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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Cineclube

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.01.2021
Cineclube é um espaço de construção coletiva que reúne apreciadores de cinema para exibição de filmes, estudos e debates, com o objetivo de formar e difundir a cultura cinematográfica, além de se contrapor a fatores como: a tendência dos exibidores de dedicar a maioria das salas aos grandes lançamentos comerciais; o preço dos ingressos, inacessí...

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Cineclube é um espaço de construção coletiva que reúne apreciadores de cinema para exibição de filmes, estudos e debates, com o objetivo de formar e difundir a cultura cinematográfica, além de se contrapor a fatores como: a tendência dos exibidores de dedicar a maioria das salas aos grandes lançamentos comerciais; o preço dos ingressos, inacessível para pessoas de baixa renda; o fato de boa parte dos municípios não contarem com salas de cinema.

As raízes do cineclube remontam a 1913, quando um grupo de anarquistas espanhóis realiza um curta-metragem sobre a Comuna de Paris, produzido fora dos padrões da época, por meio de associação própria.

Em 1917, o Rio de Janeiro tem o primeiro esboço brasileiro, quando Adhemar Gonzaga (1901-1978), fundador da Cinédia, e um grupo de entusiastas passa a se reunir para debater filmes vistos no cinema. A iniciativa é batizada de Paredão.

Os primeiros movimentos cineclubistas propriamente ditos surgem na França, nos anos 1920. Em 1921, é fundado o Clube dos Amigos da Sétima Arte. No ano de 1925, nasce a Tribuna Livre do Cinema, que inaugura a tradição de sessões semanais seguidas de debate. Em 1928, sob a crítica de que os cineclubes são burgueses, é criado Os Amigos de Spartacus, que leva cinema de conteúdo político e crítico a um público mais amplo.

No âmbito da agitação política e cultural dos anos 1920, o movimento se espalha pelo mundo. Na América do Sul, são fundados o Chaplin Club, no Rio de Janeiro, o Cineclub Buenos Aires e o Cineclub Mexicano, entre outros.

O Chaplin publica a revista O Fan, que defende o cinema mudo. Das especulações críticas dos frequentadores do cineclube, nasce um dos marcos do cinema brasileiro, Limite (1930), do diretor de cinema Mário Peixoto (1908-1992). Filme mudo de quase duas horas, Limite faz um retrato existencial de três personagens num barco à deriva. O Chaplin tem papel fundamental na trajetória e preservação desse longa, ao esconder uma cópia contra a vontade do diretor, que não aprova o resultado final e destrói o filme. O clube fecha três anos depois de ser inaugurado, pois com o sucesso do cinema falado, não faz sentido mantê-lo aberto nem publicar a revista. Apesar da vida curta, os debates e trabalhos desse cineclube inauguram a crítica cinematográfica nacional, o hábito de pensar o cinema como arte e não apenas como entretenimento.

A ascensão dos regimes fascistas nos anos 1930 desestrutura o cineclubismo. Mas, na Universidade de São Paulo, surge em 1940 o Clube de Cinema de São Paulo, com exibições na Faculdade de Filosofia e nas casas dos fundadores, entre eles Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977). Em plena ditadura do Estado Novo (1937-1945), são exibidos filmes críticos ao governo Getúlio Vargas. O clube é fechado e só volta à ativa depois da queda do regime.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o cineclubismo volta a se expandir, em parte devido ao interesse de Salles Gomes pela conservação de filmes. A Cinemateca Brasileira surge das atividades do Clube de Cinema de São Paulo. 

País afora, cineclubes são abertos em capitais como Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre – este último é o embrião do Festival de Gramado. O movimento se espalha pelo interior paulista. O Clube de Cinema de Marília, criado em 1952, promove cursos e festivais, além de editar o jornal Curumim e organizar o prêmio homônimo. 

O cineclubismo se intensifica na década de 1950, o que propicia o surgimento de movimentos como o cinema novo, e adquire caráter mais social nos anos 1960, em sintonia com o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mas a partir de 1968, com a fase mais repressiva da ditadura civil-militar (1964-1985), as centenas de cineclubes do país são reduzidas a no máximo uma dúzia.

O movimento se reorganiza a partir de meados da década de 1970, quando é criada a Distribuidora Nacional de Filmes para Cineclubes, com resultados expressivos em títulos como Passe Livre (1974), do cineasta Oswaldo Caldeira (1943), e O Homem que Virou Suco (1980), de João Batista de Andrade (1939).

Na virada para os anos 1980, surge o Cineclube Bixiga, em São Paulo, que, em vez da tradicional bitola cineclubística de 16mm, projeta filmes em 35mm, com exibições diárias, assentos numerados e filmes alternativos. O Cineclube Bixiga é considerado a origem dos circuitos de cinema de arte.

Mas a conjuntura econômica da década, aliada à popularização da fita VHS (Video Home System) e ao corte do apoio ao cinema pelo governo Fernando Collor de Mello (1989-1992), levam a uma agonia do cineclube, que só retoma fôlego nos anos 2000, quando o cineasta Orlando Sena, oriundo do Cineclube de Salvador, assume a gerência do setor audiovisual no primeiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

É criada uma comissão nacional para reorganizar o movimento, e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) promulga em 2007 uma instrução normativa que reconhece e regulamenta a atividade dos cineclubes.

Eles passam a ter relação mais próxima com o poder público, o setor educacional, questões identitárias, ambientais, entre outras. A São Paulo Film Commission (Spcine) é exemplo disso, com seu circuito de exibição instalado nos Centros de Educação Unificados (CEUs) em São Paulo.

O movimento ganha capilaridade e relevância comunitária. Cineclubes começam a produzir filmes próprios. Outros surgem em terras indígenas, quilombolas e periferias de grandes cidades, como o Mascate Cineclube, em São Paulo, que cria um evento chamado Sarau Cinematográfico, com patrocínio da prefeitura.

Cineclube é um núcleo de discussão e aprofundamento do conhecimento em cinema, que se insere na comunidade e contribui para mudar consciências, formar opiniões, mobilizar e gerar movimentos sociais. É a célula-base do movimento cineclubista.

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