Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Sigaud

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.08.2021
02.07.1899 Brasil / Rio de Janeiro / Porciúncula
06.08.1979 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Fábio Praça

Acidente de Trabalho, 1944
Sigaud
Encáustica sobre tela, c.i.d.

Eugênio de Proença Sigaud (Santo Antônio de Carangola1, Rio de Janeiro, 1899 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Pintor, gravador, artista gráfico, ilustrador, cenógrafo, crítico, professor, arquiteto e poeta. Forma-se em engenharia agronômica em 1920, na Escola de Agronomia de Belo Horizonte. Em 1921 frequenta o curso livre da Escola Nacio...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Eugênio de Proença Sigaud (Santo Antônio de Carangola1, Rio de Janeiro, 1899 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979). Pintor, gravador, artista gráfico, ilustrador, cenógrafo, crítico, professor, arquiteto e poeta. Forma-se em engenharia agronômica em 1920, na Escola de Agronomia de Belo Horizonte. Em 1921 frequenta o curso livre da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), e é aluno de Modesto Brocos (1852-1936). Mais tarde, em 1927, ingressa no curso de arquitetura da Enba, que conclui em 1932.  Sigaud participa do 38º Salão Nacional de Belas Artes, organizado em 1931 pelo urbanista Lucio Costa (1902-1998), conhecido como Salão Revolucionário por permitir a exibição da obra de todos os inscritos, causando a polêmica que leva ao afastamento do urbanista da direção da instituição. Em seguida Sigaud forma, ao lado de Quirino Campofiorito (1902-1993), Milton Dacosta (1915-1988), Joaquim Tenreiro (1906-1922) e José Pancetti (1902-1958), o Núcleo Bernardelli, em 1931. Movimento de oposição ao conservadorismo reinante na Enba, o grupo propõe, entre outras iniciativas, a democratização do ensino técnico e o acesso livre aos salões de arte. Em 1935, o grupo é expulso dos porões da Enba por pressão dos acadêmicos, mas continua unido até o início da década seguinte. Também em 1935 Sigaud ingressa no Grupo Portinari, agremiação informal que se reúne em torno de Candido Portinari, tendo como uma de suas principais linhas de atuação a pintura mural. Sigaud torna-se um dos principais porta-vozes do muralismo ao publicar, no mesmo ano, o artigo Por que É Esquecida entre Nós a Pintura Mural?, no Jornal de Belas Artes. É um dos artistas brasileiros selecionados para a 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon. A convite de seu irmão, o bispo dom Geraldo Sigaud, projeta e decora a Catedral Metropolitana de Jacarezinho, no Paraná,  entre 1954 e 1957.

Análise

Conhecido como o pintor dos operários, Sigaud explora em suas telas, de maneira intensa e militante, o tema do trabalho, sobretudo a partir de meados dos anos 1930. É quando passa a participar do Grupo Portinari, em 1935, e assume uma postura explícita de defesa de formas de expressão mais populares, como a pintura mural. Telas antológicas como A Torre de Concreto, 1936, e Acidente de Trabalho, 1944, ambas pertencentes ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), correspondem à fase mais intensa da representação proletária em sua produção e mostram como ele não apenas traz à cena o povo anônimo, mas busca representá-lo em seu contexto produtivo, em meio às construções simbolizadas por vertiginosas estruturas de ferro, andaimes, cordas e outras referências ao cotidiano dos canteiros de obra. Com influência do muralismo mexicano, do nacionalismo de Portinari e marcado por um diálogo intenso com o expressionismo, Sigaud reforça o caráter dramático das cenas por meio de ângulos inusitados, da deformação dos personagens, do contraste cromático e de uma composição bastante verticalizada e um tanto claustrofóbica da paisagem urbana.

"A meu ver, toda arte pode concorrer para ativar o debate político, melhorando assim, por vias indiretas, a vida do homem", afirma Sigaud em entrevista a Frederico Morais.¹ Seu engajamento político expressa-se não apenas na eleição dos temas, mas também na participação em eventos como a mostra Artistas Plásticos do Partido Comunista, na Casa do Estudante, em 1945, e sobretudo na presença constante em movimentos de agremiação de artistas em defesa da liberdade de expressão plástica e de democratização do ensino e exibição das artes, como é o caso do Núcleo Bernardelli, que ajuda a fundar em 1931.

Além das cenas de trabalho, confessadamente influenciadas por sua atividade como engenheiro e arquiteto, Sigaud dedica-se à pesquisa técnica, explorando ampla gama de suportes, materiais e linguagens. Na pintura, por exemplo, experimenta diversos recursos, indo da  tinta a óleo e aquarela às obras com encáustica, têmpera e afresco. No campo da pintura mural, sua obra de maior destaque é o painel que realiza na década de 1950 para a Catedral de Jacarezinho, no Paraná, a convite de seu irmão, o bispo de tendência conservadora dom Geraldo de Proença Sigaud. Nessa obra, executada juntamente com uma série de modificações arquitetônicas, o artista - que não hesita em reafirmar sua condição de ateu e comunista - concilia a representação das cenas religiosas com uma espécie de inventário da população local, inserindo na obra uma série de retratos, de celebridades, figuras populares e anônimas.

Notas

1 Desde 1947 seu nome foi alterado para Porciúncula e foi desligado do território de Itaperuna.

2 A citação é reproduzida em artigo publicado logo após a morte do artista. MORAIS, Frederico. O trabalho como temática e norma de vida. Rio de Janeiro, O Globo, 8 ago. 1979.

 

Obras 17

Abrir módulo

Exposições 76

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 18

Abrir módulo
  • AQUARELA Brasileira. Textos Pedro Martins Caldas Xexéo e Alberto Kaplan. Rio de Janeiro : Centro Cultural Light, 2001. Kaplan; texto Alberto Kaplan. Rio de Janeiro : Centro Cultural Light, 2001.
  • ARTE BRASILEIRA século XX: Galeria Eliseu Visconti: pinturas e esculturas. Rio de Janeiro: MNBA, 1984.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BIENAL Internacional de São Paulo (1. : 1951 : São Paulo). Catálogo. São Paulo : MAM, 1951. 199 p. il. p&b.
  • BOLSA de arte do Rio de Janeiro: Coleção Samuel Malamud. Texto Samuel Malamud, Walmir Ayala, Frederico Morais, Lélia Coelho Frota, Sérgio Milliet, Olívio Tavares de Araújo, André Seffrin, Moacyr Scliar, Roberto Alvim Corrêa, Ferreira Gullar, Jayme Maurício. Rio de Janeiro : Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, 2000. [84] p. il. p&b color.
  • CAVALCANTI, Lauro (org.). Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro 1905-1960. Curadoria Lauro Cavalcanti; assistência de curadoria Lucia de Meira Lima. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GONÇALVES, Luiz Felipe. Sigaud: o pintor dos operários. S.l. : L.F. Editorial Independente, 1981.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982. 136 p., il. p&b color.
  • OS ANJOS estão de volta. Curadoria Maria Lúcia Montes; concepção Emanoel Araújo; texto Maria Lúcia Montes. São Paulo : Pinacoteca do Estado, 2000. 144 p. il. color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • UNIVERSO do futebol uma reflexão sobre os significados sociológicos e estéticos do futebol no contexto da cultura brasileira. Rio de Janeiro: MAM, 1982.
  • VISÕES do Rio. Curadoria Geraldo Edson de Andrade. Rio de Janeiro: MAM, 1996.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: