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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eliseu Visconti

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2021
30.07.1866 Itália / Campânia / Salerno
15.10.1944 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

O Beijo
Eliseu Visconti
Óleo sobre tela
81,00 cm x 64,00 cm
Aervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Palácio Bandeirantes

Eliseu D'Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944). Pintor, desenhista e professor. Renova o ensino e a arte no Brasil, em sintonia com movimentos estrangeiros.

Texto

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Eliseu D'Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944). Pintor, desenhista e professor. Renova o ensino e a arte no Brasil, em sintonia com movimentos estrangeiros.

Por influência da baronesa de Guararema, dona Francisca de Souza Monteiro de Barros, aluna de pintura e sua grande incentivadora, Visconti chega ao Brasil por volta de 1873 com sua irmã e instala-se inicialmente na fazenda do barão de Guararema. Em 1882, muda-se para o Rio de Janeiro e estuda no Liceu de Artes e Ofícios, onde é aluno dos pintores Victor Meirelles (1832-1903) e Estêvão Silva (ca.1844-1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), tendo professores como os pintores Zeferino da Costa (1840-1915) e Henrique Bernardelli (1858-1936)

Em 1890, entra no Ateliê Livre, grupo organizado em protesto ao ensino tradicional da Aiba e estruturado nos moldes da Académie Julian, de Paris. Ao final do mesmo ano, com a Proclamação da República, a direção da Aiba é modificada e passa a se chamar Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Visconti volta a frequentar a instituição e, com o restabelecimento do prêmio de viagem ao exterior, é o primeiro aluno a recebê-lo, em 1892.

Vai à Paris e ingressa na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]. Estuda arte decorativa na École Guérin, com o artista gráfico suíço Eugène Samuel Grasset (ca.1841-1917), um dos introdutores do movimento art nouveau na França. Em Madri, realiza cópias das pinturas do espanhol Diego Velázquez (1599-1660), no Museu do Prado, e, na Itália, estuda a pintura florentina. O contato com as obras de artistas italianos do Renascimento, especialmente Sandro Botticelli (ca.1444-1510), e com o simbolismo, se traduz em sua pintura principalmente pela linearidade das figuras, como em Gioventú (1898) e A Dança das Oréades (1899), premiadas na Exposição Internacional de Paris, em 1900, ano em que regressa ao Brasil.

Em um momento de modernização da arte no Brasil, sua obra se abre às principais tendências internacionais do fim do século XIX e início do XX. Busca estreitar relações entre arte e indústria e realiza na Enba, em 1901, uma exposição individual que inclui seus projetos para objetos em ferro, cerâmica, marchetaria, vitrais, estamparia de tecidos e papel de parede. A partir de 1903, alterna períodos na França e no Brasil. 

Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. No ano seguinte, realiza o retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis (1874-1941), um de seus trabalhos mais representativos no gênero, em que ressalta a elegância e a dignidade da figura. 

Ainda em 1905, é convidado pelo prefeito do Rio de Janeiro para executar a decoração (pano de boca, painel decorativo circular do plafond e friso sobre o proscênio) do Theatro Municipal. Revela grande influência do impressionismo e passa a utilizar cores mais claras e luminosas. O pano de boca do teatro é uma de suas obras mais alegóricas, de caráter levemente simbolista. Ele apresenta uma reunião de artistas, músicos e poetas de várias épocas, estrangeiros e brasileiros, em cortejo que tem como figura principal o compositor Carlos Gomes (1836-1896). Também há figuras femininas que dançam envoltas em panejamentos esvoaçantes, em fundo azul e rosa com pinceladas leves.

Sua esposa, Louise Visconti (1882-1954), e seus filhos são os modelos dos quadros em grande parte. Começa a se destacar por suas qualidades de colorista, como em Maternidade (1906). As cores podem ser vistas no azul da saia de seda da mulher, com reflexos prateados, e no branco da blusa e do chapéu. É uma obra que resulta das pesquisas realizadas em contato direto com a natureza, como os estudos de paisagem que faz do jardim de Luxemburgo, em Paris. 

Em 1906 é nomeado professor da cadeira de pintura da Enba. Nesse período, seu trabalho aproxima-se do pontilhismo, como em A Rosa (1909). Em O Retrato de Gonzaga Duque (1908/1910), pinta o maior crítico de arte do período de modo realista, com uma superposição de tons castanhos em fundo escuro.

Descontente com as normas do ensino, renuncia ao trabalho na Enba em 1913 e retorna à França para fazer a decoração do foyer do Theatro Municipal. Composto de três painéis, Música, Inspiração Poética e Inspiração Musical, mostra figuras etéreas, vaporosas, em fundo de tons suaves e indefinidos, criando uma atmosfera de sonho. 

Regressa ao Brasil em 1920, e pinta inúmeras paisagens, como Cura de Sol (1920), cujo cenário é sua pequena propriedade em St. Hubert, nos arredores de Paris. Em Moça no Trigal (s.d.) apresenta uma delicadeza de tons e meias-tintas, "dourados, amarelos, com ligeiras curvas descendentes para os graves roxos e sem remontar aos verdes".1

Realiza muitos autorretratos. Mais sóbrios no começo do século, são trabalhados com cores claras e vibrantes e pinceladas largas nas décadas de 1930 e 1940. Em vários deles, como em Ilusões Perdidas (1933), representa-se como pintor, segurando a paleta ou os pincéis.

Pinta paisagens da cidade de Teresópolis, Rio de Janeiro, como Quaresmas (1942) e Roupa Estendida (1944), nas quais procura captar o vapor atmosférico da serra, com grande preocupação com a cor e a luz. Visconti apresenta a manifestação da luminosidade brasileira, sem deixar de vincular-se à técnica impressionista.

Artista eclético, Eliseu Visconti dedica-se com liberdade à sua produção, dialogando com tendências contemporâneas como o art nouveau e o impressionismo, buscando a renovação da arte no país.

 

Nota:

1. PEDROSA, Mário. Visconti diante das modernas gerações. In: ______. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. São Paulo: Edusp, 1998. p. 119-133.

Obras 43

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Reprodução fotográfica Jorge Butsuem

A Caboclinha

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

A Família

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Autoria desconhecida

Arcos da Lapa

Óleo sobre tela

Exposições 191

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Fontes de pesquisa 24

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  • ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil. 2.ed. [Rio de Janeiro]: [s.n.], 1942. v. 1.
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  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • CAVALCANTI, Ana Maria Tavares. Os embates no meio artístico carioca em 1890 - antecedentes da Reforma da Academia das Belas Artes. 19&20, Rio de Janeiro, v. II, n. 2, abr. 2007. Disponível em: http://www.dezenovevinte.net/criticas/embate_1890.htm. Acesso em: 1 fev. 2021.
  • ELISEU VISCONTI. Site Oficial do artista. Projeto Eliseu Visconti. Disponível em: https://eliseuvisconti.com.br/. Acesso em: 2 fev. 2021.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MARGS. Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2011. Não catalogado
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo : Edusp, 1998. 429 p.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
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  • SERAPHIM, Mirian Nogueira. Dedicação e Harmonia: família e arte na vida de Eliseu Visconti. In: Anais do XXIII Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte. Rio de Janeiro: CBHA/UERJ/UFRJ, 2004. p. 381-389.
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  • VISCONTI, Eliseu. Eliseu Visconti. Olinda: Museu de Arte Sacra, 1978.
  • VISCONTI, Eliseu. Eliseu Visconti. Rio de Janeiro: MNBA, 1967.
  • VISCONTI, Eliseu. Exposição retrospectiva de Visconti. São Paulo: MAM, 1954.

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