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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raimundo de Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.03.2017
24.04.1930 Brasil / Bahia / Feira de Santana
18.01.1966 Brasil / Bahia / Salvador
Raimundo Falcão de Oliveira (Feira de Santana BA 1930 - Salvador BA 1966). Gravador, pintor, desenhista. Inicia-se nas artes por intermédio da mãe, pintora de temática religiosa, que o encaminha para o desenho e a pintura, como também o orienta na religião. Incentivado pela professora de desenho, expõe pela primeira vez no Ginásio Santanópolis, ...

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Biografia

Raimundo Falcão de Oliveira (Feira de Santana BA 1930 - Salvador BA 1966). Gravador, pintor, desenhista. Inicia-se nas artes por intermédio da mãe, pintora de temática religiosa, que o encaminha para o desenho e a pintura, como também o orienta na religião. Incentivado pela professora de desenho, expõe pela primeira vez no Ginásio Santanópolis, onde retrata os professores da escola. Após a conclusão do curso ginasial, em 1947, segue para Salvador, onde faz cursos regulares de pintura com Maria Célia Amado, na Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia, e conhece Mario Cravo Júnior e Jenner Augusto . Realiza a primeira individual no hall da Prefeitura de Feira de Santana, em 1951, momento em que se liga a um grupo de artistas independentes, responsável pelos Cadernos da Bahia. Reside em São Paulo de 1958 a 1964, depois volta a morar na Bahia. Vive no Rio de Janeiro entre 1965 e 1966. No ano de seu suicídio, 1966, é editada a Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira. Xilogravuras, pela Galeria Bonino e Petite Galerie, organizada por Julio Pacello, com prefácio de Jorge Amado. Em 1982, é publicado o segundo álbum do artista, Via Crucis, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, e é inaugurada a Galeria Raimundo de Oliveira, em Salvador.

Análise

A obra de Raimundo de Oliveira - desenho, guache, óleo e gravura - se desenrola no universo religioso, com santos, imagens e cenas bíblicas representados de diversas formas. Os críticos tendem a distinguir duas fases em sua produção em função das variações observadas no tratamento dado ao tema. Nas décadas de 1950 e 1960 predominam as composições com cores sombrias e caráter expressionista - as figuras marcadas por traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960 - e algumas leituras mostram afinidades com a pintura de Georges Rouault. Em outro momento, as telas aproximam-se dos pequenos enredos, elaborados com o auxílio de figuras apequenadas (mais humorísticas que trágicas, pelas deformações e desproporções), que se repetem por causa das situações apresentadas. Estruturadas geometricamente, por um equilíbrio de planos horizontais e verticais, as novas telas possuem dinamismo particular, obtido pelos espaços construídos com base em círculos. A energia das cores vibrantes e o dinamismo da tela são as marcas salientes dessa fase, visto em O Sonho de Jacob, s.d. Além das influências simbolistas e da arte naif de Henri Rousseau, são perceptíveis, nessa fase, ecos da arte popular nordestina brasileira. O universo religioso é lido da ótica das festas e da religiosidade popular, misturando-se frequentemente ao mundo profano - procissões, bumba-meu-boi, altares domésticos etc. Os enredos e modos de figuração, por sua vez, remetem à arte dos gravadores e ceramistas do Nordeste. Elementos retirados da paisagem nacional, como árvores e animais tropicais, são outra forma de articular o erudito e o popular, o universal e o nacional - Jesus no Horto das Oliveiras, 1962, e Chegada em Jerusalém, 1964.

Exposições 105

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 13

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  • ACERVO Studio José Duarte de Aguiar e Ricardo Camargo. São Paulo: Studio José Duarte de Aguiar e Ricardo Camargo, 1985. 1 folha dobrada, 3 il. color.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • KLINTOWITZ, Jacob. Coleção Aldo Franco. Design Victor Burton, Adriana Moreno, Miriam Lerner; versão em inglês Carolyn Brisset; projeto gráfico Walney de Almeida; produção gráfica Amauri Isidoro; apresentação José Mindlin. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 2000. 302 p., il. color. (Coleções).
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MILLIET, Maria Alice (org.). Coleção Nemirovsky. Texto Maria Alice Milliet, Dalton Sala, Tadeu Chiarelli, Sônia Salzstein, Ivo Mesquita, Almerinda da Silva Lopes, Maria do Carmo Branco Ribeiro; projeto gráfico Maína Junqueira; fotografia Romulo Fialdini; pesquisa Aida Marques Cordeiro. São Paulo: MAM : Fundação José e Paulina Nemirovsky, 2003. 328 p., il. p&b color.
  • OLIVEIRA, Raimundo de. A Via crucis de Raimundo de Oliveira. Apresentacao Antonio Carlos Magalhães; comentário Eduardo Portella, James Amado, Jayme Maurício, Juraci Dórea, Wilson Rocha, Jorge Amado, Edivaldo Boaventura. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1982. 166p. il. p.b. color.
  • OLIVEIRA, Raimundo de. Pequena bíblia de Raimundo de Oliveira: xilogravuras. Prefácio Jorge Amado. São Paulo: Lia Cesar, 1966. 10 lâms. color.
  • OLIVEIRA, Raimundo de. Pinturas de Raimundo de Oliveira. Sao Paulo: Galeria de Arte Ipanema, 1979. 1 folha dobrada, il. color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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