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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Carlos Vergara

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
29.11.1941 Brasil / Rio Grande do Sul / Santa Maria
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Envelope, 1973
Carlos Vergara
Guache sobre papel
65,00 cm x 48,00 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Carlos Augusto Caminha Vergara dos Santos (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 1941). Gravador, fotógrafo e pintor. Na década de 1950, transfere-se para o Rio de Janeiro, e, paralelamente à atividade de analista de laboratório, dedica-se ao artesanato de jóias, que são expostas na 7ª Bienal Internacional de São Paulo em 1963. Nesse mesmo ano, volta-...

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Biografia

Carlos Augusto Caminha Vergara dos Santos (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 1941). Gravador, fotógrafo e pintor. Na década de 1950, transfere-se para o Rio de Janeiro, e, paralelamente à atividade de analista de laboratório, dedica-se ao artesanato de jóias, que são expostas na 7ª Bienal Internacional de São Paulo em 1963. Nesse mesmo ano, volta-se para o desenho e a pintura, realizando estudos com Iberê Camargo (1914-1994). Participa das mostras Opinião 65 e 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1967, é um dos organizadores da mostra Nova Objetividade Brasileira, que procura fazer um balanço da vanguarda brasileira. Atua ainda como cenógrafo e figurinista de peças teatrais. Nesse período, produz pinturas figurativas, que revelam afinidades com o expressionismo e a arte pop. Durante a década de 1970, utiliza a fotografia e filmes Super-8 para estabelecer reflexões sobre a realidade. O carnaval passa a ser também objeto de sua pesquisa. Atua ainda em colaboração com arquitetos, realizando painéis para diversos edifícios, empregando materiais e técnicas do artesanato popular. Em 1972, publica o caderno de desenhos Texto em Branco, pela editora Nova Fronteira. Durante os anos 1980, volta à pintura, produzindo quadros abstratos geométricos, nos quais explora, principalmente, tramas de losangos que determinam campos cromáticos. Desde o fim dos anos 1980, emprega pigmentos naturais e minérios, com os quais produz a base para trabalhos em superfícies diversas. Em 1997, realiza a série Monotipias do Pantanal, na qual explora o contato direto com o meio natural, transferindo para a tela texturas de pedras ou folhas, entre outros procedimentos.

Análise

Ainda jovem Carlos Vergara começa a trabalhar com cerâmica, e no início da década de 1960, faz jóias de prata e cobre. Mostra 13 dessas peças na 7ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1963. Nesse ano, inicia curso de desenho e pintura com Iberê Camargo, e produz, até 1967, pinturas figurativas, com pinceladas ágeis e traço caricatural, além de um tratamento expressionista. O crítico de arte Paulo Sérgio Duarte compara esses trabalhos às pinturas do Grupo CoBrA, de artistas como Acir Juram (1914-1973) e Karel Appel (1921-2006), pelo "culto à liberdade expressiva, apropriação do desenho infantil, elogio do primitivo e do louco".1 Em 1965, participa da mostra Opinião 65 com estes três trabalhos: O General, Vote e Patronesse.

A partir de 1966, Vergara incorpora à sua base expressionista ícones gráficos e elementos da arte pop. Ele faz seus primeiros trabalhos de arte aplicada, como o mural para a Escola de Saúde Pública de Manguinhos e a cenografia para o grupo de teatro Tablado, ambos no Rio de Janeiro, em 1966. Em 1968, passa a pintar sobre superfícies de acrílico, fazendo desaparecer as marcas artesanais de sua prática pictórica. No mesmo ano, explora novas linguagens e mostra o ambiente Berço Esplêndido, na Galeria Art Art, em São Paulo. O trabalho combina as investigações sensoriais de artistas como Hélio Oiticica (1937-1980) com a denúncia política.

Desde a década de 1980, Vergara dedica-se mais decididamente à pintura. Utiliza em seus trabalhos pigmentos naturais, retirados de minérios, materiais que também usa na produção de monotipias, muitas delas realizadas em ambientes naturais, como o Pantanal Mato-Grossense.

Notas

1 DUARTE, Paulo Sérgio. Carlos Vergara. Rio de Janeiro: Santander Cultural, 2003. p. 94.

Obras 40

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Exposições 307

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Eventos relacionados 9

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Mídias (1)

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Carlos Vergara - Enciclopédia Itaú Cultural
O gaúcho Carlos Vergara entende o fazer artístico como a tentativa de promover o surgimento de uma obra que, nesse processo, crie sua própria justificativa de estar no mundo. “A grande vantagem disso é que, se o artista erra, não tem muita importância. Mas, se um artista acerta, pode ter importância, na medida em que é uma contribuição para a educação do olhar”, diz ele. As viagens e o contato com objetos e temas primitivos estão entre os motivos que desencadeiam seu processo criativo. A arte, para Vergara, surge do instinto humano de se revelar e se compreender e da capacidade do homem de se emocionar com aquilo que ele mesmo pode produzir. “Você faz [arte] para se sentir vivo”, conclui.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 15

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  • ARAUJO, Emanoel. Carlos Vergara: à procura da cor brasileira. In: VERGARA, Carlos. Carlos Vergara 89/99. Curadoria Emanoel Araújo. São Paulo: Pinacoteca, 1999.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • COSTA, Maria de Fátima G. O Brasil de hoje no espelho do século XIX: artistas alemães e brasileiros refazem a Expedição Langsdorff. São Paulo: Estação Liberdade, 1995. 143 p., il., p&b. color.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Estranha Proximidade. Disponível em: [http://www.cvergara.com.br/pt/textos/index.php?idx=a9003]. Acesso em: 26 jan. 2006.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • OPINIÃO 65. Curadoria e apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • PIZA, Waltércio Caldas, Vergara, Hércules Barsotti, Milton Dacosta, Antonio Manuel, Amilcar de Castro. Texto Ronaldo Brito. São Paulo: Gabinete de Arte, 1986. [70] p., il. p.b. color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ROSA, Renato, PRESSER, Décio. Dicionário de artes plásticas no Rio Grande do Sul. 2. ed. rev. ampl. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2000. 527p. R700.98165 R7887d 2. ed.
  • VERGARA, Carlos & OSORIO, Luiz Camilo. Conversa entre Carlos Vergara e Luiz Camilo Osorio. In: VERGARA, Carlos. Carlos Vergara 89/99. Curadoria Emanoel Araújo. São Paulo: Pinacoteca, 1999. 40 p., il. color. p. 5-32.
  • VERGARA, Carlos. Carlos Vergara. Texto Hélio Oiticica. Brasília: Mec; Rio de Janeiro: Funarte, 1978. 48 p., il. color. (Arte brasileira contemporânea).
  • VERGARA, Carlos. Carlos Vergara: 20ª Bienal de São Paulo. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1989. il. color., fotos p.
  • VERGARA, Carlos. Monotipias do pantanal: pinturas recentes. Coordenação Ana Helena Curti. São Paulo: MAM, 1997. 24 p., il. color.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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