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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Vieira da Silva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.05.2019
13.06.1908 Portugal / Distrito de Lisboa / Lisboa
06.03.1992 França / Ile de France / Paris
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Les Contours de L'Orage, 1956
Vieira da Silva
Óleo sobre tela
100,00 cm x 98,00 cm

Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa, Portugal 1908 - Paris, França 1992). Pintora, gravadora, desenhista, ilustradora e escultora. Estuda desenho, dos 11 aos 19 anos, com Emília Santos Braga e pintura com Armando Lucena, além de freqüentar cursos de anatomia da Escola de Medicina de Lisboa e aprender música em casa. Em 1928, muda-se para Paris....

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Biografia

Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa, Portugal 1908 - Paris, França 1992). Pintora, gravadora, desenhista, ilustradora e escultora. Estuda desenho, dos 11 aos 19 anos, com Emília Santos Braga e pintura com Armando Lucena, além de freqüentar cursos de anatomia da Escola de Medicina de Lisboa e aprender música em casa. Em 1928, muda-se para Paris. Prossegue os estudos de desenho na Académie de La Grande Chaumière e de escultura com Bourdelle e, na Academia Escandinava, com Despiau. Abandona a escultura e passa a dedicar-se à pintura e à gravura, tendo estudado com Dufresne, Waroquier, Friesz, Fernand Léger (1881 - 1955), Bissière e Hayter. Em 1930, casa-se com o pintor húngaro Arpad Szenes (1897-1985). Em 1933, faz ilustrações para um livro infantil e as apresenta em sua primeira individual. Em 1939, a artista deixa Paris e volta à Lisboa devido a 2ª Guerra Mundial, confiando suas obras e ateliê à galerista Jeanne Bucher. No ano seguinte, parte para o Brasil e instala-se, inicialmente, no Hotel Internacional, no Rio de Janeiro, onde convive com outros artistas europeus que se exilaram no país. Conhece os poetas Murilo Mendes (1901-1975) e Cecília Meireles (1901-1964) e o pintor Carlos Scliar (1920-2001). No mesmo ano, Vieira e Arpad fazem, para a Escola Nacional de Agronomia, painéis de azulejos e retratos de cientistas, nomeando esse conjunto de Quilômetro 44, referência ao endereço da Escola. Em 1947, retorna a Paris, onde realiza muitas exposições. Em 1949, Pierre Descargues publica a primeira monografia sobre a artista e, em 1954, o crítico Guy Weelen passa a organizar e divulgar a sua obra e a de seu marido, tendo escrito uma série de estudos e organizado diversas exposições. Naturaliza-se francesa em 1956. Em 1963, realiza em Reims, França, seu primeiro vitral, no Ateliê Jacques Simon. Em 1968,  inicia com Charles Marq uma série de vitrais para a Igreja Saint-Jacques, concluídos apenas em 1976. Recebe diversos prêmios e títulos e torna-se membro de associações artísticas como a Académie des Sciences, des Arts et des Lettres de Paris e a Royal Academy of Art de Londres. No Brasil, recebe prêmios na 2ª e  6ª Bienais Internacionais de São Paulo. Em 1990 é fundada em Lisboa a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

Análise

Nascida em Portugal, Maria Helena Vieira da Silva estuda na Escola de Belas Artes de Lisboa. Muda-se para Paris em 1928, onde estuda escultura. Passa a dedicar-se à pintura e gravura, estudando com Fernand Léger (1881-1955). Em 1930, casa-se com o artista húngaro Arpad Szenes. Suas obras situam-se entre figuração e abstração. A pintura da artista apresenta uma preocupação em revelar ambigüidades do espaço e da profundidade representados sobre uma superfície plana. Predomina em seus quadros o emprego de uma rede quadriculada, obtida por meio das linhas e de suas interseções, que formam planos semelhantes a quadrados coloridos, como ocorre em La Chambre à Carreaux [O Quarto Quadriculado], de 1935. No quadro L'Atelier Lisbonne [O Ateliê Lisboa], de 1940, pequenos quadrados giram para constituir um interior em perspectiva. No centro da composição, figuras fazem um círculo, lembrando A Dança de Matisse, em um registro espectral. A artista revela também a importância de obras de Bonnard (1867 - 1947), em especial o quadro Le Nappe à Carreaux [A Toalha Quadriculada], que vê ao chegar em Paris, e das composições abstratas de Torres Garcia (1874 - 1949).

O casal Arpad Szenes e Vieira da Silva vem para o Brasil em 1940, devido à Segunda Guerra Mundial, instalando-se no antigo Hotel Internacional, no Rio de Janeiro. Lá convive com intelectuais e pintores, como Cecília Meireles, Murilo Mendes (1901 - 1975) e Carlos Scliar. Em 1941, Vieira da Silva pinta La Forêt des Erreurs [A Floresta dos Errantes], quadro que apresenta um ritmo visual quase vertiginoso e uma gama cromática rebaixada, com predomínio de amarelos e verdes. O casal funda o Ateliê Silvestre, que se transforma em centro de discussões artísticas. Traz ao Brasil a novidade da abstração que, no caso de Vieira da Silva, evoca formas de associação entre cores, texturas, ritmos e intervalos.

Vieira da Silva, ao longo de sua carreira, mantém uma trajetória coerente e independente das correntes artísticas com as quais se deparou. Na opinião do historiador da arte Nelson Aguilar, o impacto de sua obra pode ser reconhecido no Brasil, por exemplo, nos painéis de azulejos realizados para projetos paisagísticos de Burle Marx (1909-1994) e também na obra de Carlos Scliar e Athos Bulcão (1918-2008).

Obras 55

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Arraial

Guache sobre papel
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Bahia Imaginée

Têmpera e óleo sobre tela

Exposições 141

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 19

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  • AGUILAR, Nelson Alfredo. Figuration et spatialisation dans la peinture moderne brésilienne: le séjour de Vieira da Silva au Brésil (1940-1947). 1984. 314p. Dissertação (Doutorado) Université Jean Moulin ? Lyon III, Faculté de Philosophie, Lyon, 1984.
  • AGUILAR, Nelson Alfredo. Vieira da Silva no Brasil. Colóquio: Artes, Lisboa, n.27, pp. 5-15, 1976.
  • ARAÚJO, Marcelo Mattos (coord.); BAEZ, Elizabeth Carbone (coord.); REGO, Ivonne Felman Cunha (coord.). Arpad Szenes e Vieira da Silva: retratos. Curadoria José Sommer Ribeiro; texto Nelson Aguilar. Rio de Janeiro: Museus Castro Maya, 1997. 28 p., il. p&b color.
  • CHAR, René. Nove agradecimentos a Vieira da Silva. In: VIEIRA da Silva. Texto Murilo Mendes, Mário Cesariny, José Augusto França, René Char. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. 217 p., il., pp. 24-25.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FRANÇA, José Augusto. Da poesia Plástica (Ed. Cadernos de Poesia 1950-1951). In: VIEIRA da Silva. Texto Murilo Mendes, Mário Cesariny, José Augusto França, René Char. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. 217 p., il., p. 27.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira. Relâmpagos: dizer o ver. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 176 p., il. p&b color.
  • LASSAIGNE, Jacques. A operação criadora. In: ______ & WEELEN, Guy. Vieira da Silva. Barcelona: Publicações Europa-América, 1978., p. 146-151.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MENDES, Murilo. Vieira da Silva. In: VIEIRA da Silva. Texto Murilo Mendes, Mário Cesariny, José Augusto França, René Char. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. 217 p., il., pp. 19-20.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ROSENTHAL, Gisela. Vieira da Silva 1980-1992. À procura do Espaço Desconhecido. Lisboa, Colônia, Taschen, 1998.
  • SILVA, Maria Helena Vieira da. Vivíamos assim como uma borboleta. In: TEMPOS de guerra: Hotel Internacional / Pensão Mauá. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • SILVA, Vieira da. Vieira da Silva nas coleções portuguesas. São Paulo: Masp, 1987.
  • SILVA, Vieira da. Vieira da Silva. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. 30 il. color.
  • VALLIER, Dora. Chemins d'approche: Vieira da Silva. Paris, Galilée, 1982. (Écritures/figures).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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