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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Flamenco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.07.2020
O flamenco é uma manifestação popular expressa pela dança e pela música. Surge no sul da Espanha, em meados do século XVIII, à partir do encontro de diferentes culturas como. É composto de canto (cante), dança (baile) e acompanhamento de violão, palmas e cajón1 (toque). O cante, sempre acompanhado do baile e do toque, é comumente classificado em...

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O flamenco é uma manifestação popular expressa pela dança e pela música. Surge no sul da Espanha, em meados do século XVIII, à partir do encontro de diferentes culturas como. É composto de canto (cante), dança (baile) e acompanhamento de violão, palmas e cajón1 (toque). O cante, sempre acompanhado do baile e do toque, é comumente classificado em três grupos, com ritmos, temas e tons definidos: cante jondo, de natureza profunda e interpretação expressiva; cante intermedio, de execução menos complexa que o jondo; cante chico, menos solene, mais festeiro. Esses grupos geram diferentes modalidades, conhecidas como palos. Alguns palos apresentam elementos variados, como alegrías e bulerías, e outros são apenas cantados como tonás e debla

Os bailes flamencos, embora improvisados, sempre respeitam uma estrutura. A estrutura da dança e a comunicação ao vivo com os músicos possibilitam a composição dos três elementos, com improvisos, mas sem feitos aleatórios. Um exemplo de estrutura básica de baile no palo de soleá por bulerias é: falseta (parte instrumental) / salida de cante (entrada do cante) / duas ou três letras / cierre (finalização de uma parte do baile) / escobilla (sapateado) / bulerías de cadiz (palo com tonalidade maior, que arremata o palo de soleá) / coletilla (letra de ir embora). Cada elemento do flamenco conta com artistas importantes para seu desenvolvimento e difusão. Na baile, destacam-se Carmen Amaya (1913-1963), Antonio Gades (1936-2004), Eva Yerbabuena (1970) e Israel Galván (1973). No cante, Antônio Mairena (1909-1983), La Niña de los Peines (1890-1969), Antônio Chacón (1869-1929) e Camarón de la Isla (1950-1992). No toque: Sabicas (1912-1990), Niño Ricardo (1904-1972), Paco de Lucia (1947-2014) e Manolo Sanlúcar (1943).

Como grande parte das tradições orais, o flamenco não possui relevante quantidade de registros históricos que apontem, sua origem com precisão. Entretanto, as culturas moura, cigana, andaluza, judaica e indiana são as mais apontadas por especialistas como fundantes do flamenco. A partir de 1990, dois autores e pesquisadores, o professor José Luis Navarro Garcia e o músico David Hurtado Torres, apontam a contribuição africana ao flamenco. David Torres indica as evidências musicais da influência negra no flamenco, e José Luis Garcia descreve a presença dos negros, em Andaluzia, de modo histórico e documental.  O registro mais remoto do uso do termo  “flamenco” aparece  em 1774, no livro Cartas Marruecas (1793) do escritor espanhol José de Cadalso (1741-1782). Desde novembro de 2010, o flamenco faz parte da lista do patrimônio imaterial da humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Na Espanha, o flamenco tem aproximadamente três séculos; no Brasil, é uma manifestação recente. Os imigrantes que chegam ao país, em maior quantidade a partir de 1905, passam a se reunir em “clubes”, encontros de amigos e conhecidos de determinadas regiões da Espanha. Nesses clubes, o flamenco é praticado aos espanhóis e suas famílias. Os imigrantes praticam também, além de flamenco, clássico espanhol (ou escola bolera). Somente na década de 1970, começam acontecer no país algumas apresentações de flamenco e de escola bolera, em geral ligadas a divulgação de algum produto espanhol, como as bebidas Domecq. Somente na década de 1980, os primeiros brasileiros começam a aprender flamenco, ainda bastante misturado com o clássico espanhol, e quase não há informação e material disponível aos interessados. O que contribui para divulgação e entendimento do flamenco no Brasil, nessa década, são os filmes da trilogia do cineasta espanhol Carlos Saura (1932). Bodas de Sangre (1981), Carmen (1983) e  El Amor Brujo (1986). Os brasileiros que principiam o aprendizado em 1980, por conta dos filmes, e  tornam-se professores na década seguinte, no Brasil, são conhecidos como a geração “filhos de Saura”.

Nos anos 1990,  a informação e o material disponíveis aumentam. Já não se ensina flamenco misturado com clássico espanhol e iniciam-se as primeiras descobertas sobre a estrutura do baile. Brasileiros lecionam flamenco, surgem as primeiras escolas especializadas, como Centro Pepe de Córdoba (São Paulo), e cresce o número de alunos. Na década de 2000, continua crescendo o número de adeptos e professores, com mais informação e material disponíveis por causa da internet.  Dançarinos espanhóis começam a vir ao país para se apresentar e ministrar cursos. Iniciam-se, ainda, alguns festivais nacionais e internacionais de flamenco. Na década de 2010 há, no Brasil, escolas de flamenco em aproximadamente 13 estados, sendo as mais expressivas: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Entre as pessoas que ajudaram o desenvolvimento do flamenco no Brasil estão: o cantor Pepe de Córdoba (19?-2001), Laurita Castro, Ana Esmeralda (1929), Carmen de Ronda, La Morita, Mário Vargas, Mabel Martín, Alberto Turina.

Notas

1. O cajón, aumentativo da palavra espanhola caja (caixa), é um instrumento de percussão construído em madeira, de origem afro-peruana, sobre o qual o músico se senta e usa as palmas das mãos ou os dedos para tocar. Ele é introduzido e popularizado no flamenco pelo músico espanhol Paco de Lucia nos anos 1970.

Fontes de pesquisa 10

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  • CORDOBA, Pépe de. Palos Flamencos. São Paulo: Edicon, 2008.
  • COSTA, Cadica. Baile Flamenco: identidade gaúcha. Porto Algre: Libretos, 2011.
  • CUADRA FLAMENCA. Associação Cultural de Dança Espanhola Cuadra Flamenca. Disponível em: http://www.cuadraflamenca.art.br/. Acesso em: 29 jul. 2020
  • ESTEBAN, Jose Maria. Breve Enciclopédia del Flamenco. Madrid: Editorial Libsa, 2007.
  • FLAMENCO BRASIL. Notícias de flamenco no Brasil. Disponível em: http://www.flamencobrasil.com.br. Acesso em: 29 ju. 2020
  • GARCÍA, José Luis Navarro. Semillas de Ébano: el elemento negro y afroamericano en el baile flamenco. Sevilha: Portada Editorial, 1998.
  • PÁTIO FLAMENCO. Escola de dança. Disponível em: http://www.patioflamenco.com.br/. Acesso em: 2 set. 2013
  • RAIMUNDO, Carolina Moya. O flamenco acha feio o que não é espelho? Uma reflexão sobre a trajetória do flamenco na cidade de São Paulo (1990-2011). Iniciação científica (Graduação em Comunicação) – Pontifícia Universidade Católica (PUC), São Paulo, 2012.
  • TORRES, David Hurtado y Antonio. La Llave de la Musica Flamenca. Sevilha: Signatura, 2009.
  • VEGA, José Blas. El Flamenco en Madrid. Córdoba: Almuzara, 2006.

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