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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Vera Chaves Barcellos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.12.2018
1938 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre

Da Capo, 1979
Vera Chaves Barcellos
34,00 cm x 12,50 cm

Vera Guerra Chaves Barcellos (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1938). Artista multimídia, gravadora, professora. Forma-se em música, no Instituto de Belas-Artes de Porto Alegre, em 1957, e em seguida, cursa artes plásticas, por dois anos. Em sua primeira viagem à Europa, entre 1961 e 1962, frequenta a Central School of Arts and Crafts e a St. Ma...

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Biografia

Vera Guerra Chaves Barcellos (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1938). Artista multimídia, gravadora, professora. Forma-se em música, no Instituto de Belas-Artes de Porto Alegre, em 1957, e em seguida, cursa artes plásticas, por dois anos. Em sua primeira viagem à Europa, entre 1961 e 1962, frequenta a Central School of Arts and Crafts e a St. Martin's School, ambas em Londres, a Academie van Beeldende Kunsten, em Roterdã, Holanda, e a Académie de la Grande Chaumière, em Paris, onde estuda desenho, gravura e pintura. De volta ao Brasil, em 1965, dedica-se exclusivamente à gravura. Na década de 1970, começa a utilizar a fotografia, combinando-a à serigrafia, e leciona gravura e plástica na Federação de Ensino Superior de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, entre 1970 e 1977. A partir de 1974, realiza a série Testarte, apresentada na Bienal de Veneza em 1976 e na Bienal Internacional de São Paulo em 1977. É contemplada com uma bolsa de estudo do British Council, em 1975, e faz estágio de seis meses no Croydon College of Art and Technology, estudando a fotografia e sua relação com as artes gráficas. Integra o grupo Nervo Ótico, que atua em Porto Alegre em 1977 e 1978, e participa da criação do Espaço N.O., com atividade entre 1979 e 1982. Nos anos 1980 inicia o trabalho Atenção, Processo Seletivo do Perceber, com o qual dá continuidade às pesquisas sobre a percepção. Muda-se para Barcelona em 1986, mantendo desde então, atividades no Brasil e na Espanha. Com os artistas Carlos Pasquetti e Patricio Farias, funda a Galeria Obra Aberta, dedicada à arte contemporânea, que funciona de 1999 a 2002. Em 2003, com a  doação de sua coleção particular, cria a Fundação Vera Chaves Barcellos, em Porto Alegre, destinada à difusão, preservação e divulgação da arte contemporânea. O Centro Cultural Santander de Porto Alegre apresenta a retrospectiva O Grão da Imagem, uma Viagem pela Poética de Vera Chaves Barcellos, em 2007.

Análise

A fotografia é o fio a partir do qual se desenvolve parte substantiva da obra de Vera Chaves Barcellos. O uso da imagem fotográfica em eletrografias, serigrafia, offset, objetos e instalações, realizados desde a década de 1970, não tem nenhum compromisso com a documentação ou com a representação do mundo. Ao contrário, as imagens - fragmentadas, ampliadas, manipuladas - colocam-se a serviço da construção de novas formas e universos, que se organizam em função de problemas e ideias. Os trabalhos visam colocar em discussão os rendimentos e limites da própria linguagem fotográfica. Nesse sentido é que a foto se associa, quase sempre, a outras linguagens e materiais, ensaiando novas possibilidades expressivas pelo rompimento de barreiras entre o visual, o tátil e o verbal; o técnico e o artístico; o orgânico e o inorgânico. Entre as primeiras experiências realizadas com base nas possibilidades abertas pela fotografia nos anos 1970, encontram-se o livro Ciclo, 1974, composto de serigrafias com base fotográfica; a série Testarte, que explora a interação com o espectador; e o conjunto Epidermic Spaces, 1977, imagens da própria pele hiperampliadas. Outros livros de imagens desse período são Pequena História de um Sorriso, 1975, e Da Capo, 1979.

Na década de 1980, o uso não realista da fotografia se beneficia do emprego mais sistemático de processos de reprodução técnica (fotocópia) e do uso mais frequente de textos nas obras, como Atenção, Processo Seletivo do Perceber, 1980. O universo feminino, preocupação recorrente da artista, reaparece na obra Per(so)nas, 1981. Em trabalhos como Em Busca da Cabeça, em Busca do Coração, 1987, Em que Taça Beberei?, 1988, A Taça, 1988, e Peito do Herói, 1988, a fotografia é manipulada - sobretudo pela repetição de fragmentos - em instalações de maior porte. O corpo, as mitologias individuais e coletivas, a cultura e a arte são temas explorados nesses e em outros trabalhos. Cadernos para Colorir: O Jardim, 1987, é visto por alguns críticos como responsável por uma alteração na perspectiva de Vera: o foco, antes colocado sobre o plano da subjetividade (sempre invadida pelo mundo social) se dirige agora, afirma a pesquisadora Ana Albani de Carvalho, "para o mundo de objetos/comportamentos/signos gerados em abundância pela cultura, e para a forma como é possível produzir, manter ou subverter a hierarquia entre esses produtos culturais". 

Na década de 1990, temas explorados nos períodos anteriores reaparecem modificados pelo emprego de novos materiais e pela composição de novos arranjos. Assim, o universo feminino e a memória são retomados, por exemplo, em Memorial III, 1992, instalação de grande porte que tem a imagem das flores como elemento organizador. Memorial III: Dones de la Vida, 1993, instalação com mármore, papel e objetos, por sua vez, propõe uma reflexão renovada sobre o tempo, a memória e a feminilidade. Enigmas, 1996, revisita o tema da cultura, sua evolução e decadência. O recurso às palavras e aos textos - associados invariavelmente às imagens - ganha o primeiro plano em Cegueses, 1997, trabalho sobre a cegueira. Na instalação O Nadador, 1993, fotos extraídas da televisão e do jornal (fotocopiadas e refotografadas) estabelecem um contraponto com os aquários que compõem a obra. A imagem imóvel e silenciosa do corpo nas fotografias registra a memória de um movimento que é reforçado pela água em circulação nos aquários, e negada pela água contida em pequenos sacos plásticos. Variados em termos de técnicas, materiais e temáticas, os trabalhos de Vera propõem diferentes formas de percepção e participação. Diante dos objetos e/ou no interior das instalações, o espectador vê-se diante de peças permutáveis (que ele combina e recombina) ou de textos visuais-táteis, que sugerem e bloqueiam leituras.

Obras 2

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Exposições 165

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Feiras de arte 3

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Festivais 1

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Fontes de pesquisa 11

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  • BARCELLOS, Vera Chaves. Cadernos para colorir II. Texto Carlos Scarinci. Porto Alegre, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, s/p. il &b, 1987.
  • BARCELLOS, Vera Chaves. O Nadador: uma exposiçao de Vera Chaves Barcellos. São Paulo: Centro Cultural, 1995. B242 1995
  • BARCELLOS, Vera Chaves. O nadador. Textos Fernando Cocchiarale e Ana Albani de Carvalho. São Paulo, Centro Cultural São Paulo, s/p, il. p&b. color, 1995.
  • BARCELLOS, Vera Chaves. Obras recentes. Texto Carlos Scarinci. Porto Alegre, Galeria Arte & Fato, s/p, il. p&b. color, 1988.
  • BARCELLOS, Vera Chaves. Vera Chaves Barcellos: cadernos para colorir II. Porto Alegre: Margs, 1987. B242 1987
  • BARCELLOS, Vera Chaves. Vera Chaves: obras recentes. Porto Alegre: Galeria Arte & Fato, 1988. B242 1988
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984. v. 1. R702.9 L895a v.1
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes plásticas Brasil 1999. São Paulo: Júlio Louzada, 1999. v. 11. R702.9 L895a v. 11
  • ROSA, Renato; PRESSER, Décio. Dicionário de artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1997. R700.98165 R7887d
  • SANTOS, Andréia Hermeling dos (org.), ALVES, José Francisco (org.). Catálogo de artistas plásticos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, 1998. R708.8165 C357

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