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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Gonçalo Ivo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.10.2017
15.01.1958 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

O Semeador, 1998
Gonçalo Ivo
Óleo sobre tela
180,00 cm x 200,00 cm

Gonçalo Ivo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Artista plástico, arquiteto. Filho do jornalista e poeta Lêdo Ivo (1924-2012) e da professora Maria Leda Sarmento de Medeiros Ivo (1923-2004), é influenciado pela circulação dos pais em ambientes culturais. Além de conhecer escritores, frequenta desde criança ateliês de artistas plásticos, como...

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Biografia

Gonçalo Ivo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Artista plástico, arquiteto. Filho do jornalista e poeta Lêdo Ivo (1924-2012) e da professora Maria Leda Sarmento de Medeiros Ivo (1923-2004), é influenciado pela circulação dos pais em ambientes culturais. Além de conhecer escritores, frequenta desde criança ateliês de artistas plásticos, como Iberê Camargo (1914-1994). Adolescente, matricula-se em aulas de pintura e de desenho no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro (MAM/RJ). As aulas são ministradas pelos artistas Aluísio Carvão (1920-2001) e Campos Mello (1932), que lhe apresentam o que há de mais notável na produção corrente nas artes visuais.

Em 1983, forma-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e, durante a década de 1980, trabalha como ilustrador e designer gráfico para editoras em São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1986, leciona pintura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) como professor visitante. Estabelece ateliê no bairro de Santa Teresa e também em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, onde reside. Participa de mostras coletivas e Salões de Artes, e integra, em julho de 1984, a exposição Como Vai Você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com outros 123 artistas.

Faz viagens de pesquisa pelo litoral do Brasil, América Latina e Europa desde 1980. Nelas, coleta materiais da natureza, observa e registra a arquitetura vernacular e, nas metrópoles culturais, visita museus. Os primeiros livros sobre sua produção são editados na década de 1990, período de intensa produção e participação do artista em mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Destaque para a exposição no Paço Imperial, Rio de Janeiro; a International Watercolor Exhibition, em Bilbao, Espanha; e a Recent Works, na Lewarne Galleries, em Vancouver, Canadá. Em 2000, passa a viver no interior da França e, em seguida, em Paris. Suas obras fazem parte de acervos do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/SP), da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e do Deutsche Bank. 

Análise

A obra de Gonçalo Ivo articula-se sobre três elementos fundamentais: a geometria, a cor e o processo de criação. Desde jovem, por meio da coleção de arte do pai, convive com a poética de Alfredo Volpi (1896-1988), Iberê Camargo e Lygia Clark (1920-1988). A geometria presente na obra desses artistas é explorada na formação em arquitetura e urbanismo. Elementos de composição como superfícies, fachadas, azulejaria e paisagem são incorporados em suas pinturas. Na poética de Gonçalo Ivo, a geometria organiza-se de modo impreciso, como uma “arquitetura da favela”1, na qual os elementos compositivos não apontam para um centro, mas se encontram distribuídos como em paisagens.

Os pigmentos são criados como parte do processo artístico: a cor na obra de Ivo não é dada, mas inventada pela investigação dos recursos oferecidos pelos materiais. Como Volpi, Ivo interessa-se pelo uso da têmpera que, somada à tinta óleo e à aquarela, determina a escolha para a produção de sua pintura. O uso da cor é intuitivo, e ela prevalece sobre a grande variedade de estruturas formais, que transitam do transparente ao opaco. Esse conhecimento de materiais revela-se na pintura, ofício entendido como artesania. Ivo associa-se à tradição  que considera preponderante o domínio técnico na concepção e no desenvolvimento dos trabalhos. Outras influências, como música e religião, instauram estados contemplativos e harmônicos em sua poética. 

A trajetória de Ivo inicia-se no final da década de 1970. Apesar de contemporâneo da chamada “geração 80”, declara nunca sentir-se integrante do grupo de jovens pintores cariocas. Nessa época, sua pintura figurativa destoa do interesse de seus colegas dedicados à abstração. Sua independência artística influencia a decisão de se mudar para a Europa, onde encontra interlocutores – comerciais e intelectuais – para seu trabalho. 

A incorporação de objetos em sua obra ocorre em meados da década de 1980, quando aplica pregos a um bloco de madeira encontrado nos arredores de seu ateliê em Teresópolis. Anos depois, cria uma série em que utiliza caixas de charuto como suporte para colagens e pintura. Apesar do uso de suportes alternativos, não considera esses objetos como entidades escultóricas, mas como extensão de sua pintura.

A década de 1990 evidencia o interesse pela pintura primitiva brasileira e africana e pela arte da Oceania. Como exemplo deste período, destaca-se a série Panos da Costa, que apresenta pinturas compostas por padrões quase gráficos devido à repetição de elementos. O termo “pano da costa” faz referência a um tecido utilizado por mulheres africanas como proteção contra o mau-olhado. Nas séries Tissu d’Afrique e Prière, ambas da primeira década dos anos 2000, Gonçalo Ivo amplia a experimentação de materiais: utiliza colagens de papéis estampados e folhas de ouro sobre têmpera. O resultado lembra superfícies têxteis que abrigam ritmos heterogêneos.

As pinturas de Ivo traduzem suas referências e interesses, desde os mestres do passado até as paisagens vernaculares, em uma contundente observação do mundo real.

Notas

1 Entrevista de Gonçalo Ivo ao jornal O Estado de S. Paulo, 17 abr. 2007. Disponível em: < http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,sutilezas-da-obra-de-um-colorista-invade-a-dan-galeria,20070417p2040> . Acesso em: maio 2017.

 

 

Obras 19

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Exposições 173

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Eventos relacionados 20

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Fontes de pesquisa 14

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  • ARAÚJO, Olívio Tavares de. Pintura brasileira do século XX: trajetórias relevantes. Rio de Janeiro: Editora 4 Estações, 1998.
  • AYALA, Walmir. Geração 80: entre punks e panquecas. Ventura, Rio de Janeiro, Spala, v. 2, p. 15-19, jun/ago, 1989.
  • BERG, Len. O pintor, o real e a arte. Guia das Artes, São Paulo: Casa Editorial Paulista, v. 5, n. 23, p. 30- 35, 1990.
  • CRUZ, José Maria Dias. Gonçalo Ivo, o livro das árvores. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
  • ECO art. Tradução Angela Brant Ribeiro; tradução Maria Luiza Crespo e Milena Guinle; apresentação Julio Bozano; comentário Geraldo Edson de Andrade e Charles Merewether. Rio de Janeiro: Spala, 1992.
  • FERREIRA, Telma Cristina. Novos geômetras. Galeria: revista de arte, São Paulo: Area Editorial, n. 2, p. 64-70, 1986.
  • GERAÇÃO 80: núcleo jovem MP2 Arte. Apresentação de Jorge Guinle. Rio de janeiro: MP2 Arte, 1984.
  • IVO, Gonçalo. Gonçalo Ivo : pinturas recentes. Rio de Janeiro: Galeria Anita Schwartz, 1999.
  • IVO, Gonçalo; COCCHIARALE, Fernando. Gonçalo Ivo, 1958. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheke, 2008.
  • IVO, Gonçalo; XEXÉO, Mônica. Arte em diálogo: criação, produção, processo. Rio de Janeiro Museu Nacional de Belas Artes, 2008.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes Plásticas Brasil 2002. São Paulo: Júlio Louzada, 2002. v. 13. R702.9 L895a v.13
  • MORAES, Frederico e ASSIS, Célia de (coords. ). O Brasil na visão do artista : a natureza e as artes plásticas. Edição Lizete Mercadante Machado. São Paulo: Prêmio, 2001.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS, 4., 1981, Rio de Janeiro, RJ. 4ª Salão Nacional de Artes Plásticas. Rio de Janeiro: Funarte, 1981.
  • VELHA mania: desenho brasileiro. Apresentação Marcus de Lontra Costa; texto Roberto Pontual. Rio de Janeiro, RJ: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 1985.

Como citar

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