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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Levino Fanzeres

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.01.2016
06.06.1884 Brasil / Espírito Santo / Cachoeiro de Itapemirim
1956 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

As Flores Enfeitam Agora a Tristeza do Abandono! - Iguaçu Velho, 1948
Levino Fanzeres
Óleo sobre tela, c.i.e.
116,00 cm x 73,00 cm
Acervo Cultural do Palácio Anchieta (Vitória, ES)

Levino de Araújo Vasconcelos Fanzeres (Cachoeiro de Itapemirim ES 1884 - Rio de Janeiro RJ 1956). Pintor e professor. Muda-se para o Rio de Janeiro jovem, levado pelo pai, Salvador Fanzeres. Estuda no Liceu de Artes e Ofícios com Artur Machado e Evêncio Nunes (1870-s.d.). Em 1910, ingressa na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde torna-se ...

Texto

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Biografia
Levino de Araújo Vasconcelos Fanzeres (Cachoeiro de Itapemirim ES 1884 - Rio de Janeiro RJ 1956). Pintor e professor. Muda-se para o Rio de Janeiro jovem, levado pelo pai, Salvador Fanzeres. Estuda no Liceu de Artes e Ofícios com Artur Machado e Evêncio Nunes (1870-s.d.). Em 1910, ingressa na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde torna-se discípulo de João Zeferino da Costa (1840-1915) e Baptista da Costa (1865-1926). No ano seguinte, participa pela primeira vez da Exposição Geral de Belas Artes e recebe uma menção honrosa. Em 1912, ganha o prêmio de viagem à Europa com a tela Remorso de Judas. Passa quatro anos em Paris, onde tem aulas com Fernand Cormon (1845-1924), Henri Chartier (1859-1924) e Gustave Debrié. Pinta paisagens dos arredores da cidade. Quando retorna, em 1916, faz uma exposição individual no Rio de Janeiro e funda a Colméia dos Pintores do Brasil, curso gratuito de pintura de paisagem ao ar livre, que funciona na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Ali orienta vários alunos, como Garcia Bento (1897-1929), Jurema Albernaz, Codro Palissy, Antônio Cotias, Miguel d'Ambra e Alfredo Rodrigues. Em 1921, recebe a grande medalha de prata na Exposição Geral de Belas Artes. Há quadros seus nas coleções das prefeituras de São Paulo, de Belém e de Belo Horizonte, assim como no palácio de governo do Espírito Santo. A Colméia continua funcionando após sua morte.

Comentário Crítico
Levino Fanzeres recebe o prêmio de viagem à Exterior graças a uma pintura histórica, no segundo ano em que participa da Exposição Geral de Belas Artes. Entretanto, ele é quase exclusivamente um pintor de paisagens.

Vai a Paris, mas não se deixa influenciar pelas novidades artísticas da época. Estuda em ateliês de pintores acadêmicos1  e sai para pintar os arredores da cidade. O impressionismo gera nele apenas um interesse tardio e efêmero2. Os únicos pontos em comum com o movimento são o fato de ele pintar ao ar livre e de representar por vezes a mesma paisagem em diversos horários, registrando as mudanças de luz.

Volta ao Brasil em 1916, mas não à Escola Nacional de Belas Artes (Enba). É desprezado por não inovar, não expressar algo de particular e pessoal em sua obra. O crítico e jornalista Angyone Costa, ao tratar de Edgar Parreiras, desaprova Fanzeres: "...sua paisagem é bem estudada, mas a sua interpretação carece de individualidade e de renovação... [é um lástima] que elle venha a confinar-se pintando coisas com tendências a oleografias, como os quadros de molduras sumptuosas, do Sr. Levino Fanzeres."3  O crítico José Roberto Teixeira Leite considera ser essa a mais exata definição da obra do pintor.4

No entanto, a cor nas telas de Fanzeres é elogiada, tida por mais vívida5  e menos monótona6  do que a do seu mestre João Baptista da Costa (1865-1926). Geralmente usa cores luminosas, mas por vezes transmite um sentimento angustiado em razão dos tons rebaixados e soturnos, marrons e avermelhados, que emprega nos crepúsculos.7  De fato, são fortes e vibrantes os verdes das paisagens de colinas com vegetação. Já nas vistas com água, mar ou rio, os tons são pastéis e mais claros.

O desenho é sempre correto, mas a composição é conservadora. Muitas vezes se repete o esquema de um primeiro plano de onde parte um rio ou um caminho que atravessa o médio plano e faz a ligação com uma linha do horizonte cortada por montanhas ou árvores. Tudo muito centrado.

Assim, reúnem-se em Fanzeres o academicismo das técnicas de pintura e o modernismo da pintura ao ar livre e dos ideais românticos do artista artesão em comunhão com a natureza, que ele realiza ao criar o curso de pintura na Quinta da Boa Vista, a Colméia dos Pintores do Brasil.

 

Notas
1 LOPES, Almerinda da Silva. PASSAGENS e itinerários da arte: Homero Massena, Levino Fanzeres e Orlando da Rosa Farya. Vilha Velha: Fundação Vale do Rio Doce, 2005, s/ p.
2 Idem.
3 COSTA, Angyone. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro: Pimenta de Mello & Cia, 1927, p. 16.
4 LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988, p. 190.
5 Idem.
6 Silva, Nogueira da; in: PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969, p. 201-202.
7 LOPES, Almerinda da Silva. PASSAGENS e itinerários da arte: Homero Massena, Levino Fanzeres e Orlando da Rosa Farya. Vilha Velha: Fundação Vale do Rio Doce, 2005, s/ p.

Obras 4

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Quietude

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Terra Virgem

Óleo sobre tela

Exposições 25

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Fontes de pesquisa 18

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  • A PINACOTECA do Estado. Texto Carlos Alberto Cerqueira Lemos, Paulo Mendes da Rocha, Maria Cecília França Lourenço; apresentação Ricardo Ohtake, Emanoel Araújo; fotografia Romulo Fialdini; projeto gráfico Jorge Visniauskas, Itamar Carlos; pesquisa Malú Grima, Sandra Regina Gonçalves, Lucila de Sá Carneiro, Carlos Dal Rovere Júnior, Carmem Correa, José de Oliveira Júnior, Paulo de Tarso. São Paulo: Banco Safra, 1994. 319 p., il. color. p.138/139.
  • ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942. v. 1.
  • ARTE BRASILEIRA século XX: Galeria Eliseu Visconti: pinturas e esculturas. Rio de Janeiro: MNBA, 1984.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • COSTA, Angyone. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro: Pimenta de Mello & Cia, 1927. 300 p.
  • Caminho das águas. Belém: Fundação Cultural do Município de Belém, 1995.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). p. 124
  • FANZERES, Levino. Levino Fanzeres: pinturas. Vitória: Galeria de Arte Alvaro Conde, 1989. , il. color., foto p&b.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LOPES, Almerinda da Silva. Arte no Espírito Santo do século XIX à Primeira República. Fotografia Marcem Pimentel Garcia, Valéria Falqueto, Gese Miriam Loriato, Rosângela Almeida Medeiros. Vitória: [s.n.], 1997. 240 p., il. p.169-176.
  • MARA Alvares: pinturas. Porto Alegre: Galeria Tina Presser, 1984.
  • PASSAGENS e itinerários da arte: Homero Massena, Levino Fanzeres e Orlando da Rosa Farya. Texto Almerinda da Silva Lopes. Vilha Velha: Fundação Vale do Rio Doce, 2005. Não paginado, il. color.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. São Paulo: Banco Safra, 1994. 319 p., il. color.
  • PINACOTECA do Município de São Paulo: Coleção de Arte da cidade. Apresentação Carlos Augusto Calil; Texto Maria Camila Duprat Martins, Stella Teixeira de Barros, Evando Piccino et. al. São Paulo: Banco Safra, 2005. 356 p. p. 284.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar

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