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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Luiz Alphonsus

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.10.2019
09.03.1948 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Registro Fotográfico Sérgio Guerini/ Itaú Cultural

Série Paisagens Cariocas, Ivone, Copacabana
Luiz Alphonsus

Luiz Alphonsus de Guimaraens (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1948). Artista multimídia. Em 1955, muda-se para o Rio de Janeiro e, em 1961, para Brasília, onde começa a atividade artística. Integra o grupo formado por Cildo Meireles (1948), Guilherme Vaz (1948) e Alfredo Fontes. Em 1967, participa do 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal. D...

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Luiz Alphonsus de Guimaraens (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1948). Artista multimídia. Em 1955, muda-se para o Rio de Janeiro e, em 1961, para Brasília, onde começa a atividade artística. Integra o grupo formado por Cildo Meireles (1948), Guilherme Vaz (1948) e Alfredo Fontes. Em 1967, participa do 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal. De volta ao Rio, participa do Salão da Bússola, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1969, com a obra Túnel. Um ano depois, na exposição Do Corpo à Terra, organizada pelo crítico de arte Frederico Morais (1936), no Parque Municipal de Belo Horizonte, apresenta Napalm. Na 11ª Bienal Internacional de São Paulo (1971), faz a instalação Dedicado à Paisagem de Nosso Planeta. No mesmo ano, ao lado de Frederico Morais e Cildo Meireles, funda a Unidade Experimental do MAM/RJ. Nesse museu, em 1977, apresenta a exposição individual Coração (7/7/77). Em 1979, filma Nilton Bravo, documentário de curta-metragem sobre o pintor de painéis de bares. Em 1980, lança o livro Bares Cariocas. Em 1986, participa da exposição Depoimento de uma Geração, 69-70, na Galeria Banerj, Rio de Janeiro. De 1993 a 1998, atua como diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), na capital carioca. Apresenta duas individuais no Paço Imperial, Rio de Janeiro: Infinitas Imagens no Tempo (1995) e Cósmicas Paisagens/Falsas Paisagens (2001). Em 2005, apresenta outra individual no MAM/RJ, Luiz Alphonsus 2005/1974, 31 Anos na Coleção Gilberto Chateaubriand.

 

Análise

A cidade de Brasília determina a ligação do trabalho de Luiz Alphonsus com a paisagem e a fotografia: “Brasília fez nossa cabeça. Havia uma ligação cósmico-planetária com a cidade (...)” 1, diz o artista. 

Muda-se para o Rio de Janeiro em momento de ebulição política no país. Em 1967, há a ameaça de censura ao 4º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal. Entre 1968 e 1969, a 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas, no Museu de Arte Moderna da Bahia, e a mostra dos artistas que iriam participar da Bienal de Paris, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro sofrem intervenção do governo militar. Artistas nacionais e estrangeiros boicotam a 10ª Bienal Internacional de São Paulo (1969) em protesto contra a ditadura. 

O trabalho do artista reflete essas tensões. No Salão da Bússola, de 1969, realizado no MAM/RJ, propõe que dois grupos de pessoas atravessem um túnel ao mesmo tempo: um por cima, o outro por baixo. Os registros sonoros e fotográficos do evento são apresentados como Túnel/Desenho ao Longo de Dois Planos. Na mostra Do Corpo à Terra, incendeia com napalm uma faixa de plástico de 15 metros estendida sobre a grama do Parque Municipal de Belo Horizonte. O objetivo é: “marcar o chão, deixar um rastro de arte no planeta”2. No livro Bares Cariocas (1980), fotografa botequins da cidade e escreve um diário sobre a experiência. Em depoimento de 1986, reflete a decepção de sua geração por não unir o estético e o político: “[...] o pensamento como arte levou ao esgotamento. Por isso, acho que a rebeldia como forma de arte não dá mais [...]”3.

 

 

Notas

1. COCCHIARALE, Fernando. Entre o cósmico e a cosmos pólis. Disponível em: https://www.luizalphonsus.com.br/entre-o-csmico-e-a-cosmos-plis. Acesso em: 24 jun. 2009.

2. MORAIS, Frederico. Do corpo à terra. In FERREIRA, Glória (org.). Crítica de arte no Brasil: temáticas contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006, p. 198.

3. ROELS Jr., Reynaldo; SANTOS, Joaquim Ferreira dos. A arte do AI-5 hoje. In: FERREIRA, Glória (Org.). Crítica de arte no Brasil: temáticas contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006, p. 185.

Obras 2

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Exposições 76

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Fontes de pesquisa 15

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  • ALPHONSUS, Luiz. Bares cariocas. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.
  • ARTE brasileira: os anos 60/70, coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976/77. [Exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM/Bahia; Casarão de João Alfredo, Recife; Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília].
  • CANONGIA, Ligia (coord.). Arte Foto. Curadoria Ligia Canongia; tradução Paulo Andrade Lemos. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2002.
  • COCCHIARALE, Fernando; MANATA, Franz (Cur.). Luiz Alphonsus 2005/1974: 31 anos na coleção Gilberto Chateaubriand, entre o cósmico e a cosmos polis. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2005.
  • FERREIRA, Glória (Org.). Crítica de arte no Brasil: temáticas contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006.
  • IMAGENS paradoxais, III mês da imagem. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2000.
  • LUIZ ALPHONSUS. Site do artista. Disponível em: <http://www.luizalphonsus.com.br/> Acesso em: 24 jun. 2009.
  • MOSTRA RIO GRAVURA, 1999, Rio de Janeiro. Mostra Rio Gravura: espaço gravado. Rio de Janeiro: Museu do Telefone/Telemar, 1999.
  • MOSTRA RIO GRAVURA, 1999, Rio de Janeiro. Mostra Rio Gravura: espaço gravado. Rio de Janeiro: Museu do Telefone/Telemar, 1999.
  • PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Tradução Florence Eleanor Irvin, John Knox. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • REIS, Paulo. Arte de vanguarda no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
  • TABORDA, Felipe. A imagem do som de Antonio Carlos Jobim: 80 composições de Antonio Carlos Jobim interpretadas por 80 artistas contemporâneos. São Paulo: Globo, 2001.
  • TERRA, Paula; FERREIRA, Glória (Cur.). Situações: arte brasileira anos 70. Rio de Janeiro: Fundação da Casa França-Brasil, 2000.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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