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Artes visuais

Acervo e Coleção

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.05.2018
Acervo e coleção são vocábulos correspondentes, usados como sinônimos na linguagem corrente. Esses termos, entretanto, apresentam características específicas que justificam o uso de um ou de outro em determinados campos de atuação. Ambos derivam do latim e, grosso modo, definem uma reunião ou um conjunto de coisas ou objetos. São termos utilizad...

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Acervo e coleção são vocábulos correspondentes, usados como sinônimos na linguagem corrente. Esses termos, entretanto, apresentam características específicas que justificam o uso de um ou de outro em determinados campos de atuação. Ambos derivam do latim e, grosso modo, definem uma reunião ou um conjunto de coisas ou objetos. São termos utilizados, predominantemente, nas áreas de museologia, biblioteconomia e arquivística. A palavra acervo também possui uma acepção jurídica - “acervo de herança” - para designar uma massa hereditária. Outro aspecto importante é que o termo acervo tem uso restrito a países ibero-americanos. Nas línguas inglesa e francesa, por exemplo, usa-se indiscriminadamente o termo collection para designar tanto o primeiro como o segundo sentido. Há também o uso da palavra “corpo”, ou "fundo", para referir-se aos atributos associados a acervo.

No caso do português, há uma relação hierárquica entre os dois termos, raramente respeitada em publicações leigas, mas utilizada quando se tornam vocabulário de trabalho. Acervo não é obrigatoriamente um conjunto ordenado de coisas. O Dicionário Michaelis, por exemplo, oferece o sentido de “reunião confusa de objetos” na lista de acepções do termo. Segundo o Dicionário Caldas Aulete, acervo é qualquer “conjunto de bens, de propriedade pública ou particular, que compõem patrimônio”, enquanto coleção implica coesão entre os itens que a compõem. Coleção é, segundo essa publicação, “um desses conjuntos, organizado, reunido pelo valor artístico, cultural, histórico etc. de seus componentes, ou por sua raridade, singularidade etc., ou pelo interesse do colecionador (coleção de selos, coleção de quadros)”1.

Acervo costuma designar um conjunto geral, com corpo mais amplo, muitas vezes constituído de várias coleções. É o caso, por exemplo, do acervo corporativo do Itaú, composto por diferentes coleções. Destaque-se a coleção Brasiliana, constituída por Olavo Setubal (1923-2008), e a coleção de Numismática, formada por Herculano Pires (1914-1979). A palavra coleção significa, portanto, um corpo coeso e tem como sinônimos os termos coletânea e compilação. Ela é bastante usada em outras áreas de conhecimento, como a editoração (para designar uma compilação de livros que se destaca do catálogo de publicações de uma determinada editora) e a moda (para indicar o conjunto de roupas criadas por uma marca ou um estilista para uma estação específica).

Em função dessa organicidade necessária à coleção, ela segue critérios e normas de escolha e de organização interna. Pode ser formada por objetos materiais ou imateriais, ser mantida por um único indivíduo ou pertencer a uma organização, privada ou governamental, ser secreta ou aberta ao público. Como define a publicação Conceitos-chave de Museologia, é preciso que os itens reunidos em uma coleção “formem um conjunto (relativamente) coerente e significativo”2.

Apesar desse caráter específico, são várias as possibilidades de seleção, formato, tamanho e alcance dessas compilações. O historiador polonês Krzysztof Pomian (1934) menciona não ser possível estipular, por exemplo, a quantidade necessária de objetos para que um conjunto seja considerado como uma coleção, posto que isso “depende do local em que se acumulam, do estado da sociedade, das suas técnicas e do modo de vida, da sua capacidade de produzir e acumular o excedente, da importância que se atribui à comunicação entre o visível e o invisível por intermédio dos objetos etc.”. 

Na era moderna, a partir do século XVII, com a criação de instituições voltadas para o ato de colecionar - museus e bibliotecas -, a prática de coletar, reunir e organizar está intimamente conectada com a valorização da cultura humanista e o desenvolvimento da ciência. Ao mesmo tempo, as coleções passam a indicar sinais de poder. “As coleções, que, para os membros do meio intelectual e artístico, são instrumentos de trabalho e símbolos de pertença social, são, para os detentores do poder, insígnias da sua superioridade e também instrumentos que lhes permitem exercer uma dominação neste meio", sintetiza Pomian.

As coleções são a alma dos museus, cujas funções primordiais são proteger, organizar, estudar e divulgar os objetos que os compõem. As peças de coleções museológicas apresentam aspectos específicos, uma vez que, incorporadas a uma coleção, adquirem status diferenciado: perdem sua função original, pois são retiradas do circuito de atividades econômicas e submetidas à proteção especial3. Em geral, as obras de arte incorporadas ao fundo de uma instituição pública não voltam a circular comercialmente, salvas raras ocasiões4.

Notas

1 Dicionário Caldas Aulete. On-line. Disponível em: < http://www.aulete.com.br/coleção >. Acesso em: 15 maio 2017.

2 DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (Eds.). Conceitos-chave de museologia. Tradução e comentários de Bruno Brulon Soares e Marília Xavier Cury. São Paulo: Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Secretaria de Estado da Cultura, 2013, p. 32. Disponível em: < http://icom.museum/fileadmin/user_upload/pdf/Key_Concepts_of_Museology/Conceitos-ChavedeMuseologia_pt.pdf >. Acesso em: 15 maio 2017.

3 POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: ENCICLOPÉDIA Einaudi. 1 - Memória-História. Porto: Imprensa Oficial - Casa da Moeda, 1985. p. 51-86.

4 Pomian lembra os casos do Museu de Arte Moderna de Nova York, que já negociou obras de sua coleção para aquisição de novos trabalhos e da venda de quadros do Museu Ermitage pelo governo soviético entre 1929 e 1937.

Fontes de pesquisa 4

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  • AULETE, Caldas. Caldas Aulete Digital. Rio de Janeiro: Lexicon, [200-]. Disponível em: < http://www.auletedigital.com.br >. Acesso em: 10 maio 2017.
  • DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (Eds.). Conceitos-chave de museologia. Tradução e comentários de Bruno Brulon Soares e Marília Xavier Cury. São Paulo: Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Secretaria de Estado da Cultura, 2013. Disponível em: < http://icom.museum/fileadmin/user_upload/pdf/Key_Concepts_of_Museology/Conceitos-ChavedeMuseologia_pt.pdf >. Acesso em: 9 maio 2017.
  • MELLO E SILVA, Maria Celina Soares. Arquivos de museus: características e funções. Museologia & Interdisciplinaridade, Brasília, v. 2, n. 4, 2013. Disponível em: < http://periodicos.unb.br/index.php/museologia/article/view/9626 >. Acesso em: 24 maio 2017. p. 35-47
  • POMIAN, Krzysztof. Colecção. In: ENCICLOPÉDIA Einaudi. 1 - Memória-História. Porto: Imprensa Oficial - Casa da Moeda, 1985. p. 51-86.

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