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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Elizabeth Jobim

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
1957 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Sem Título, 2000
Elizabeth Jobim
Acrílica sobre papel
140,00 cm x 200,00 cm

Elizabeth Jobim (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Desenhista, pintora, gravadora. Realiza estudos de desenho e pintura com Anna Bella Geiger (1933), Aluísio Carvão (1920-2001) e Eduardo Sued (1925), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), entre 1981 e 1985. Cursa comunicação visual na Pontifícia Universidade Católica do Rio de...

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Biografia
Elizabeth Jobim (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Desenhista, pintora, gravadora. Realiza estudos de desenho e pintura com Anna Bella Geiger (1933), Aluísio Carvão (1920-2001) e Eduardo Sued (1925), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), entre 1981 e 1985. Cursa comunicação visual na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), a partir de 1981. Nessa universidade, entre 1988 e 1989, faz curso de especialização em História da Arte e da Arquitetura no Brasil. Entre 1990 e 1992, faz mestrado em Belas Artes na School of Visual Arts, em Nova York, nos Estados Unidos. A partir de 1994, leciona no Ateliê de Desenho e Pintura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro.

Análise
No fim da década de 1990, Elizabeth Jobim expõe desenhos realizados, em sua maior parte, em óleo sobre papel, nos quais retoma o gênero da natureza-morta. Seu ponto de partida são arranjos feitos com pedras, que em seus desenhos são representadas por linhas fluídas, que muitas vezes chegam a escorrer. Os traços largos e irregulares estabelecem contornos e sugerem volumes.

Na opinião do crítico de arte Rodrigo Naves, Elizabeth Jobim, com base na estrita bidimensionalidade de seus desenhos, produz impressões distantes tanto da impressão de profundidade dada pela perspectiva quanto da pura planaridade moderna. Configurados por linhas fluídas e espessas, os corpos parecem adquirir uma consistência esponjosa, um volume ambíguo e frágil.

Para Naves, destaca-se em seus trabalhos a forma original com que a artista utiliza a linha, de largura pouco comum no desenho. Jobim não cria, entretanto, maior definição dos objetos desenhados, não contribui para sua solidificação, mas torna excessivamente presentes as arestas que compõem essas pedras, rebaixando sua solidez. Confere assim certa maleabilidade às pedras, tornando aparentemente orgânicas coisas que se resumiriam a uma exterioridade plena e mineral. Fazendo referência ao cubismo, a artista não procura oferecer, simultaneamente, a visão de todas as faces de um sólido, mas cria uma tridimensionalidade interna. Segundo alguns críticos, sua obra faz referências à produção de Philip Guston (1913-1980) e Claes Oldenburg (1929), apresentando também afinidade com os desenhos de Tunga (1952).

Em trabalhos realizados em 2002, Elizabeth Jobim combina várias folhas desenhadas tanto ao acaso quanto as desenhadas numa relação de continuidade entre as formas. Utilizando-as como fragmentos permutáveis, por meio da montagem, a artista intervém criando relações entre as formas, que mudam cada vez que esses trabalhos são expostos. Assim explora relações da parte com o todo e de continuidade e descontinuidade.

Elizabeth Jobim, ainda no fim da década de 1990, realiza pinturas de pequenas dimensões, com base em obras do italiano Giorgio Morandi (1890-1964). O universo de Morandi, com seu equilíbrio, silêncio e convite à introspeção, é recriado com pinceladas gestuais e certa ironia. As naturezas-mortas recriadas pela artista tendem a uma instabilidade, não revelando a quietude e a estabilidade tradicionais desse gênero de pintura. Ao partir da natureza-morta, tanto em seus desenhos quanto nas telas, ela retoma uma tradição um tanto esquecida e depreciada em alguns períodos da história da arte. Na opinião do crítico Paulo Venancio Filho, as obras de Elizabeth Jobim são a afirmação da irrevogabilidade e também do desabamento dessa tradição.

Obras 40

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Exposições 60

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Feiras de arte 3

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Mídias (1)

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Elizabeth Jobim - Enciclopédia Itaú Cultural
Formada em comunicação visual, Elizabeth Jobim decide investir na carreira artística após estudar com a pintora Anna Bella Geiger. “Fiquei fascinada pela arte e me joguei na coisa”, comenta a artista. Para ela, o processo de criação, quando bem-sucedido, ganha uma espécie de autonomia e passa a guiar o artista por entre as técnicas e os materiais disponíveis. “Acho que o trabalho toma uma direção própria, ele vai te levando, você vai seguindo. Porque, na verdade, você não escolhe se vai usar vermelho ou azul. Aquilo só dá para usar vermelho ou azul. Se for amarelo, não funciona”, afirma. Mas isso não significa que seja um trabalho sempre agradável ou prazeroso. A angústia, diz Elizabeth, faz parte do processo. “Sempre tem angústia. Sem angústia não tem graça, né?”, brinca.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 12

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  • ACERVO contemporâneo. Niterói: Galeria de Arte/UFF, 1990. , il. p&b.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. Coordenação Marli Matsumoto; tradução Stephen Berg. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 2000. 24 p., il. color.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. Rio de Janeiro: Espaço Cultural Sérgio Porto, 2002. folha dobrada, il. p&b color.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1990. , il. p&b.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. São Paulo: Centro Universitário Maria Antônia, 2002.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1997. folha dobrada, il. p&b color.
  • JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim: aquarelas e óleos. Rio de Janeiro: Museu da República, 1993. , il. color.
  • NAVES, Rodrigo. As coisas certas. In: JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. Coordenação Marli Matsumoto; tradução Stephen Berg. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 2000. 24 p., il. color.
  • O ESPÍRITO da nossa época: coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz. Curadoria Stella Teixeira de Barros, Ricardo Resende; versão em inglês Thomas William Nerney, Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MAM, 2001.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS, 5., 1982, Rio de Janeiro, RJ. 5º Salão Nacional de Artes Plásticas. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
  • VELHA mania: desenho brasileiro. Apresentação Marcus de Lontra Costa; texto Roberto Pontual. Rio de Janeiro, RJ: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 1985.
  • VENANCIO FILHO, Paulo. Desenhos que desabam. In: JOBIM, Elizabeth. Elizabeth Jobim. Texto Paulo Venancio Filho; tradução Paulo Henriques Britto. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1998. 40p. il., foto color.

Como citar

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