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Dança

Academia de dança

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.06.2020
O termo academia (do italiano Accademia: concerto) é utilizado na Europa durante o século XVI na fundação de academias de música e arte. Como derivação, o termo refere-se ao local institucionalizado de dança e sua prática de ensino; escola de dança.

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O termo academia (do italiano Accademia: concerto) é utilizado na Europa durante o século XVI na fundação de academias de música e arte. Como derivação, o termo refere-se ao local institucionalizado de dança e sua prática de ensino; escola de dança.

Luís XIV (1638-1715), rei da França entre 1643 e 1715, funda a primeira academia de dança do mundo, em 1661, e insitucionaliza o ensino da dança. Bailarino desde os 13 anos, ele interpreta o papel de Rei Sol no bailado Ballet de la Nuit (1653), o que motiva seu apelido histórico de Rei Sol. Durante os 19 anos seguintes, participa de 27 grandes bailados. O último é Flora (1699), de Jean Baptiste Lully (1632-1687) e Molière (1622-1673). 

É por solicitação do cardeal Mazarin (1602-1661), primeiro-ministro da França, que Luís XIV cria a Académie Royale de Danse, inicialmente só para homens. Ela precede a Academia de Letras (1663), e a de Ciências (1666). Com a Academia Real de Dança, Luís XIV estabelece que nenhum espetáculo de dança pode ser apresentado ao público antes de ser aprovado pelos acadêmicos. O coreógrafo Beauchamp (1636-1719), professor de dança do rei, fixa as cinco posições no balé clássico utilizadas até os dias atuais.  

Academia de Dança preconiza a beleza das formas e a conformidade com cânones fixos. Possibilita a profissionalização dos bailarinos para compor um corpo de baile. Um exemplo é o bailado Triomphe de l’Amour, criado em 1681, dançado pela primeira vez por damas da corte e, mais tarde, apresentado por bailarinas profissionais – entre as quais Lafontaine (1655-1738),  primeira bailarina da história da dança clássica. 

No período de Luís XVI (1754-1793), o último rei francês, de 1774 a 1792, o balé desenvolve-se influenciado pelo gosto da rainha Maria Antonieta (1755-1793), que nomeia o bailarino Jean Georges Noverre (1727-1810) como maître de ballet da Academia Real. É dele o princípio do bailado como drama dançado, com exposição do tema, desenvolvimento e solução. Em 1780, a Academia Real de Dança cessa suas atividades. Como legado, transforma a França em referência na institucionalização acadêmica da dança. 

Em Milão, Itália, antes do desaparecimento dos reinados do século XVIII, os bailarinos estudam na Academia Imperial de Dança e Pantomima, sob a direção de Carlo Blasis (1803-1878), responsável pela introdução dos exercícios na barra na técnica do balé clássico. 

Inspirada na Academia francesa, a Imperatriz da Rússia, Catarina II (1729-1796), organiza a Escola de Dança e contrata professores estrangeiros para preparar os bailarinos para atuar no Teatro Mariinsky, a Ópera de São Petersburgo. Depois, são criadas as Escolas Imperiais de Dança de Moscou e Varsóvia. A de São Petersburgo desenvolve-se com Marius Petipa (1818-1910), coreógrafo francês que chega a Rússia em 1847.

No Brasil, a vinda da família real portuguesa sob o reinado de D. João VI (1767-1826) colabora com a introdução do ensino acadêmico de dança ao trazer professores da Europa, como José Maria Toussaint, discípulo da Academia Real de Música de Paris, e o casal Luís Lacombe. 

O Rio de Janeiro, capital do país à época, recebe visitas de professores e bailarinos, e institucionaliza o ensino do balé clássico e a formação profissional de bailarinos. Em 1927, é fundada a escola de dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pela bailarina Maria Olenewa (1896-1965), ex-primeira bailarina da Companhia de Dança Ana Pavlova, da Rússia. 

Inicialmente, corpo de baile e escola de dança compõem uma única estrutura na apresentação de espetáculos. Em 1936, é criado o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio, separando escola e companhia profissional. Em 1975, a Escola Municipal de Dança Maria Olenewa é oficializada como escola profissionalizante, passando a fornecer certificado reconhecido. Até 1977, funciona no prédio anexo do Theatro Municipal, posteriormente, transfe-se para sede própria. Hoje, a insituição adota um currículo amplo para crianças a partir de oito anos, que inclui história da arte, composição, improvisação, dança afro-brasileira, entre outras disciplinas.

Em São Paulo, a Escola Municipal de Bailado, no Theatro Municipal, é criada em 1940, sob a direção do professor tcheco Vaslav Veltchek (1896-1967), com a proposta de preparar bailarinos para apoiar as óperas realizadas na cidade. Já o Corpo de Baile Municipal é oficializado em 1968, com o objetivo de preservar o repertório de dança clássica. Anos mais tarde, em 1974, renova-se e adota um perfil de dança contemporânea. Em 1981, passa a chamar-se Balé da Cidade de São Paulo. Em 2011, a Escola de Bailado vira Escola de Dança de São Paulo e incorpora outras propostas de ensino de dança. Entre as disciplinas de seu curso profissionalizante de oito anos estão história da dança, composição, dança contemporânea, danças brasileiras, balé clássico e repertório.

Pioneiras no país, as duas escolas públicas de ensino da dança, tanto a do Rio de Janeiro quanto a de São Paulo, permanecem em funcionando, com objetivo de profissionalização e aprimoramento.

No Brasil, o ensino de dança nas escolas formais é regulamentado pela nova Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB n. 9.394/96), que torna obrigatório o ensino de arte em todos os níveis do ensino básico, incluindo as quatro linguagens (artes visuais, teatro, música e dança). Mesmo com a legislação, poucas escolas incluem o ensino de dança na grade curricular, o que transfere para as academias e escolas de dança particulares o espaço de aprendizagem dessa arte.

As academias livres de dança são responsáveis por grande parte da iniciação e do  aperfeiçoamento de bailarinos, ancoradas no ensino prático de técnicas codificadas – sobretudo do ensino de balé clássico, jazz, sapateado e dança moderna. O aprendizado de coreografias para apresentação em festivais e encontros e a transmissão professor-aluno como cópia de modelos e movimentos a serem seguidos são práticas de ensino. Nesses espaços, comumente, não é exigido exame de admissão e não são fornecidos certificados de aproveitamento. É diferente nas escolas públicas de dança, nas quais os interessados devem passar por exames de admissão e ganham certificado de conclusão. 

As academias de dança adotam disciplinas, grades e procedimentos didáticos próprios, sem seguir uma orientação única de gestão pedagógica. Isso porque, no Brasil, não existe legislação específica para o ensino da dança fora da educação formal. Não é o que ocorre na França, onde o ensino de dança tem legislação própria desde 1989.

Fontes de pesquisa 5

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  • BOURCIER, Paul. História da dança no Ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • ELLMERICH, Luís. História da dança. São Paulo: Ricordi Brasileira, s/d.
  • FARO, Antonio José. Pequena história da dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.
  • SIQUEIRA, Arnaldo. Ana Regina. Recife: Ed. do Autor, 2005.
  • TEIXEIRA, Ana Cristina E. A dança na esteira da oficialidade: a inauguração da Academia Real de Dança, na França do século XVII, e seu eco no Brasil do século XXI. In: ENCONTRO Nacional de Pesquisadores em Dança, 2011. Anais do Encontro Nacional de Pesquisadores em Dança. São Paulo, 2011.

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