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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Nelson Leirner

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
16.01.1932 Brasil / São Paulo / São Paulo
07.03.2020 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico Cia. de Foto

Nelson Leirner, 2007

Nelson Leirner (São Paulo, São Paulo, 1932 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Artista intermídia e professor universitário. Suas obras e ações se caracterizam pelo teor reflexivo e polemista. Alternando entre crítica política e social, remissões à arte e ao mercado e referências a divindades e animais, transforma objetos cotidianos em aleg...

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Nelson Leirner (São Paulo, São Paulo, 1932 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Artista intermídia e professor universitário. Suas obras e ações se caracterizam pelo teor reflexivo e polemista. Alternando entre crítica política e social, remissões à arte e ao mercado e referências a divindades e animais, transforma objetos cotidianos em alegorias das situações que pretende destacar.

Filho da escultora Felícia Leirner (1904-1996) e do empresário Isaí Leirner (1903-1962), tem contato com a arte moderna desde a infância. Seus pais ajudam a fundar o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e convivem com boa parte da vanguarda brasileira. Essa proximidade, no entanto, não desperta de imediato o interesse de Leirner pela arte.

Reside nos Estados Unidos, entre 1947 e 1952, onde estuda engenharia têxtil no Lowell Technological Institute, em Massachusetts, mas não conclui o curso. Resolve tornar-se artista apenas na década de 1950, estimulado por trabalhos do pintor Paul Klee (1879-1940). Em 1956, passa a ter aulas de pintura com o artista catalão Joan Ponç (1927-1984), e, em 1958, frequenta, por curto período, o Atelier-Abstração, de Flexor (1907-1971). Não se entusiasma com os cursos. Suas telas se aproximam da abstração informal de pintores como Alberto Burri (1915-1955) e Antoni Tàpies (1923-2012).

Entre 1961 e 1964, continua com a pesquisa de materiais, mas com outra direção. Interessado nas poéticas dadaístas, produz seus quadros com objetos recolhidos na rua, gerando a série Apropriações. Em 1964, o artista abandona a pintura e passa a trabalhar com elementos prontos, fabricados industrialmente. Recolhe objetos de uso e desloca seu sentido, como em Que Horas São D. Candida (1964). Seus trabalhos estão entre a escultura e o objeto.

A participação do espectador é incorporada a obras como Você Faz Parte III, (1966). Nesse ano, funda o Grupo Rex, com os artistas Wesley Duke Lee (1931-2010), Geraldo de Barros (1923-1998), Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945) e Frederico Nasser (1945). O coletivo promove happenings e publica o jornal Rex Time. O grupo se volta a problemas como as relações da arte com o mercado, as instituições e o público, sendo tudo isso abordado com base nas linguagens radicais dos anos 1960.

Em 1967, monta a exposição Da Produção em Massa de uma Pintura. Mostra a série Homenagem a Fontana, uma das primeiras séries de múltiplos do país. As "pinturas" são produzidas industrialmente, feitas de zíperes e tecidos, objetos que tradicionalmente não têm propriedades artísticas. No mesmo ano, envia seu Porco Empalhado (1966) para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. O júri aceita o trabalho. Leirner questiona o resultado e solicita publicamente, pelo Jornal da Tarde, uma manifestação explícita dos critérios de admissão da mostra, criando uma polêmica com críticos como Mário Pedrosa (1900-1981) e Frederico Morais (1936), que fica conhecida como "happening da crítica". Ainda em 1967, realiza a Exposição-Não-Exposição, happening de encerramento das atividades do Grupo Rex, em que oferece obras de sua autoria gratuitamente ao público.

Realiza seus primeiros múltiplos, com lona e zíper sobre chassi. É também um dos pioneiros no uso do outdoor como suporte. Por motivos políticos, fecha sua sala especial na 10ª Bienal Internacional de São Paulo de 1969, e recusa convite para outra em 1971.

A partir da década de 1970, o teor questionador do trabalho migra da ação direta para um sentido alegórico, que muitas vezes envolve o erotismo. O happening tem menos presença que o desenho e a instalação. Nessa época, Leirner se dedica a outras linguagens, como o design, os múltiplos e o cinema experimental, e cria grandes alegorias da situação política contemporânea em séries de desenhos e gravuras. Em 1974, expõe a série A Rebelião dos Animais, com trabalhos que criticam duramente o regime militar, pela qual recebe da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) o prêmio melhor proposta do ano.

Em 1975, a APCA encomenda-lhe um trabalho para entregar aos premiados, mas a Associação recusa-o por ser feito em xerox. Por isso, como protesto, os artistas não comparecem ao evento. De 1977 a 1997, leciona na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, onde tem grande relevância na formação de várias gerações de artistas.

A presença de elementos da cultura popular brasileira, marcante desde os anos 1960, cresce a partir da década de 1980. Em 1985, realiza a instalação O Grande Combate, em que utiliza imagens de santos, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais. Pretende converter em arte o que é considerado banal.

Muda-se para o Rio de Janeiro em 1997, e coordena o curso básico da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage). A partir dos anos 2000, seu trabalho se apropria de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo. De maneira bem-humorada, lida com as reproduções da Gioconda [Mona Lisa] (1503/1506), de Leonardo da Vinci (1452-1519), e a Fonte (1917), de Marcel Duchamp (1887-1968), como tema artístico. Com a mesma ironia, o artista replica sobre couro de boi imagens da tradição concreta brasileira, na série Construtivismo Rural.

Com uma carreira profícua, de obras heterogêneas e de teor crítico e reflexivo, Leirner torna-se, enquanto produtor e educador artístico, uma figura importante para o desenvolvimento da arte moderna no Brasil.

Obras 51

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Reprodução fotográfica Luiz Hossaka

A-doração

Painel com oleografias, pintura e néon em ambiente cortinado circular, com roleta em frente
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Acontecimento

Rato empalhado, madeira, metal e fórmica
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

América, América...

Fotografia, plástico e borracha
Reprodução Fotográfica Fábio Ghivelder

Atire se Puder

Resina plástica e acrílico
Reprodução fotográfica Nelson Kon

Banana Rack

Metal, tecido e fibra de vidro

Espetáculos 4

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Exposições 430

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Feiras de arte 4

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Instalações 1

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Mostras audiovisuais 2

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Performances 3

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Workshops 3

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Mídias (1)

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Nelson Leirner - Enciclopédia Itaú Cultural
Eletrodomésticos, bonecos de plástico e notas de dólares, entre outros objetos, aparecem como suporte para embalar a crítica social ao consumo, ao mercado e às instituições proposta por Nelson Leirner. Filho da escultora Felícia Leirner e do empresário Isai Leirner, dois dos fundadores do MAM/SP, somente adulto ele resolve iniciar-se na pintura, logo a substituindo pela pesquisa e a apropriação de peças fabricadas industrialmente, que se transformam em matéria-prima para questionar a própria criação artística. Durante a ditadura militar (1964-1985), Leirner transformou seu trabalho em força motriz de contestação dentro e fora do país. Hoje, pondera: “Toda arte é provocadora. A sociedade e a instituição aprenderam a desmitificar o artista, consumindo o que ele faz. Não fazer concessão estética é o que me coloca, ainda, perante a sociedade, nesse tipo de redoma, da contestação”.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 23

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  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • CHIARELLI, Tadeu. Nelson Leirner: arte e não arte. Versão em inglês Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Galeria Brito Cimino : Takano, 2002. 228 p., il. color.
  • FABRIS, Annateresa. "Lacerba" e il futurismo fiorentino. Nápoli: Universita degli Studi di Napoli, 1982/1983.
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  • LEIRNER, Nelson. The Rebellion of the Animals: a series of drawings. Austin, TX: University of Texas Art Museum, 1974. , il. p&b.
  • LEIRNER, Nelson. Uma viagem ... Tradução Elvyn Laura Marshall, Ricardo Gomes Quintana; texto Agnaldo Farias, Nelson Leirner; projeto gráfico João Modé. Rio de Janeiro: Centro Cultural Light, 1997. [40] p., il.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
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  • PEDROSA, Mário. Mundo, homem, arte em crise. Organização Aracy Amaral. São Paulo: Perspectiva, 1975. 321 p. (Debates, 106).
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • SCHENBERG, Mario. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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