Artigo da seção pessoas Maurício Segall

Maurício Segall

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais / literatura  
Data de nascimento deMaurício Segall: 1926 Local de nascimento: (Alemanha / Berlim / Berlim) | Data de morte 31-07-2017 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Maurício Segall (Berlim, Alemanha, 1926 – São Paulo, Brasil, 2017). Museólogo, administrador, dramaturgo e poeta. Filho de Jenny Klabin Segall (1899-1967) e do pintor Lasar Segall (1891-1957), nasce em Berlim e muda-se para o Brasil com 2 meses de idade. Quando criança, estuda em São Paulo, no Liceu Franco-Brasileiro e no Colégio Rio Branco. Antes de começar o curso de ciências sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, trabalha como operário de fábrica durante o ano de 1941. Na graduação, estuda antropologia e faz pesquisa de campo com indígenas. Atua como delegado da faculdade no primeiro Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE). Desde o fim do Estado Novo (1937-1945), milita na esquerda política em diversas organizações. Forma-se em ciências sociais em 1949. Conhece Mário Wagner Vieira da Cunha (1912-2003), professor da Escola de Administração da Universidade de São Paulo (USP), e trabalha como seu assistente de 1949 a 1956. Especializa-se em administração. Orienta os registros fotográficos de obras de Lasar Segall, localizadas em um armazém na Alemanha, para a edição italiana de um livro de Pietro Maria Bardi (1900-1999) sobre o artista, lançado em 1952. Entre 1952 e 1953, com bolsa da Organização das Nações Unidas (ONU), vive em Paris, onde estuda administração pública. Frequenta diversos cursos, dentre os quais o da École Nationale d'Administration (ENA) [Escola Nacional de Administração].

Integra a célula do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na USP até 1957, quando se desliga do partido. Maurício passa a trabalhar no setor administrativo do Moinho Santista e da Metal Leve. No mesmo ano, seu pai, Lasar Segall, morre e Jenny Segall ocupa-se da divulgação da obra do pintor no Brasil e no exterior. Com auxílio do fotógrafo Luiz S. Hossaka (1928-2009) e orientação de sua mãe, Maurício monta uma sala em memória de Lasar Segall na 4ª Bienal Internacional de São Paulo (1957). Também exibe o painel O Circo na 5ª Bienal (1959). Em 1958, monta  uma sala Lasar Segall na 29ª Bienal de Veneza, iniciando uma série de exposições na Europa e em Israel, organizadas por Jenny, com apoio do Itamaraty. 

Em 1967, Jenny Segall morre e seus filhos Maurício e Oscar inauguram o Museu Lasar Segall na casa ao lado da antiga residência da família, no bairro paulistano de Vila Mariana. A primeira mostra reúne obras pertencentes a colecionadores privados. No mesmo ano, a sala de exposições do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) é inaugurada com a Exposição Lasar Segall, que Maurício monta com Hossaka. Desde o início, Maurício atua como diretor presidente do museu. Ele e seu irmão decidem anexar ao museu as duas casas vizinhas, antiga residência da família.

No mesmo ano, Maurício Segall publica a primeira peça teatral, A Formatura, sobre um estudante militante de esquerda e seu pai professor. No ano seguinte, com a atriz Beatriz Segall (1926) e o ator Fernando Torres (1927-2008), Maurício arrenda o Theatro São Pedro, em São Paulo, e torna-se seu diretor até 1981. Nesse período, participa da Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella (1911-1969). Em 1970, é preso, torturado e condenado a dois anos de prisão, dos quais cumpre apenas um.

Ainda em 1970, a Associação Museu Lasar Segall é constituída e Maurício torna-se oficialmente diretor presidente. Maurício e Oscar cedem em comodato a maior parte do acervo de Segall e a sede do museu à associação, declarada de utilidade pública pouco tempo depois. O museu abre para visitação pública apenas em 1973 e é mantido pelos irmãos até 1975. Tempos depois, a prefeitura de São Paulo e a Fundação Nacional de Arte (Funarte) passam a contribuir financeiramente com a instituição. Ainda nos anos 1970, Maurício recebe a Medalha Rodrigo de Melo Franco pela preservação do museu, do Parque Modernista – campanha da qual o museu participa – e do Theatro São Pedro. Em 1976, sua peça O Coronel dos Coronéis ganha o Concurso de Dramaturgia do Serviço Nacional do Teatro (SNT). A peça conta a trajetória de Delmiro Gouveia (1863-1917), industrial do Nordeste. É encenada pela primeira vez em 1980, pelo Grupo de Teatro da Fundação das Artes de São Caetano, São Paulo. Nesse mesmo ano, Maurício participa da fundação do Partido dos Trabalhadores, do qual se desliga em 1995.

Em dezembro de 1984, o Museu Lasar Segall é incorporado à Fundação Nacional Pró-Memória, hoje Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), mantendo, todavia, autonomia administrativa. Maurício dirige o museu até 1997. Continua membro do Colegiado Diretivo, como representante do Conselho Deliberativo, até 1999.

Durante sua gestão no museu, Maurício imprime, com a ajuda de seus colaboradores, o que acredita ser o papel político e social da cultura. A instituição tem a missão de divulgar e preservar a obra de Lasar Segall, mas não se resume a um museu monográfico. Ela também atende às solicitações da comunidade local. Para Maurício, a arte é um fator de conscientização do povo por meio da promoção do exercício criativo dos frequentadores. Portanto, além da obra de Lasar Segall, o museu oferece cursos especiais – de fotografia, cinema, redação e artes visuais –, projeções de cinema, uma biblioteca pública especializada, palestras e debates. Estabelece convênios com sindicatos operários e escolas pobres do bairro. O acesso ao museu é gratuito. Além disso, a partir de 1978, a instituição organiza sua trajetória: desenvolve reflexão sobre museologia, registra informações sobre seus frequentadores e sistematiza a documentação de sua história, tornando-se modelo no país. 

Maurício escreve artigos sobre política e política cultural, museologia, racismo e administração, entre outros temas. Boa parte deles é reunido no livro Controvérsias e Dissonâncias, lançado em 2001. Publica também três livros de poesia: Máscaras ou Aprendiz de Feiticeiro (2000); Dos Bastidores à Ribalta (2002); e Poesia ao Acaso (2005).

Outras informações de Maurício Segall:

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (8)

  • PRIMEIRO diretor do Museu Lasar Segall, Maurício Segall faleceu hoje (31) em SP. IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus. Disponível em: < http://www.museus.gov.br/tag/mauricio-segall/ >. Acesso em: 31 jul. 2017.
  • Programa do Espetáculo - Navalha O Prodígio do Mundo Ocidental - 1973
  • SEGALL, Maurício. 30 anos à frente do Museu Lasar Segall. São Paulo: Museu Lasar Segall, 2001.
  • SEGALL, Maurício. A formatura. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1967. 
  • SEGALL, Maurício. Controvérsias e dissonâncias. São Paulo: Boitempo, 2001.
  • SEGALL, Maurício. Dos bastidores à ribalta. São Paulo: Iluminuras, 2002.
  • SEGALL, Maurício. Máscaras ou aprendiz de feiticeiro. São Paulo: Iluminuras, 2000.
  • SEGALL, Maurício. Poesia ao acaso. São Paulo: Iluminuras, 2005.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MAURÍCIO Segall. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa956/mauricio-segall>. Acesso em: 18 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7