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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Gervane de Paula

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.11.2022
1962 Brasil / Mato Grosso / Cuiabá
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

O Turista e o Tamanduá, 1987
Gervane de Paula
Acrílica sobre tela, c.i.d.
153,00 cm x 174,00 cm

Gervane Ferreira de Paula (Cuiabá, Mato Grosso, 1961). Pintor, curador, agitador cultural. Sua obra artística tem forte relação com os ecossistemas da região em que vive, em Mato Grosso. O cerrado, a floresta e o pantanal são objetos de reflexão para sua produção, baseada em diferentes linguagens e suportes.

Texto

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Gervane Ferreira de Paula (Cuiabá, Mato Grosso, 1961). Pintor, curador, agitador cultural. Sua obra artística tem forte relação com os ecossistemas da região em que vive, em Mato Grosso. O cerrado, a floresta e o pantanal são objetos de reflexão para sua produção, baseada em diferentes linguagens e suportes.

Nasce no bairro Araés, periferia de Cuiabá, onde reside e trabalha em seu ateliê Boca da Arte, um importante local de difusão artístico-cultural e espaço de tensão e deslocamento da produção artística nacional. Desde a adolescência, atua como ativista-artista. Começa a pintar em 1976, ao frequentar o Ateliê Livre da Fundação Cultural, onde a artista Dalva de Barros (1935) atua como mentora de inúmeros criadores. Ainda nos anos 1970, participa de importantes mostras coletivas, como Panorama da Arte Jovem em Cuiabá (1977) e Visão/Arte Mato-Grossense (1979), ambas realizadas no Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

Em 1984, ganha visibilidade ao participar da exposição Como Vai Você, Geração 80? A exposição é considerada um marco de referência para a compreensão das direções assumidas pelas artes visuais na década de 1980, no Brasil, apesar de participarem dela majoritariamente artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Gervane de Paula, além de estar localizado fora do eixo Rio-São Paulo, é um dos poucos artistas negros a integrar o grande evento de projeção geracional.

Durante sua longeva carreira, participa de exposições coletivas pelo Brasil como Primitivos de Mato Grosso, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em 1980, e na Fundação Cultural de Brasília, em 1981, e A Mão Afro-Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em 1988. Em 1990, está entre os artistas incluídos no livro Arte aqui é mato, da crítica de arte Aline Figueiredo (1946), que retrata a genealogia da pintura de Mato Grosso como força estética de uma realidade que foge do folclorismo, ao mesmo tempo em que expressa uma tentativa pungente de descentralizar o circuito de arte brasileiro. 

Entre 1995 e 2000, realiza a função de difusor de arte na Secretaria de Estado da Cultura de Mato Grosso (Secel-MT), onde trabalha pela revitalização da cena artística local e abre espaço para a ascensão de jovens artistas da região. Em 2000 e 2001, organiza e participa das coletivas Grandeolhar 1 e 2, na estação rodoviária e no Mercado Municipal de Cuiabá, com a participação de doze artistas. No mesmo período, participa de Artistas do Século, organizada pelo MACP.

Em 2016, desenvolve o projeto Mundo animal – uma provocação, contemplado pelo edital do programa Circula MT, na categoria de artes visuais. A instalação-exposição conta com pinturas, esculturas, arte mural e gravura, pedras, latões, argila, sucata, ou seja, todos os suportes e materiais que demarcam a pesquisa do artista, retratando a sociedade industrial e de consumo. Com obras inspiradas por filmes, pelo noticiário, por críticas ao culto do corpo e à barbárie humana em geral, Mundo animal sintetiza sua trajetória, evocando parceiros, referências e a literatura regional que também está na base de suas pesquisas.

No mesmo ano, o título do livro de Aline Figueiredo inspira o artista a realizar a pintura-objeto Arte aqui eu mato, que se refere criticamente à condição de isolamento da cena artística de Cuiabá. A obra é mostrada no 36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão, com curadoria de Júlia Rebouças (1984), no MAM/SP, em 2019.

Esta exposição, que reúne 29 artistas e coletivos em uma reflexão sobre os sentidos e representações da palavra/ideia/bioma sertão, compartilha estratégias de resistência e modelos de experimentação e se afirma em defesa de existências não hegemônicas e outras formas de ser e estar no mundo. Além das pinturas-objeto Arte aqui eu mato e Arte, Não Invente (2016), Gervane de Paula apresenta na mostra a instalação Deus Ápis, suas esposas e seu rebanho ou O mundo animal (2016-2019), considerada pelo artista uma de suas mais importantes obras. Realizada com o apoio de diversos profissionais, como carpinteiros, serralheiros e os artistas Adir Sodré (1962-2020), Jonas Barros (1967) e Benedito Nunes (1956), todos de Mato Grosso, a instalação é composta por um conjunto de peças de artesanato em madeira e chifres e mourões de cerca de velhas fazendas. A obra promove uma reflexão sobre a simbologia do touro no Egito Antigo, na forma do Deus Ápis, como força erótica e vital da natureza e a realidade do boi e do gado para o Mato Grosso, como elemento chave para a destruição dos biomas florestais. 

Ao se referir ao seu lugar de origem, Gervane aborda, ao longo de toda a sua trajetória, graves problemas brasileiros, como a devastação dos biomas florestais, e chama a atenção do mundo da arte para a cena mato-grossense, tanto na atuação artística como curatorial e consegue, assim, criar uma obra a um só tempo regional, nacional e universal.

Obras 5

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

O Lobo

Acrílica sobre tela

Exposições 50

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Fontes de pesquisa 19

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  • 36º PANORAMA da Arte Brasileira: Sertão. MAM, São Paulo, 17 nov. 2019. Exposição. Disponível em: https://mam.org.br/exposicao/36o-panorama-da-arte-brasileira-sertao/. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • 36º PANORAMA da Arte Brasileira: Sertão. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 2021. Disponível em: https://mam.org.br/exposicao/36o-panorama-da-arte-brasileira-sertao/. Exposição realizada no período de 17 ago. a 17 nov. 2019. Acesso em: 05 jun. 2021.
  • ADIR Sodré, Dalva de Barros e Gervane de Paula: pinturas. Cuiabá: Espaço BEMAT, 1983.
  • ADIR Sodré, Gervane de Paula: pinturas/desenhos. Cuiabá: Museu de Arte e de Cultura Popular/UFMT, 1982.
  • ALZUGARAY, Paula. Sertão é o que menos se espera: o 36º Panorama da Arte Brasileira apresenta o espaço semidesértico como metáfora de territórios e ações não colonizados e não desbravados. Select, 4 out. 2019. Disponível em: https://www.select.art.br/sertao-e-quando-menos-se-espera/. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • BRASIL/Cuiabá: pintura cabocla. Rio de Janeiro: MAM, 1981.
  • FIGUEIREDO, Aline. Arte aqui é mato. Cuiabá: UFMT, 1990.
  • FIGUEIREDO, Aline. Artes Plásticas no Centro-Oeste. Apresentação Aline Figueiredo. Cuiabá: UFMT/MACP, 1979. 360 p., il. color.
  • FONSECA, José Henrique Monteiro da; BERTOLOTO, José Serafim; FIGUEIREDO, Claudio José Santana de; LORENSONI, Muryllo Rhapael. A poética de Gervane de Paula: reflexões para o artivismo e a decolonialidade. Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, v. 7, mar. 2021. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/1981. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • GERVANE de Paula. Prêmio PIPA, [Rio de Janeiro], 2020. Disponível em: https://www.premiopipa.com/artistas/gervane-de-paula/. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • IMAGEM da Terra: Arte aqui é mato. Direção: Kátia Meirelles. [S.l.]: Imagem e Som Produções. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HNtJFErafr4. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • IVANA. Gervane de Paula [curador independente, animador cultural, artista plástico e objetista brasileiro]. Revista Biografia, 20 abr. 2012. Disponível em: http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com/2012/04/gervane-de-paula-curador-independente.html. Acesso em: 1 nov. 2021.
  • LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1992: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Inter / Arte / Brasil, 1992. v. 5.
  • PANORAMA DE ARTE BRASILEIRA, 36., 2019, São Paulo. 36º Panorama de Arte Brasileira: Sertão. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2019. Exposição realizada no período de 17 ago. a 17 nov. 2019.
  • PAÇO das Artes: 10 anos: 1970 - 1980. Texto de Lourdes Cedran. São Paulo: Paço das Artes, 1980, il. p&b color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • REFERÊNCIAS Pantaneiras na pintura de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul. São Paulo: Paço das Artes, 1988.
  • SALVANI, José Lucas. Gervane de Paula leva suas obras para exposição no Rio de Janeiro. Olhar Conceito, 10 set. 2021. Artes Visuais. Disponível em: https://www.olharconceito.com.br/noticias/exibir.asp?id=20790&noticia=gervane-de-paula-leva-suas-obras-para-exposicao-no-rio-de-janeiro. Acesso em: 1 nov. 2021.

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