Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Anna Maria Maiolino

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2021
20.05.1942 Itália / Calábria / Scalea
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

O que Sobra, 1974
Anna Maria Maiolino
29,00 cm x 24,00 cm

Anna Maria Maiolino (Scalea, Itália, 1942). Gravadora, pintora, escultora, artista multimídia e desenhista. Por meio de uma obra com viés político e provocadora, Maiolino investiga diferentes materiais e explora diversos meios de expressão, como a xilogravura, a fotografia, o filme, a instalação e a performance.

Texto

Abrir módulo

Anna Maria Maiolino (Scalea, Itália, 1942). Gravadora, pintora, escultora, artista multimídia e desenhista. Por meio de uma obra com viés político e provocadora, Maiolino investiga diferentes materiais e explora diversos meios de expressão, como a xilogravura, a fotografia, o filme, a instalação e a performance.

Em 1954, devido à escassez provocada pelo pós-guerra na Itália, muda-se para Caracas, Venezuela, onde estuda na Escuela de Artes Plásticas Cristóbal Rojas entre 1958 e 1960, ano em que se transfere para o Brasil. Em 1961, inicia o curso de gravura em madeira na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Apesar da origem italiana, a formação artística de Maiolino é sobretudo latino-americana. 

Em 1963, tem aulas de gravura com o artista plástico Adir Botelho (1932), período em que frequenta o ateliê do pintor Ivan Serpa (1923-1973), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). No ano seguinte, realiza sua primeira exposição individual na Galeria G, em Caracas. Em 1967, participa da Nova Objetividade Brasileira, exposição que, entre outros preceitos, propõe a superação do quadro de cavalete em prol do objeto. O evento é organizado por críticos e artistas, entre eles Hélio Oiticica (1937-1980), que também faz parte da Nova Figuração, movimento de reação à abstração e tomada de posição ante o momento político brasileiro, ao qual Maiolino se integra na década de 1960. 

Nessa fase, a artista concentra-se na xilogravura, paralelamente à produção de objetos. As paisagens, as cenas de interior e as grandes áreas brancas demarcadas por figuras pretas de recorte suave dão lugar à figuração colorida de cunho narrativo com temas urbanos e/ou relacionados ao cotidiano e à condição da mulher. Sua aproximação com a cultura popular é notada no interesse pela gravura dos folhetos de cordel, combinando seu estilo gráfico a temas sociais e políticos. 

Em 1968, muda-se para os Estados Unidos, onde permanece por cerca de três anos e estuda no Pratt Graphic Center, em Nova York. Na década de 1970, ao voltar para o Brasil, começa a trabalhar com diversas mídias, como a fotografia e o filme. Participa, em Curitiba, do 1º Festival do Filme Super-8, e é premiada com In-Out, Antropofagia (1974), seu primeiro trabalho em vídeo e que coloca em questão temas como a censura e a liberdade. Participa também do Festival Internacional do Filme Super-8, no Space Cardin, em Paris; da 5ª Jornada Brasileira de Curta-Metragem, em Salvador; e do 2º Festival Nacional de Curta-Metragem, na Alliance Française du Brésil, no Rio de Janeiro.

Ainda nos anos 1970, Maiolino explora a poesia experimental, que rapidamente a leva ao desenho1. Sua tônica é a investigação da materialidade do papel e os limites de sua espacialidade. A figura sai de cena e dá lugar a novos elementos, como cortes, dobras, costuras com linha, palavras escritas e incisões gravadas. A folha é explorada em sua existência sensível no espaço, sendo por vezes trabalhada frente e verso. São dessa fase séries como Mapas Mentais (1971) e os desenhos-objeto Buracos Negros (ca.1974), nos quais os planos pessoal e o político se amalgamam.

No final dessa década, a artista passa a se dedicar à performance. Apresenta Mitos Vadios (1978) num terreno baldio da Rua Augusta, em São Paulo. Também realiza trabalhos de instalação como Feijão com Arroz (1979)2 e Entrevidas (1981), que toma a Rua Cardoso Júnior para que o público drible um “campo minado” confeccionado com dúzias de ovos de galinha espalhados pelo chão.  

Outras formas de expressão experimentadas por Maiolino, a partir da década de 1980, são a pintura e o trabalho com argila, sendo que o segundo conta com a influência do artista argentino Victor Grippo (1936-2002). Esse movimento, de certa forma, anuncia a preocupação com a gestualidade e a relação com a matéria, presentes nos objetos escultóricos de parede e relevos (em argila, gesso e cimento) do início dos anos 1990. Recebe o prêmio de melhor mostra do ano da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em 1990, pela exposição individual realizada no Centro Cultural Cândido Mendes (CCCM) em 1989.

Aos poucos, Maiolino concentra-se no aspecto manual do fazer artístico e passa a usar quase exclusivamente a argila. Elabora projetos com grande quantidade desse material, em que a repetição do gesto e seu registro na matéria assinalam enorme concentração de energia. Instalações como Muitos (1995) ou São Estes (1998) colocam o corpo no centro do trabalho artístico, ao mesmo tempo que transformam o gesto desmemoriado do cotidiano em reservatório de experiência.

Em 2002, realiza em Nova York uma exposição retrospectiva acompanhada do livro A Life Line/Vida Afora. Em 2008, participa da 16ª Bienal de Sydney, Austrália, e, em 2012, apresenta na Documenta 13, em Kassel, Alemanha, a instalação Here & There, trabalho oriundo de montagens anteriores de Terra Modelada, série iniciada na década de 1980.

A obra de Anna Maria Maiolino no campo das artes visuais aborda temas políticos, urbanos, cotidianos e referentes ao papel da mulher. A atuação em variadas formas de expressão promove uma investigação sobre o próprio processo do fazer artístico.  

 

Notas:

1. O desenho representa um veio central da produção de Anna Maria Maiolino. Em 2002 a artista ganha uma retrospectiva de seus trabalhos em papel no The Drawing Center, em Nova York. A mostra Anna Maria Maiolino: A Life Line/ Vida Afora, curada pela então diretora da instituição, a belga Catherine de Zegher (1955), abarca quase 35 anos de carreira, em reconhecimento à importância de sua contribuição para a expansão e atualização dessa técnica.

2. A instalação é remontada em 2003 no programa Atelier Finep do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010.

Obras 16

Abrir módulo
Reprodução fotográfica César Barreto

Buraco Negro

Desenho, objeto, papéis sobrepostos, rasgos
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Dois

Tinta acrílica sobre tela

Exposições 280

Abrir módulo

Eventos relacionados 5

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Anna Maria Maiolino - Enciclopédia Itaú Cultural
A artista italiana Anna Maria Maiolino afirma que nunca teve dúvidas sobre seu destino estar ligado à arte: “Parece uma frase feita, mas, criar, para muita gente, é uma necessidade”, diz. Sua trajetória começa na pintura e na escultura, para, então, passar à gravura. Nesse tipo de desenho, ela destaca o encanto provocado pelas gravuras realizadas por contadores de histórias do nordeste brasileiro. Para Anna Maria, no entanto, mais do que narrar uma história visual, a expressão artística lhe permitiu explorar o papel como matéria, libertando-a de suportes tradicionais. A antropofagia, revela, está na base da dinâmica de construção e desconstrução que caracteriza seu trabalho e o torna muito próximo de um laboratório de experimentações. Nesse sentido, as experiências com novas mídias aparecem como um desafio e uma curiosidade. “A obra se alarga e ganha maior possibilidade e maior conteúdo.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 21

Abrir módulo
  • BRAZILIANART Book VI: livro de arte brasileira. Curadoria Nair Barbosa Lima; texto Angélica de Moraes; versão em inglês John Norman, Thomas William Nerney; projeto gráfico Marcos Barbosa Lima. São Paulo: JC Editora, 2005. 480 p. 709.8104 B823b n.6
  • CARVAJAL, Rina. Roteiros América Latina. In: BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 24., 1998, São Paulo, SP. Roteiros. roteiros. roteiros. roteiros. roteiros. roteiros. roteiros. Curadoria Paulo Herkenhoff, Adriano Pedrosa. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1998. v.2.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino. Rio de Janeiro: Cultural CEJUP, 1991.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 2003.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino: A Life Line/Vida Afora. Organização Catherine de Zegher. Nova York: The Drawing Center, 2002.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino: relevos. Rio de Janeiro: Centro Cultural Cândido Mendes, 1989.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino: um, nenhum, cem mil. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Anna Maria Maiolino: um, nenhum, cem mil. Tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1993.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Codificações matéricas. Apresentação Márcio Doctors; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. Rio de Janeiro: Celma Albuquerque Galeria de Arte, 1999.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Instalação e desenhos. Tradução Esther Stearns d'Utra e Silva. Rio de Janeiro: Funarte, 1997.
  • MAIOLINO, Anna Maria. Maiolino gravadora. Rio de Janeiro: Galeria Goeldi, 1967.
  • MAIOLINO, Anna Maria. São estes: instalação. Tradução Esther Stearns d'Utra e Silva; apresentação Anna Maria Maiolino. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1998.
  • NOVA OBJETIVIDADE BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna, 1967.
  • OBJETO na arte: Brasil anos 60. Coordenação Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado. São Paulo: FAAP, 1978.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • TERRA, Paula; FERREIRA, Glória (Cur.). Situações: arte brasileira anos 70. Rio de Janeiro: Fundação da Casa França-Brasil, 2000.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: