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Literatura

Tendências Contemporâneas

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.02.2016
O período de 1960 até nossos dias encerra algumas das mais radicais transformações da história humana. No plano político, nas décadas que entremearam a intensificação da Guerra Fria e a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) houve guerras, muitas guerras: da Coréia, do Vietnã, dos Seis Dias (entre Israel e Egito, Síria ...

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Histórico
O período de 1960 até nossos dias encerra algumas das mais radicais transformações da história humana. No plano político, nas décadas que entremearam a intensificação da Guerra Fria e a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) houve guerras, muitas guerras: da Coréia, do Vietnã, dos Seis Dias (entre Israel e Egito, Síria e Jordânia), da Biafra, do Camboja, do Paquistão, de Irã contra Iraque, das Malvinas, do Golfo, para ficar apenas nas mais relembradas. Sem contar as revoluções, como a dos Cravos, em Portugal, a Sandinista, na Nicarágua, a Islâmica, no Irã, e as guerrilhas civis, como as de Angola, da Irlanda do Norte, do Timor Leste, além de golpes, intervenções, massacres. Os golpes militares atingiram quase toda a América Latina e impuseram tempos de censura, tortura e repressão dos quais os países ainda se recuperam. Mas foram tempos também de movimentos pacifistas, como os ocorridos nos Estados Unidos contra a Guerra do Vietnã, do surgimento de uma "nova esquerda" que valorizava lutas consideradas até então secundárias, como as das mulheres, dos negros e das minorias em geral. A liberação sexual foi outra bandeira dos jovens que organizaram protestos na maior parte dos países ocidentais.

Nas duas últimas décadas do século, ventos democráticos trouxeram mudanças para os países latino-americanos, que voltaram aos poucos a respirar liberdade. Na África do Sul o apartheid terminou; na Europa, o muro de Berlim foi derrubado, simbolizando o fim da "cortina de ferro" imposta pelo comunismo e a abertura política e econômica da maioria dos países comunistas. Vários países se desintegraram, como a ex-Iugoslávia, para que antigas repúblicas se emancipassem, como a Croácia e a Bósnia - mas não sem muito derramamento de sangue. Enquanto o mapa geopolítico se transformava e, em muitos países, novas guerras e guerrilhas se iniciavam, uma revolução pacífica e tecnológica uniu as nações por meio de fios e satélites, integrando os povos através da televisão, do telefone e, mais recentemente, da Internet.

No Brasil, o golpe militar de 1964 pôs fim ao período de contestações políticas, movimentos culturais e manifestações sociais que haviam agitado o país até então. Iniciava-se um longo período de ditadura que perseguiu, prendeu e torturou políticos, estudantes, intelectuais, operários, artistas, cidadãos que fossem considerados inimigos do regime. A partir de 1968, com a instituição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), as cassações, deportações e prisões recrudesceram, e a censura proibiu a circulação de centenas de filmes, livros, peças teatrais, músicas e até novelas. A imprensa diária, durante anos, sofreu com a censura prévia, que inúmeras vezes impediu a divulgação de notícias políticas, sociais ou culturais sobre o país.

Esses acontecimentos afetaram intensamente o sistema literário. As elites cultas do país, escritores incluídos, passaram a posicionar-se como "focos" de resistência ao projeto nacional representado pelo governo militar. Movimentos de renovação, baseados no engajamento político e social, transformaram o cinema, o teatro, a música, as artes plásticas, a literatura. O Cinema Novo, o teatro Oficina, o Tropicalismo e a Poesia Marginal foram alguns dos mais importantes movimentos do período; criaram propostas inovadoras de expressão artística, fortemente voltadas para a realidade nacional, que redefiniram os rumos da cultura brasileira.

Segundo Heloísa Buarque de Hollanda (1939) e Marcos A. Gonçalves, configurava-se "toda uma área de afinidades no campo da produção cultural, envolvendo uma geração sensibilizada pelo desejo de fazer da arte não mais o instrumento repetitivo e previsível de uma veiculação política direta, mas um espaço aberto à invenção, à provocação, à procura de novas possibilidades expressivas, culturais, existenciais. O redimensionamento da relação com o público, a crítica à militância conscientizadora, a valorização das realidades "menores" ligadas à experiência cotidiana e a recusa do ideário nacionalista-populista, em favor de uma brasilidade renovada (que buscava em Oswald de Andrade (1890-1954) um ponto de referência) definem, em linhas gerais, essa nova disposição."

Em 1968, ano das barricadas estudantis em Paris, dos festivais em Londres e Nova York, da Primavera de Praga, Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais um grupo de músicos e cantores lançou o Tropicalismo, movimento que, em sintonia com a contracultura que mobilizava jovens em todo o mundo ocidental, apresentava uma nova postura estética, política e existencial. Influenciados pelo movimento antropofágico de Oswald de Andrade e pela poesia concreta, Caetano, Gil e Torquato Neto, entre outros poetas e compositores, incorporaram à linguagem poética as novidades da indústria cultural, a retórica dos comícios, passeatas e manifestações políticas, as imagens fragmentárias do discurso cinematográfico.

Outros nomes da canção popular, dentre os quais se destaca o de Chico Buarque (1944), renovavam a poesia brasileira. Iniciava-se uma fase de aproximação entre poetas e música popular, que por sua grande penetração junto ao público mostrava-se um excelente veículo de divulgação poética. Com a decretação do AI-5, porém, muitos artistas foram obrigados a exilar-se - imposição que, posteriormente, acabaria por enriquecer a cultura brasileira, com as influências recebidas pelos artistas no exterior. Mas, na época, instaurou-se um clima de medo e depressão nos meios intelectuais do país.

Os poetas dos anos de 1970, especialmente aqueles que faziam poesia social, viram-se tolhidos pela censura e pela repressão do governo militar. No período em que a indústria cultural explodia no Brasil, e livros, revistas e jornais eram impressos em tiragens recordes, eles precisaram buscar maneiras alternativas para promover suas obras. Assim, criavam jornais e folhetos mimeografados, imprimiam livros em pequenas gráficas, divulgavam seus poemas por meio de pôsteres, camisetas, cartazes, faixas, "varais". A distribuição era feita em locais públicos, de preferência aqueles ligados a eventos culturais, como portas de cinemas, museus e teatros, além de bares, casas de shows e onde mais houvesse aglomeração. Eram os adeptos da "Poesia Marginal", que circulava à margem dos meios editoriais convencionais. Paulo Leminski e Ana Cristina Cesar (1952-1983) foram dois grandes representantes desse movimento.

Mas, se a censura e a repressão prejudicaram os escritores brasileiros, o desenvolvimentismo do regime militar beneficiou, e muito, a indústria editorial do país. Nos anos do "milagre brasileiro", multiplicaram-se as editoras em atividade, e as tiragens chegaram a mais de 150 milhões de exemplares por ano. A expansão do público leitor, a queda do analfabetismo, o crescimento do segmento de livros didáticos e universitários foram em grande parte responsáveis pelo desenvolvimento do setor. Além disso, o governo reduziu impostos e taxas de importação, viabilizou subsídios e promoveu melhorias nos meios de trasnporte e de comunicação que favoreceram a indústria editorial. As empresas produtoras de periódicos, como a Editora Abril, também experimentaram enorme desenvolvimento.

O "milagre econômico" beneficiou das indústrias de livros às de automóveis e eletrodomésticos, entre inúmeras outras, de forma que no final da década de 1970 o Brasil havia se tornado um dos maiores mercados consumidores do mundo. O barateamento de televisores popularizou o veículo, e as grandes redes, em especial a Globo, passaram a atingir cada vez mais pontos distantes do país, até integrá-lo em transmissões nacionais. As novelas e outros programas televisivos tornaram-se dos mais consideráveis produtos da indústria cultural brasileira. O mercado fonográfico também ampliou-se enormemente, a ponto de transformar-se no sexto do mundo. O número de emissoras de rádio cresceu tanto que hoje o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos. Entretanto, os artistas que quisessem manifestar-se por meio desses veículos precisavam recorrer à linguagem metafórica - como fez muitas vezes Chico Buarque - para poder escapar da censura.

Mas ao longo da década de 1980 o processo de "abertura política" se desenvolveu, até que, em 1990, ocorreram as primeiras eleições democráticas no Brasil depois do golpe de 64, levando ao poder Fernando Collor de Mello - que renunciaria à presidência em 1992, devido a processo por corrupção que mobilizou milhares de cidadãos em protesto. O vice, Itamar Franco, ocupou o cargo até 1994, quando novas eleições conduziram à presidência Fernando Henrique Cardoso, sociólogo que sofrera cassação e exílio na época da ditatura. Nesse período, o país se integrou definitivamente à economia globalizada. Os problemas sociais para os quais os jovens revolucionários dos anos 60 chamavam a atenção, no entanto, não foram solucionados, de maneira que parte da sociedade experimenta os benefícios das novas tecnologias eletrônicas e interage com culturas estrangeiras, enquanto parte - a maior, infelizmente - vive em bolsões de miséria e ainda sofre com o analfabetismo.

Nesse contexto, o sistema literário deixou de vez de apresentar a organicidade que o caracterizara até o início do século XX. As tendências contemporâneas na poesia, por exemplo, não configuram movimentos específicos e abrangem de influências concretistas à retomada de pressupostos modernistas. Além disso, como observou Marisa Lajolo (1944), "[...] no século XX manifestam-se nas arenas literárias os times e as tribos que, nas arenas sociais, lutam por uma vaga na primeira divisão. Os excluídos da tradição mais conservadora dos estudos literários têm agora seus livros e seus cursos." Ganha força a literatura infanto-juvenil, a literatura de mulheres, de negros, de homossexuais, de índios, de migrantes - literatura que tem encontrado respaldo cada vez maior nas grandes editoras e nas teses acadêmicas, e conta com públicos cativos.

A crônica é celebrada como um dos gêneros mais lidos pelo público brasileiro, e os estudos literários a seu respeito proliferam. Autores como Luis Fernando Verissimo e Marcos Rey (1925-1999), para destacar apenas alguns dos mais notáveis, atingiram alto grau de popularidade e de aprovação da crítica. O número de jornais e revistas é cada vez maior, devido à segmentação do mercado, e abriga os mais diversos cronistas, que abordam de problemas sociais a receitas culinárias, passando por diversão, sexo, economia, psicologia, humor, filosofia.

As principais tendências contemporâneas da poesia brasileira são o Poema-Práxis, a Poesia Marginal e o Tropicalismo.

O movimento da Poesia-Práxis foi criado por Mário Chamie (1933-2011) como dissidência do Concretismo, qualificado de "vanguarda velha". Chamie propôs uma ação poética que se desenvolvesse em três fases: a de composição, a de "levantamento de áreas" e a de consumo. Segundo o poeta, "o autor práxis não escreve sobre temas. Ele parte de áreas (seja um fato externo ou emoção), procurando conhecer todos os significados e contradições possíveis e atuantes dessas áreas, através de elementos sensíveis que conferem a elas realidade e existência. Esses elementos sensíveis são levantados. Infra-estrutural e primordialmente são eles: o vocabulário da área (não o ensejado pela subjetividade dominadora do autor); as sintaxes que a manipulação desse vocabulário engendra; a semântica implícita em toda sintaxe organizada; a pragmática que decorre, de vez que, na mesma medida em que o autor partiu da área e de seu vocabulário para chegar a um texto, o leitor pode praticar o mesmo processamento a partir do levantamento de uma dada área."

No poema "Lavra Dor", de Chamie, o resultado das três etapas de criação poética propostas pelo autor pode ser observado. A Poesia-Práxis filia-se às vanguardas concretistas, ainda que procure contrapor-se a elas. Seus traços formais mais relevantes remetem à noção de poema como objeto autocentrado.

Já a Poesia Marginal procura justamente contextualizar a construção poética, submetê-la à realidade social, e retomar a subjetividade lírica. O crítico Alfredo Bosi (1936) enumerou assim as principais características dessa nova poética:

"1) Ressurge o discurso poético e, como ele, o verso, livre ou metrificado - em oposição à sintaxe ostensivamente gráfica.

2) Dá-se nova e grande margem à fala autobiográfica, com toda a sua ênfase na livre, se não anárquica, expressão do desejo e da memória. - em contraste com o desdém pela função da linguagem que o experimentalismo formal programava.

3) Repropõe-se com ardor o caráter público e político da fala poética - em oposição a toda teoria do autocentramento e auto-espelhamento da escrita. Subordina-se a construção do objeto à verdade (real ou imaginária) do sujeito e do grupo."

Além das características apontados por Bosi, podemos lembrar traços formais relevantes como a fragmentação do discurso, que remete à técnica do fluxo de consciência, a citação e a paródia de poetas modernistas, a diluição dos limites entre poesia e prosa, a incorporação de outras linguagens e diferentes níveis de fala, como o coloquialismo e a gíria. No plano temático, houve valorização da abordagem do cotidiano, da auto-ironia, da metalinguagem, do questionamento existencial, social e político. As obras de Ana Cristina Cesar e Paulo Leminski são exemplares dessa nova concepção de poesia.

A fragmentação do discurso também marca a linguagem poética do Tropicalismo, último importante movimento cultural ocorrido no Brasil, segundo alguns estudiosos. Inspirados pela antropofagia de Oswald de Andrade, os tropicalistas propunham a "deglutição" musical da Bossa Nova, dos ritmos brasileiros tradicionais e dos ritmos estrangeiros, como o rock, contrapondo-se às canções ligadas unicamente à tradição ou ao protesto político. Nas letras de suas canções, elementos do discurso cinematográfico, como a justaposição de imagens, e da linguagem concretista, como a enunciação caótica, são alguns dos traços mais relevantes. Na música, a incorporação de guitarras elétricas, misturadas a instrumentos tradicionais da canção popular brasileira, foi um dos modos de pôr em prática a releitura da antropofagia modernista. Esses traços podem ser identificados em "tropicália", considerada o manifesto do movimento, e em várias outras canções de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Para Heloisa Buarque de Hollanda e Marcos A. Gonçalves, "na opção tropicalista o foco de preocupação política foi deslocado da área de Revolução Social para o eixo da rebeldia, da intervenção localizada, da política concebida enquanto problemática cotidiana, ligada à vida, ao corpo, ao desejo, à cultura em sentido amplo. Na relação com a indústria cultural essa nova forma de conceber a política veio a se traduzir numa explosiva capacidade de provocar áreas de atrito e tensão não apenas no plano específico da linguagem musical, mas na própria exploração dos aspectos visuais/corporais que envolviam suas apresentações. Uma "tática de guerrilha", que poderia ser relacionada às formas de protesto da juventude, à linguagem fragmentada das passeatas com seus comícios-relâmpago, sua retórica e seu ritmo de centralização/ descentralização."

Dentre os inúmeros autores importantes do período destacam-se Mário Chamie, Ana Cristina César, Paulo Leminski, Caetano Veloso e Adélia Prado (1935).

Mário Chamie, de acordo com Nelly Novaes Coelho (1922), mostra-se "altamente consciente da revolução da linguagem que se vinha operando na poesia brasileira desde as conquistas de 22", e "assume-a como 'revolução do conhecimento' e como 'consciência política'. Seu vanguardismo não se limita a uma revolução formal. Vai mais longe. Procura atingir a gênese dos fenômenos. (...) Manipulando 'signos' em lugar de metáforas ou símbolos, Chamie faz da poesia um ato imperativo que incita ao 'fazer'. Assume o 'tempo presente' e o 'homem' que nele vive. Finca os pés no 'espaço concreto' onde a vida se cumpre: 'O espaço do homem/ na praça./ O espaço do homem/ em luta/ com a fúria de outro tempo/ sua surda fúria muda'."

Ana Cristina Cesar, segundo Regina Helena Souza da Cunha Lima, "disse antes que sua poesia era mais cinema do que teatro, mas é mais ainda, é poesia-tevê. Videoclip. Em nossa ilha de edição podemos, ao ler esses poemas, esgrimar (...) Esta escritura está inserida nesse tempo de simultaneidade dos canais. Tempo de tecnologia. Tempo de trabalhos, como o da construção de uma torre de vídeo para espetáculo planetário. (...) Trata-se de várias linguagens ao mesmo tempo (...) Linguagens inseridas na idéia de coexistência de tempo e poesia: lugar de presença. (...) A escritura de ACC traz a intensidade de hoje. Escrita em estado de urgência. Velocidade que fragmenta a unidade, onde o corte recupera uma autonomia sua."

Sobre Paulo Leminski, Haroldo de Campos (1929 - 2003) afirmou: "Caipira cabotino (como diz afetuosamente o Julinho Bressane) ou polilíngue paroquiano cósmico, como eu preferiria sintetizar numa fórmula ideogrâmica de contrastes, esse caboclo polaco-paranaense soube, muito precocemente, deglutir o pau-brasil oswaldiano e educar-se na pedra filosofal da poesia concreta (até hoje no caminho da poesia brasileira), pedra de fundação e de toque, magneto de poetas-poetas. Das primeiras invencionices ao Catatau, da poesia destabocada e lírica (mas sempre construída, sabida, de 'fabbro', de fazedor) ao verso verde-verdura da canção trovadoresco-popular, o Leminski vem chovendo no endomingado piquenique sobre a erva em que se converteu a neoacadêmica poesia brasileira de hoje, dividida entre institucionalizadas marginalidades plácidas e escoteiros orfeônicos, de medalinha e braçadeira. E é bom que chova mesmo, com pedra e pau-a-pique. Evoé Leminski!"

Caetano Veloso foi definido por Gilberto Gil como "o mais original compositor/criador musical da nossa geração e essa originalidade reside no tratamento elegante e delicado que dá à sua inequívoca ousadia poética, à exploração de um modernismo melódico/harmônico que equilibra com perfeição signos da melhor tradição da música popular nacional (samba, canção, baião, toada nordestina), à utilização dos elementos arrojados da modernidade pop e rock (incluíndo aí, se quisermos, as influências da Escola de Viena a Stockhousen). (...) A música de Caetano é um convite e um estímulo à meditação sobre a eterna tragédia da solidão do ser e da contingência da vida, um estímulo ao cultivo da palavra sonora, hospedeira da verdade e da mentira: pertence, quase, ao plano da Filosofia."

Adélia Prado é uma das vozes femininas mais significativas da nova geração de poetas surgida nos anos 70. Para Affonso Romano de Sant?Anna, "além de ter instalado uma linguagem sua e além de ter se enraizado em sua paisagem natural, Adélia descobre a mulher concreta dentro de si mesma, além das ideologias, além dos preconceitos, e assume uma eroticidade que, de repente, faz ressaltar a eroticidade ausente de nossa "poesia feminina" convencional. Nesse sentido, ela, lá em Divinópolis, está ao lado das mulheres de sua geração, redescobrindo a seu modo um espaço erótico e vital, que algumas poetisas jovens, ligadas ao que se convencionou chamar de "poesia marginal", também andam fazendo: a redescoberta de uma linguagem que se afasta da maneira masculina de ver o mundo, um modo de escrever sem pedir de empréstimo os lugares-comuns da ideologia social e literária."

Fontes de pesquisa 6

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  • BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1974. 571 p.
  • CASTELLO, José Aderaldo. A literatura brasileira: origens e unidade: 1500-1960. São Paulo: Edusp, 1999. 2. v.
  • FAUSTO, Boris. História do Brasil. 2. ed. São Paulo: Edusp: Fundação do Desenvolvimento da Educação, 1995.
  • HOLLANDA, Heloisa Buarque de; Gonçalves, Marcos Augusto. Cultura e participação nos anos 60. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982. (Tudo é história, 41).
  • LAJOLO, Marisa. Literatura: leitores & leitura. São Paulo: Moderna, 2001.
  • PAIXÃO, Fernando (Coord.). Momentos do livro no Brasil. São Paulo: Ática, 1997.

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