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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Aluísio Carvão

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
24.01.1920 Brasil / Pará / Belém
15.11.2001 Brasil / Minas Gerais / Poços de Caldas
Reprodução fotográfica Cezar Maia

Sem Título, 1956
Aluísio Carvão
Óleo sobre tela
38,00 cm x 46,00 cm

Aluísio Carvão (Belém PA 1920 - Poços de Caldas MG 2001). Pintor, escultor, ilustrador, ator, cenógrafo, professor. Inicia sua atividade artística como ilustrador, no Pará. Atua também como escultor e cenógrafo. Passa a dedicar-se à pintura em 1946, quando realiza sua primeira exposição individual no Amapá, onde reside temporariamente. Em 1949 é...

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Biografia
Aluísio Carvão (Belém PA 1920 - Poços de Caldas MG 2001). Pintor, escultor, ilustrador, ator, cenógrafo, professor. Inicia sua atividade artística como ilustrador, no Pará. Atua também como escultor e cenógrafo. Passa a dedicar-se à pintura em 1946, quando realiza sua primeira exposição individual no Amapá, onde reside temporariamente. Em 1949 é contemplado pelo Ministério de Educação e Cultura - MEC com uma bolsa destinada a professores de artes e muda-se para o Rio de Janeiro. Ingressa no curso livre de pintura de Ivan Serpa (1923-1973), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1952. Integra o Grupo Frente entre 1953 e 1956, e toma parte das principais exposições coletivas ligadas ao concretismo brasileiro, como a 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, em 1953, em Petrópolis; as mostras do Grupo Frente realizadas no Rio de Janeiro, em 1954 e 1955; e a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957. Entre 1957 e 1959, leciona no MAM/RJ, substituindo Ivan Serpa. Realiza uma exposição individual na Galeria de Artes das Folhas em 1958, em São Paulo.

Assina, com os artistas Amilcar de Castro (1920-2002), Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004) e o poeta Reynaldo Jardim (1926- ), o Manifesto Neoconcreto, escrito por Ferreira Gullar (1930- ) em 1959. Com esse grupo de artistas, participa da Exposição de Arte Neoconcreta, em 1959, no Rio de Janeiro, também exibida em São Paulo e Salvador.

Em 1960, participa da mostra Konkrete Kunst, em Zurique, e da Exposição de Arte Neoconcreta, em Munique. É contemplado no Salão Nacional de Arte Moderna com o prêmio de viagem ao exterior. Como artista visitante, ingressa na Hochschule für Gestaltung - HfG [Escola Superior da Forma], em Ulm, na Alemanha. Viaja por vários países da Europa e retorna ao Brasil em 1963. Torna-se professor do MAM/RJ e da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage). Entre 1966 e 1979, trabalha na área de artes gráficas e desenho industrial, produzindo cartazes, capas de livros e selos. Participa com dois trabalhos da mostra Nova Objetividade Brasileira, no MAM/RJ, em 1967.

Na década de 1980, integra diversas retrospectivas sobre arte concreta e neoconcreta. Uma importante retrospectiva do artista é realizada em 1996, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, e segue para o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA), Salvador, e MAM/RJ. Com outros artistas, participa da exposição Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, realizada em 1998 no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e em 1999 no MAM/RJ. As obras de Aluísio Carvão são apresentadas em diversas Bienais Internacionais de São Paulo; na 4ª Bienal de Tóquio, em 1957; e na 1ª Bienal Interamericana do México, em 1958.

Comentário Crítico
As pinturas de Aluísio Carvão no início de carreira, antes de se transferir para o Rio de Janeiro, são em sua maioria paisagens, em que se percebem ressonâncias do impressionismo. Após o aprendizado com Ivan Serpa (1923-1973) e o contato com o meio artístico carioca, na década de 1950, nota-se uma transformação significativa em sua pintura, que abandona a representação figurativa do real e dedica-se a explorar "estruturas reduzidas ao mínimo, rigorosas na sua geometria linear e concentradas em contrastes binários de ritmos puramente óticos".1 As composições do período em que integra o Grupo Frente, próximas ao concretismo, lidam com estruturas formais rigorosas, geométricas.

A exposição individual realizada na Galeria de Artes das Folhas, em São Paulo, em 1958, marca um momento em que o artista faz trabalhos que exploram o movimento das formas geométricas, nos quais se destaca o aspecto ótico de suas pesquisas, como em Ritmo-Centrípeto-Centrifugal, 1958, e Clarovermelho, 1959, com formas vazadas e ritmos lineares e espirais.

A adesão ao neoconcretismo leva-o, a partir de 1959, a deixar de lado as estruturas formais geométricas em favor de uma construção que se faz diretamente com a cor. As pinturas desse momento têm títulos como Vermelho-Vermelho, Amarelo-Amarelo, Rosa-Amarelo-Amarelo, com os quais o artista mostra que a cor passa a nortear seu trabalho pictórico, em telas que abolem a diferenciação entre forma, cor e fundo. Segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), "os restos de geometria de posição ainda presentes são apenas um limite convencional da fase anterior, pois que, na verdade, é agora a cor, e só ela, que por sua intensidade e saturação, pesa sobre a superfície impondo-lhe até mesmo a forma".2

A série Cromáticas, de 1957 a 1960, produzida propositalmente sem moldura, evidencia uma mudança na relação entre o quadro e a parede, numa exploração que, como afirma o crítico Fernando Cocchiarale, vai em direção à integração da obra no espaço, característica marcante do neoconcretismo. O interesse exclusivo pela cor, sua matéria, intensidade, duração, se desdobra, em 1960, do espaço bidimensional da tela para a tridimensionalidade em Cubocor, pequeno cubo de cimento uniformemente coberto por pigmento vermelho, considerado por alguns críticos como ponto alto de sua pesquisa, sendo simultaneamente objeto e cor, elemento pictórico e espacial.3 Esse aspecto é também ressaltado pelo crítico Ferreira Gullar (1930), para quem "Aluísio Carvão é um alquimista da cor. O que lhe importa não é a figura, não é a cor enquanto cor de alguma coisa, mas a cor como coisa (...) Essa busca da cor-matéria, Carvão iniciou no período neoconcreto (1959-1962), quando, ao contrário de Hélio Oiticica (1937-1980), que buscava a cor como luz, ele a queria pigmento, tão próxima do tato quanto da vista (...)".4

Depois da estada na Europa, Carvão volta ao Rio de Janeiro em 1963 e intensifica sua atuação como professor e como artista gráfico. Em sua produção pictórica utiliza materiais não tradicionais, como tampinha de garrafa, prego e barbante agrupados em suportes de madeira. Suas Superfícies Farfalhantes, como a produzida em 1967, com tampas de garrafas comprimidas e perfuradas com pregos, fixadas a um suporte, exploram os aspectos cinético e sonoro. Segue produzindo obras semelhantes na década de 1970, expostas em 1976 na Galeria Arte Global, em São Paulo.

A partir do fim dos anos 1970, retorna ao suporte tradicional da tela, privilegiando agora a articulação das cores numa linguagem lírica e evocativa, que utiliza tons vibrantes e formas com características menos rigorosas. De acordo com o crítico Roberto Pontual, nessa nova fase de sua pintura, a cor segue sendo importante, mas não mais se trata de reduzir a forma à cor, "a cor de suas pinturas recentes quer ser o berço da forma, a sua palavra inaugural. Se tudo nelas continua em geometria, como antes, cresce o chamado a uma construção que seja também metáfora".5 Esse aspecto metafórico evidencia-se nas freqüentes alusões expressas nos títulos dos trabalhos, presentes em telas dos anos 1960, como Sol e Sertão.

Durante uma permanência em Saquarema, Rio de Janeiro, produz diversas marinhas, alternando essas pinturas de caráter mais figurativo com uma pintura evocativa de sua fase concretista. As pinturas realizadas na década de 1990 exploram um repertório que, segundo o artista, é descendente do grafismo marajoara e do vocabulário da geometria pura, como triângulo, quadrado, círculo, linha, espiral. Nessas telas, surgem  sinais de festas e folguedos, pipas coloridas, bandeirolas, reminiscências da infância que lhes conferem um aspecto íntimo, memorialista e lírico.  

Notas
1  PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1987. p. 278.
2  PEDROSA, Mário. Apud PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 115.
3  Para Roberto Pontual, o Cubocor é a "matéria da cor" (PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1987. p. 278). Para Fernando Cocchiarale, "o Cubo-Cor é um dos emblemas neoconcretos da subsistência da cor fora do quadro, liberta do lugar que lhe foi destinado à existência pela história da pintura" (ALUÍSIO Carvão. Texto Anna Maria Martins; introdução Fernando Cocchiarale. Rio de Janeiro: Sextante Artes, 1999. p. 13).
4  GULLAR, Ferreira. Apud AYALA, Walmir; CAVALCANTI, Carlos (orgs.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC: INL, 1973.  p. 87.
5  PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. op. cit. p. 278.

Obras 24

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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Claroverde

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Composição

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Jaime Acioli

Composição II

Chapinhas pintadas sobre madeira

Exposições 230

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 66

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  • .
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