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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

José Resende

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
02.01.1945 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução Fotográfica Autoria desconhecida/Cortesia do Artista

Glub-Glub ou o Jardim de Jane Mansfield, 1968
José Resende
Estofado de espuma de borracha, veludo com base de madeira
190,00 cm x 190,00 cm

José de Moura Resende Filho (São Paulo, São Paulo, 1945). Escultor. Cursa gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 1963. No mesmo ano, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Começa a estudar desenho com Wesley Duke Lee (1931-2010). Em 1964, faz estágio no escritório do arquiteto Paulo Mendes da...

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Biografia

José de Moura Resende Filho (São Paulo, São Paulo, 1945). Escultor. Cursa gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 1963. No mesmo ano, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Começa a estudar desenho com Wesley Duke Lee (1931-2010). Em 1964, faz estágio no escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928). Em 1966, funda, com Wesley Duke Lee, Nelson Leirner (1932)Geraldo de Barros (1923-1998), Frederico Nasser (1945) e Carlos Fajardo (1941) o Grupo Rex. Forma-se em arquitetura e é um dos fundadores da Escola Brasil:, juntamente com Luiz Paulo Baravelli (1942), Frederico Nasser e Carlos Fajardo. Na década de 1970, é professor do Instituto de Artes e Decoração da Faculdade de Comunicação e Arte da Universidade Mackenzie, e do Departamento de Escultura da Faculdade de Artes Plásticas da Faap. Em 1975, é co-editor da revista Malasartes, na qual publica artigos. Entre 1976 e 1986, é professor titular de Linguagem Arquitetônica e chefe de departamento na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Entre 1984 e 1985, reside em Nova York como bolsista da Fundação John Simon Guggenheim. Em seus trabalhos, explora as potencialidades expressivas dos materiais empregados, revelando o diálogo com a arte povera e com o pós-minimalismo norte-americano. Trabalha com uma diversidade de materiais como pedras, tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas e ampolas de vidro. Emprega ainda líquidos como o mercúrio, água e tinta sépia. Em obras mais recentes, usa também o couro e a parafina.

Análise

No começo da década de 1960, José Resende estuda desenho com Wesley Duke Lee e faz curso de gravura na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), São Paulo. Em 1967, forma-se em arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nessa época, trabalha como estagiário no escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Com Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo e Frederico Nasser, cria o Grupo Rex em 1966. Em 1970, José Resende participa da fundação do Centro de Experimentação Artística Escola Brasil:, que valoriza métodos distintos do ensino tradicional em artes visuais. Passa a lecionar em várias instituições de São Paulo, entre elas a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). De 1979 a 1981, faz curso de pós-graduação no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP).

Na década de 1960, sua obra, como aponta a estudiosa Daisy Peccinini, apresenta evocações de uma atmosfera "mágica", advindas provavelmente do estudo com Wesley Duke Lee, como ocorre em Homenagem ao Horizonte Longínquo (1967). Nas obras Retrato de Meu Pai (1965), Liaisons Dangereuses (Ligações Perigosas, 1966) e Núpcias no Tapete Mágico (1967), nota-se o caráter de fantasia evocativa eivado de tom irônico de origem pop.

Mais tarde seus trabalhos adquirem uma característica mais literal, tirando proveito das potencialidades expressivas dos materiais empregados, em consonância com preocupações da arte povera e do pós-minimalismo norte-americano. Entende-se assim a diversidade de materiais escolhidos pelo artista: tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas e ampolas de vidro. Emprega com freqüência os mais diversos líquidos: mercúrio, água e tinta sépia. Em obras posteriores usa também o couro e a parafina. O artista valoriza muito a escolha dos materiais, que têm em si um caráter expressivo. O uso da parafina, por exemplo, por ser um material que se solidifica facilmente, permite ao espectador a observação do gesto do escultor e a cristalização dessa ação, na forma final. Em algumas esculturas da década de 1990, utiliza calotas metálicas como módulos para várias articulações.

Em síntese, a produção mais característica do artista procura dar relevância aos elementos empregados e às suas relações com o espaço, em lugar de apenas utilizá-los como suporte para formas convencionais. Explora a realidade espacial criando esculturas que incorporam ou dialogam com os espaços vazios. Seus trabalhos distinguem-se pelas articulações plásticas tensas: torções, curvas e nós, que sugerem equilíbrio precário, sensação de movimento ou deslocamento.

Obras 43

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Exposições 266

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Feiras de arte 3

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Palestras 1

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Mídias (1)

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José Resende - Enciclopédia Itaú Cultural
Arquiteto de formação, o escultor José Resende carrega em seu processo criativo influência do modo de produção da arquitetura, com seus projetos e desenhos que antecedem a concretização da obra. “Desenhar é pensar. Para mim não há uma grande diferença entre uma coisa e outra. E pensar é principalmente no sentido de criar elo entre as coisas, ideias que se concatenam, associações que se apontam”, explica. A transformação do desenho em ferramenta para o fazer artístico se consolida durante a convivência com Wesley Duke Lee nos anos 1960, de quem Resende é aluno e depois parceiro na criação do grupo Rex. “O Wesley foi fundamental por aplicar essa aproximação ligada à arte”, conta. “Analógico”, como ele mesmo se define, Resende tem em seu caderno de desenhos uma ferramenta importante de trabalho. Em suas páginas nascem esculturas de pedra, cobre, chumbo e uma enorme diversidade de materiais. “No mundo do computador, não entrei ainda. Espero não entrar.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 16

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  • ALVARADO, Daisy Valle Machado Peccinini de. Figurações Brasil anos 60: neofigurações fantásticas e neo-surrealismo, novo realismo e nova objetividade brasileira. São Paulo: Edusp / Itaú Cultural, 1999.
  • ARTISTAS brasileiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • ESCULTURA brasileira: da Pinacoteca ao Jardim da Luz. Curadoria Agnaldo Farias; texto Agnaldo Farias. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2000. 95 p., il. color.
  • GONÇALVES FILHO, Antonio. José Resende dá dimensão poética ao vazio. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 out. 1995. Caderno 2, p. D-7.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEIRNER, Sheila. José Resende e o retrato fiel de uma ação. In: ______. Arte e seu tempo. São Paulo: Perspectiva, 1991. 408 p., il. p&b. (Debates, 237).
  • MENDONÇA, Casimiro Xavier de. José Resende: ação sobre a matéria. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 9, p. 62-69, 1988.
  • OBJETO na arte: Brasil anos 60. Coordenação Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado. São Paulo: FAAP, 1978.
  • RESENDE, José. 8 esculturas. Coordenação Marli Matsumoto; texto Patricia Corrêa; tradução Stephen Berg. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 2002. [14] p., il. p&b color.
  • RESENDE, José. José Resende. Curadoria Ronaldo Brito; tradução Ann Puntch. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1998. 60 p., 36 il. p.&b.
  • RESENDE, José. José Resende. São Paulo: Subdistrito Comercial de Arte, 1988. [24] p., il. p&b.
  • RESENDE, José. José Resende. Texto Ronaldo Brito; tradução Stephen Berg. Rio de Janeiro: Demibold, 1992. 72 p., il. p&b color.
  • RESENDE, José. José Resende. Texto Ronaldo Brito; versão John Manuel Monteiro. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 24p.
  • SANTANA FILHO, Élcior Ferreira de (coord.); FILUS, Cláudio (coord.). Escultura Brasileira: perfil de uma identidade. Curadoria Emanoel Araújo, Sérgio Pizoli; tradução David Coles, Eloisa Marques, Daril Collard. São Paulo: Imprensa Oficial, 1997.
  • SETE artistas: Sérgio de Camargo, Tunga, Cássio Michalany, Franz Weissmann, Lasar Segall, José Resende, Tomie Ohtake. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1985. [82] p., il. p&b., color.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.

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