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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Piza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.03.2021
13.01.1928 Brasil / São Paulo / São Paulo
26.05.2017 França / Ile de France / Paris
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

L'Ombre, 1988
Piza
Gravura em metal, goiva
36,50 cm x 54,50 cm

Arthur Luiz Piza (São Paulo, São Paulo, 1928 - Paris, França, 2017). Gravador, desenhista, escultor. Inicia a formação artística em 1943, estudando pintura e afresco com Antonio Gomide (1895-1967). Após participar da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, viaja para a Europa e passa a residir em Paris. Frequenta o ateliê de Johnny Friedl...

Texto

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Biografia

Arthur Luiz Piza (São Paulo, São Paulo, 1928 - Paris, França, 2017). Gravador, desenhista, escultor. Inicia a formação artística em 1943, estudando pintura e afresco com Antonio Gomide (1895-1967). Após participar da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, viaja para a Europa e passa a residir em Paris. Frequenta o ateliê de Johnny Friedlaender (1912-1992) e aperfeiçoa-se nas técnicas de gravura em metal, água-forte, talho-doce, água-tinta e ponta-seca. Em 1953, participa da 2ª Bienal Internacional de São Paulo e obtém o prêmio aquisição. Na 5ª Bienal, em 1959, é contemplado com o grande prêmio nacional de gravura. Nesse período, começa a fazer relevos, picotando suas aquarelas e aproveitando os fragmentos em colagens sobre tela, papel, cobre e madeira. Posteriormente cria relevos de metal sobre sisal, e produz peças tridimensionais em grande escala e trabalhos em porcelana e ourivesaria. Realiza ilustrações para diversos livros, de tiragens reduzidas. No fim dos anos 1980, cria um mural tridimensional para o Centro Cultural da França, em Damasco, Síria. Em 2002, é realizada a maior exposição de sua produção em relevos, com curadoria de Paulo Sergio Duarte (1946), apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (_Pina) e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs).

Análise

Em 1951, estuda em Paris com Johnny Friedlaender (1912-1992) e se aperfeiçoa nas técnicas de gravura em metal. Suas primeiras gravuras dialogam com as de Friedlaender pelo grafismo irregular e pelas nuances surrealistas.

Gradualmente ocorre em suas obras maior preocupação construtiva, com a geometrização dos elementos. Piza introduz na gravura uma nova forma de trabalho: passa a esculpir na placa de metal formas geométricas, arredondadas, retangulares ou triangulares, com a utilização de buril, diferentes goivas, prego e martelo. As gravuras geradas exploram a transição entre as áreas de diferentes profundidades e também o jogo criado com a luz.

Piza percebe então que é possível traduzir esse procedimento para a pintura. Em 1959, passa a fazer relevos picotando algumas aquarelas feitas na época e aproveitando os pequenos fragmentos para realizar colagens sobre papel ou tela, à maneira de mosaicos, que, por vezes, são recobertos com camadas de tinta. Segundo o artista, o material é organizado com base na procura do ritmo próprio de cada composição, independentemente das outras já prontas.

Como aponta a estudiosa Stella Teixeira de Barros, em sua produção a cor insinua-se cada vez mais, assim como o ritmo das partículas em relevo. As formas tendem a se aglomerar em tramas mais saturadas. Para o crítico Paulo Sérgio Duarte, há nesses relevos uma vontade de ordem que não se concretiza. Embora contenham algo que remete à seriação e à repetição, as pequenas partículas, sutilmente irregulares, combinam-se e convivem com liberdade de direções, às vezes quase caótica.

Na série Capachos, 1979, a tendência do artista em ocupar o espaço torna-se mais visível. Os trabalhos são compostos de triângulos acoplados em alfinetes de metal sobre pedaços de sisal. Como aponta o crítico Tiago Mesquita, nessas obras o que antes sugeria volume e fluxo transforma-se em tridimensionalidade. Em 1986, Piza desenvolve um mural para o Centro Cultural da França, em Damasco, com uma poética próxima àquela apresentada nas obras da série.

A série Corte e Recorte , 1984/1985 é realizada com base em incisões profundas em folhas de papel. Em alguns desses trabalhos, a cor amplia a percepção dos volumes. Em outros, como aponta Barros, a preservação do branco do papel faz com que a obra atinja o ápice da luminosidade modulada e cambiante. É possível ainda perceber na matéria as marcas do gesto do artista, em processo similar ao da gravura.

Piza desenvolve ainda experiências com entalhe em madeira, projeção de utensílios como pratos, vasos e objetos de porcelana e cria objetos cinzelados de metal e jóias.

Obras 52

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Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Anamorphose

Gravura em metal, goiva
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Arrengement

Gravura em metal
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Avenir Certain

Gravura em metal, goiva
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/ Itaú Cultural

Avenir Probable

Gravura em metal
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Avenir Probable

Gravura em megal, goiva

Exposições 444

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Feiras de arte 2

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Fontes de pesquisa 19

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  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.
  • Arte de Arthur Luiz Piza ganha retrospectiva em SP. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 ago. 2002. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,arte-de-arthur-luiz-piza-ganha-retrospectiva-em-sp,20020822p7525. Acesso em: 30 mar. 2021.
  • BARROS, Stella Teixeira de. Universo construtivo/inverso barroco. In: PIZA. Arthur Luiz Piza. Tradução Maria Toledo, Maria do Carmo Branco Ribeiro. São Paulo: MAM, 1994. 43 p., il. p&b. color. p. 9-19.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. A intimidade absurda. In: PIZA. Arthur Luiz Piza. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 2002. s.p.
  • GRAVURA moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Curadoria Rubem Grilo. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1999.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998.
  • PIZA. 1980 - 1988, 50 nouvelles gravures de Piza. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1988. , il. p&b. color.
  • PIZA. Arthur Luiz Piza. Gabinete de Arte. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1986. , il. p&b color.
  • PIZA. Arthur Luiz Piza. Texto Christine Frérot, Michel Nuridsany. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 376 p., 169 il.
  • PIZA. Arthur Luiz Piza. Tradução Vera Adami. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1983. , il. p&b.
  • PIZA. Arthur Luiz Piza: gravuras e relevos. Belo Horizonte: Gesto Gráfico Galeria e Escola de Arte, 1989. folha dobrada, il. color.
  • PIZA. Arthur Luiz Piza: relevos - 1958/2002. Curadoria Paulo Sérgio Duarte; versão em inglês Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2002.
  • PIZA. Espace en Relief: oeuvres récentes de Piza. Paris: Galerie Bellechasse, 1982. , il. p.b.
  • PIZA. Gravures à la gouge: 1989-1996. Paris: Editions Jacqueline de Champvallins, s.d. s.p., il. color.
  • PIZA. Relevos. Texto Bernard Gheerbrant, Jayme Maurício, Roberto Pontual. São Paulo: Galeria Arte Global, 1977. 2 fs. dobradas, il. p.b. color.
  • PIZA. Trabalhos recentes: aquarelas, desenhos e colagens. Texto Antonio Fernando De Franceschi. São Paulo: Instituto Moreira Salles, s.d. 56 p., il. p.b. color.
  • POÉTICA da resistência: aspectos da gravura brasileira. Curadoria Armando Mattos, Denise Mattar, Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994.

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