do século XX. As novas vertentes são inauguradas em espetáculos teatrais pensados para fora dos palcos, como presídios e hotéis. Um exemplo é o trabalho do grupo Teatro da Vertigem, que apresenta montagens em igrejas, hospitais e até mesmo num percurso pelo poluído Rio Tietê, na cidade de São Paulo. Nestes casos, a cenografia escolhe e determina áreas para atuação, seleciona e produz objetos; e, diferentemente do teatro convencional, não representa nem simula nada.

Desde o início dos anos 2000, a cenografia vem se deslocando progressivamente do espaço tradicional do teatro para um território híbrido, que reúne teatro, arquitetura, exposição, artes visuais e mídia. Projetos de estandes em feiras de negócios, por exemplo, são aplicações da cenografia em arquitetura, uma vez que mesclam ambiente e cenário, pensados para durar por um período curto. Cenários de jogos virtuais ou de programas de televisão são idealizados por cenógrafos especializados em ambientes construídos em programas de computador. 

Já as áreas de cenografia de exposições, arquitetura de exposições ou design de exposições organizam os espaços expositivos e museus de maneira a acolher e mostrar o conteúdo e as obras da exposição da melhor forma possível para a compreensão do público visitante. Nesses projetos, a cenografia é responsável pela instalação de uma linguagem e de uma ambientação que visa focar a atenção do público nas obras expostas. O aspecto decorativo cumpre papel importante ao tornar a visita mais agradável e atraente, além de convidar os visitantes a interagir com o conteúdo, como é o caso da mostra O Mundo Mágico de Escher (2011), sucesso de público que atrai quase 10 mil pessoas diariamente ao Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro: em algumas de suas salas, os visitantes podem ser fotografados em cenários que criam ilusões de óptica baseadas na obra do artista gráfico holandês Escher (1898-1972). 

Nos projetos cenográficos de museus ou exibições temporárias, os espaços são pensados como mídias em três dimensões, para serem percorridas pelos visitantes e despertar sensações neles – proporcionadas pelos ritmos e atmosferas gerados pela organização visual e espacial e pelos efeitos de som e luz. Na década de 2010, modalidades de exposições imersivas ganham força e trazem novos desafios à cenografia, na medida em que os espaços são ocupados por projeções digitais e obras com estímulos multissensoriais.

Seja para a criação de cenários que simulam ambientes fictícios ou virtuais, seja para dar forma a espaços projetados de modo a instigar as sensações, a cenografia se consagra como um campo de atuação vasto e em sintonia com os modos de viver contemporâneos, que se caracterizam pela valorização das experiências e de ambientes que estimulam as interações entre pessoas e despertam os sentidos.

Fontes de pesquisa (10)

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  • ROSSINI, Élcio. Cenografia no teatro e nos espaços expositivos: uma abordagem além da representação. Revista TransInformação, Campinas, v. 24, n. 3. p. 157-164, set.-dez. 2012. Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=384334891001. Acesso em: 18 nov. 2020.

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  • CENOGRAFIA . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo14352/cenografia>. Acesso em: 05 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7