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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Danúbio Gonçalves

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.02.2022
30.01.1925 Brasil / Rio Grande do Sul / Bagé
21.04.2019 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Reprodução fotográfica Fernando Zago

Zorreiros, 1953
Danúbio Gonçalves
Xilogravura aquarelada
43,70 cm x 32,80 cm
Acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, doação do artista

Danúbio Villamil Gonçalves (Bagé, Rio Grande do Sul, 1925 – Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2019). Gravador, desenhista, pintor e professor. Com engajamento e precisão técnica, retrata o cotidiano, o trabalho e os costumes gaúchos. 

Texto

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Danúbio Villamil Gonçalves (Bagé, Rio Grande do Sul, 1925 – Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2019). Gravador, desenhista, pintor e professor. Com engajamento e precisão técnica, retrata o cotidiano, o trabalho e os costumes gaúchos. 

Na década de 1940, estuda gravura e desenho na Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, com Carlos Oswald (1882-1971) e Axl Leskoschek (1889-1975). Frequenta o ateliê de Candido Portinari (1903-1962) com Iberê Camargo (1914-1994). No início da carreira, faz caricaturas e sátiras da sociedade carioca contemporânea. 

Entre 1949 e 1951 reside em Paris e frequenta a Académie Julian. De volta ao Brasil, funda o Clube de Gravura de Bagé, no Rio Grande do Sul, com Glauco Rodrigues (1929-2004), Glênio Bianchetti (1928- 2014) e Carlos Scliar (1920-2001). Com esses artistas, integra o Clube de Gravura de Porto Alegre, entre 1951 e 1955. O grupo retrata o povo e os costumes gaúchos de diferentes formas e objetiva estabelecer um diálogo com o público e ampliar o acesso à arte. 

A atividade artística de Danúbio Gonçalves tem relação estreita com o seu engajamento político. Ao lado de outros artistas, visita países do bloco comunista, rejeita a Bienal de São Paulo e o abstracionismo e defende uma arte regional, de cunho social, próxima do realismo socialista. Sua produção mais característica consiste em xilogravuras, sobretudo a dos anos de 1950, momento em que retrata camponeses e trabalhadores, seus cotidianos e suas festas. Algumas obras enfatizam eventos, instrumentos, danças e roupas típicas, como Festa do Mundo (1953).

Em outras, há um traço mais expressionista e anguloso, que traduz a violência da atividade dos trabalhadores, como nas séries Charqueadas (1953) e Mineiros de Butiá (1956). A primeira apresenta as etapas da produção do charque, da matança dos bois à secagem da carne. A segunda figura a vida dos mineiros, em evidente referência às obras  sobre o mesmo tema do pintor holandês Vincent van Gogh (1853-1890). Em todas, exprime a angústia e a miséria pelos contrastes marcados, e a força e o movimento pela talha que ressalta os veios da madeira com diversos traços paralelos.

Para o escritor Érico Veríssimo (1905-1975), Danúbio consegue ultrapassar o interesse documental e conferir aos temas um sentido universal1.  E no decorrer da obra do artista, principalmente a partir da década de 1960, o regionalismo e o traço expressionista abrem espaço para uma abordagem mais abstrata da realidade, com tons rebaixados e formas que são às vezes reconhecíveis, mas não realistas, como plantas, insetos e animais. Na linha do que sugere Veríssimo, trata-se da representação da condição humana por meio de uma "imagem do homem universal, sua deformação e sobressalto"2, ou de aspectos mais misteriosos da existência, como a "expressão de um cosmo ambíguo"3

A partir de 1963, orienta os alunos do curso de litogravura do Ateliê Livre da Prefeitura de Porto Alegre, instituição que dirige até 1978. Entre 1969 e 1971, leciona gravura no Instituto de Artes (IA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em sua produção artística mais tardia, envereda por uma linguagem mais pop, utilizando técnicas variadas, como tinta acrílica, aquarela e gravura. Além dos temas eróticos, pinta cenas de balonismo, em que tira proveito das grandes áreas de cor dos balões, da grama e do céu.

Na década de 1990, publica os livros Do Conteúdo à Pós-Vanguarda (1995), editado pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, e Processos Básicos da Pintura (1996), pela editora AGE. Em 2000, é realizada exposição retrospectiva de sua produção no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), e é publicado o livro Danúbio Gonçalves: Caminhos e Vivências, pela editora Fumproarte, com textos de Paulo Gomes (1956) e Stori (1946).

Nos anos 2000, realiza obras de grandes dimensões, como Epopéia Rio-Grandense, em Porto Alegre. Inaugurado em 2008 e com uma extensão de 16,5 metros de largura por 3 de altura, o painel retrata episódios da Revolução Farroupilha. A obra do artista faz parte de importantes coleções, como a da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_), do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp)

Comprometido com seu lugar de origem, Danúbio Gonçalves retrata os habitantes e os costumes gaúchos. Tendo a existência humana como recorrente objeto de representação, transita tanto por abordagens expressionistas e movidas pelo engajamento social bem como por enquadramentos mais abstratos. 

Notas

1. PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969, p. 246.

2. Idem, ibidem.

3. SCARINCI, Carlos. A Gravura no Rio Grande do Sul: 1900 - 1980. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982, p.147-148.

Obras 8

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Reprodução fotográfica Fernando Zago

Cai pela 3ª vez

Acrílica e colagem sobre tela
Reprodução fotográfica Fernando Zago

Carneadores

Xilogravura aquarelada
Reprodução fotográfica Fernando Zago

Helena

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Macunaíma

Acrílica sobre tela

Exposições 311

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Fontes de pesquisa 27

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  • 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar v.1
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • DANUBIO Gonçalves: desenho, gravura, pintura 1964-1976. Apresentação de Quirino Campofiorito et al. São Paulo: MAM, 1976., il. p&b color.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves : desenho, gravura, pintura 1964- 1976. Sao Paulo: MAM, 1976. , il.p&b color. G6353 1976
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves. Curadoria Carlos Antônio Mancuso; texto Carlos Antônio Mancuso; fotografia Fernando Zago; projeto gráfico Alex Medeiros; apresentação Fábio Luiz Borgatti Coutinho. Porto Alegre: Margs, 2000. 96 p. il. p&b, color.
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves. Porto Alegre: Galeria de Arte Mosaico, 1990. il. color.
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves. Porto Alegre: Galeria de Arte do Clube do Comércio, 1982. , il. p&b color. G6353d 1982
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves: caminhos e vivências. Texto Paulo Gomes, Norberto Stori. Porto Alegre: Fumproarte, 2000.
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves: desenho, gravura, pintura 1964 - 1976. Apresentação Quirino Campofiorito. São Paulo: MAM/SP, 1976.
  • GONÇALVES, Danúbio. Danúbio Gonçalves: pintura, gravura: hommage à torres. Porto Alegre: Galeria de Arte Mosaico, 1990. il. color., foto p.b. G6353 1990
  • GONÇALVES, Danúbio. Retrospectiva de gravura. Texto Francisco Stockinger, Erico Veríssimo, Jacob Klintowitz, Carlos Scarinci, Carlos Scliar. Porto Alegre: Margs, 1982. 12 p.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. IC 769 G777
  • INVESTIGAÇÕES: a gravura brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2000. (Rumos Itaú Cultural Artes Visuais).
  • KLINTOWITZ, Jacob. Versus: dez anos de crítica de arte. Prefácio Jacob Klintowitz; apresentação Pietro Maria Bardi. São Paulo: Galeria de Arte André, 1978. 143 p. 701.18 K65v
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • MOSTRA DE GRAVURA CIDADE DE CURITIBA, 9., 1990. IX Mostra de Gravura Cidade de Curitiba. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1990. PRmgcc 9/1990
  • OS CLUBES de Gravura do Brasil. Curadoria Carlos Scliar. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1994. SPpe 1994/c
  • OS COLECIONADORES - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras. Curadoria Jacob Klintowitz. São Paulo: Centro Cultural FIESP, 1998.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • POÉTICA da resistência: aspectos da gravura brasileira. Curadoria Armando Mattos, Denise Mattar, Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994.
  • PROJETO "Caixa Resgatando a Memória". Texto Marilene Burlet Pieta, Paulo Gomes, Susana Gastal; apresentação Marisa Veeck; design gráfico Mário Röhnelt; versão em inglês Brigitta Struck; versão em espanhol Eva Maria Fayos Garcia; apresentação Sérgio Cutuolo dos Santos. Porto Alegre : Caixa Econômica Federal, 1998. 163 p. il. color.
  • SANTOS, Irene; BETTIOL, Zoravia (Coord.). Brasil 500 anos: navegadores de imagens : registro fotográfico de Irene Santos. Porto Alegre: Usina do Gasômetro - Galeria dos Arcos, 2000. [24] p., il. color. p&b. S2365 2000
  • SCARINCI, Carlos. A gravura no Rio Grande do Sul: 1900-1980. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. (Documenta, 10). 769.981 S285g
  • XILOGRAVURA: do cordel à galeria. São Paulo: Metrô, 1994. SPmetrô 1994
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.1

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