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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eduardo Sued

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
10.06.1925 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Sem Título, 1974
Eduardo Sued
Acrílica sobre tela

Eduardo Sued (Rio de Janeiro RJ 1925). Pintor, gravador, ilustrador, desenhista, vitralista e professor. Gradua-se na Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro, em 1948. No ano seguinte estuda desenho e pintura com Henrique Boese (1897-1982). Entre 1950 e 1951, trabalha como desenhista no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012)....

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Biografia
Eduardo Sued (Rio de Janeiro RJ 1925). Pintor, gravador, ilustrador, desenhista, vitralista e professor. Gradua-se na Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro, em 1948. No ano seguinte estuda desenho e pintura com Henrique Boese (1897-1982). Entre 1950 e 1951, trabalha como desenhista no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). Em 1951, viaja para Paris, onde freqüenta as academias La Grande Chaumière e Julian. Em sua estada na capital francesa entra em contato com as obras de Pablo Picasso (1881-1973), Joán Miró (1893-1980), Henri Matisse (1869-1954) e Georges Braque (1882-1963). Retorna ao Rio de Janeiro em 1953 e freqüenta o ateliê de Iberê Camargo (1914-1994) para estudar gravura em metal tornando-se mais tarde, seu assistente. Leciona desenho e pintura na Escolinha de Arte do Brasil, em 1956 e, no ano seguinte, transfere-se para São Paulo, onde ministra aulas de desenho, pintura e gravura, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de 1958 a 1963. Em 1964, volta a morar no Rio de Janeiro e publica o álbum de águas-fortes 25 Gravuras. O artista não se vincula a nenhum movimento mantendo-se alheio aos debates da época. Sua carreira teve uma breve etapa pautada no figurativismo, mas logo se encaminha para abstração geométrica. Nos anos de 1970, aproxima-se das vertentes construtivas, desenvolvendo sua obra a partir da reflexão acerca de Piet Mondrian (1872-1944) e da Bauhaus. Entre 1974 e 1980, ministra aulas de gravura em metal no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).

Comentário Crítico
Antes de decidir pela carreira artística, Eduardo Sued freqüenta de 1946 a 1948 a Escola Nacional de Engenharia no Rio de Janeiro. Em 1949 inicia formação como artista plástico no curso livre de pintura e desenho do pintor alemão Henrique Boese. De 1950 a 1951 colabora como desenhista de arquitetura no escritório de Oscar Niemeyer. Com o dinheiro da venda de algumas aquarelas, parte para Paris em 1951, lá permanecendo até 1953. Durante a estada na França entra em contato direto com as obras da École de Paris, de Pablo Picasso, Joán Miró, Henri Matisse e Georges Braque. Como aluno freqüenta as Académies Julian e de La Grande Chaumière, que mais do que escolas eram locais onde os estudantes se expressavam livremente por meio do desenho e da pintura. De volta ao Brasil, inicia curso de gravura em metal com Iberê Camargo, tornando-se mais tarde seu assistente no ateliê. Sobre este contato, o artista afirma: "Iberê foi um artista sério, dedicado, um modelo para mim".

Eduardo Sued realiza importante produção de gravuras durante o período e participa de mostras como a Bienal de San Juan de Gravura Latino-Americana (1970) e da Bienal Internacional de Gravura (1970), na Polônia. Em 1956 inicia a carreira de professor de desenho, pintura e gravura em metal, atividade que abandona 1980. O interesse por grandes áreas cromáticas e a busca por mais plasticidade levam-no a dedicar-se de forma cada vez mais exclusiva à pintura em meados dos anos 1960.

Ele acredita na pintura como fazer intelectual, solitário e meditativo. Por isso, aquele que na visão do crítico Ronaldo Brito "é o grande desinibidor das linguagens abstratas, de origem construtiva, na pintura moderna brasileira"1 não participa ativamente de nenhum movimento, mantendo-se ao largo das disputas travadas entre concretos e neoconcretos nos anos 1950 e também das discussões sobre a nova figuração dos 1960. Sua poética abstrata forma-se pouco a pouco, em diálogo constante e refletido com a tradição da pintura moderna internacional e brasileira. Após um breve período de produção figurativa, Sued conquista já no início dos anos 1970 o domínio seguro da linguagem construtiva a partir da reflexão sobre Piet Mondrian e a Bauhaus. Contudo, trata-se de um construtivismo atualizado e não a aplicação imediata dos postulados de artistas do começo do século XX. Por outro lado, no âmbito nacional, preocupa-se em expandir "a pintura construtiva brasileira sem perder o conflito produtivo introduzido pelos neoconcretos", como avaliou o crítico Paulo Sérgio Duarte.

Costuma-se apontar a conquista de uma dimensão pública como a maior contribuição de Sued à pintura brasileira. Em seus trabalhos consegue superar o caráter intimista que perpassa a obra de alguns de nossos melhores pintores modernos, como Alfredo Volpi (1896-1988) e Milton Dacosta (1915-1988), por exemplo. Sued rompe com a cor local de vestígios figurativos, com o clima rememorativo e pessoal pelo qual é marcado o uso de elementos geométricos nesses artistas. Em telas de dimensões "monumentais" para os padrões da história da arte brasileira, projeta para fora o espaço da pintura através da estruturação precisa, rigorosa e "impessoal" da superfície da tela em campos variados de cor. Esse movimento para o exterior se dá tanto em enormes pinturas-painéis quase monocromáticas quanto em trabalhos que apostam na tensão vibrante entre campos cromáticos diversos organizados segundo uma geometria "fora dos eixos", criando um ritmo frenético, em que a superfície plana parece pulsar.

Nota-se que em mais de 30 anos de produção, Eduardo Sued não cristalizou sua linguagem abstrata em estruturas preconcebidas. Para ele, "experimentar é aceitar o desafio da dúvida. Sou pintor enquanto artista que experimenta". Tal exercício se expressa numa trajetória que reinventa constantemente seus desafios e soluções. Destacam-se no conjunto dessa obra as telas, desenvolvidas desde os anos 1980, de vastas áreas cinzas ou pretas entremeadas de modo preciso por faixas coloridas, num jogo sóbrio, mas vibrante, de expansão e contenção. Em meados dos anos 1990, Sued introduz elementos novos em seu trabalho, como a tinta de alumínio e pinceladas espessas e descontínuas de modo que a superfície pareça "quase esculpida", além de retornar à colagem, presente nos anos 1960 e 1970. Tais composições apresentam uma reflexão acurada sobre as relações entre luz, superfície, espaço e tempo na pintura, reafirmando mais uma vez a posição do artista como um constante "desinibidor" na arte brasileira.

 

Notas
1 Ronaldo Brito acompanha o trabalho de Eduardo Sued desde os anos 1970, sendo aquele que mais escreveu sobre o artista. Esta afirmação foi feita em 1998 no texto O Pensamento Contemporâneo da Cor, escrito para o catálogo da exposição Eduardo Sued: pinturas 1980-1998, realizada no Centro de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro.

Obras 18

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Nº 38

Óleo sobre tela

Exposições 175

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Feiras de arte 1

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Mídias (1)

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Eduardo Sued - Enciclopédia Itaú Cultural
Nascido no Rio de Janeiro e formado em engenharia, Eduardo Sued vive em Paris na década de 1950. O acesso a museus, ao trabalho de grandes pintores e a própria experiência cotidiana na Europa são fundamentais para sua formação artística. De volta ao Brasil e interessado em gravura em metal, o artista estuda com Iberê Camargo e produz peças inspiradas no expressionismo e no trabalho de Pablo Picasso. Sued compara seu processo criativo com o funcionamento da natureza: “Eu, humildemente, procuro imitar a natureza no seu processo. De uma tela branca, que seria a terra, eu vou procurar transformá-la em orquídeas”.

Produção: Documenta Vídeo Brasil Captação, edição e legendagem: Sacisamba Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada) Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 32

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  • ARNAUD, Raquel (coord.), CIMINO, Fabio (coord.). Eduardo Sued, Nuno Ramos, Frida Baranek. Texto Lisette Lagnado. São Paulo, 1993.
  • ARTISTAS brasileiros dos anos 60 e 70 na coleção Rubem Knijnik. Porto Alegre: Espaço No Galeria Chaves, 1981.
  • ARTISTAS brasileiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRITO, Ronaldo. Eduardo Sued: uma obra para a inteligência do olhar. In: Arte Hoje. Rio de Janeiro, n.2, p.22, agosto 1977.
  • COLEÇÃO Rubem Knijnik: arte brasileira anos 60/70/80. Apresentação Evelyn Berg Ioschpe; fotografia Mabel Leal Vieira; texto Thomas Cohn. Porto Alegre, 1986.
  • DESTAQUES da Coleção Unibanco. Apresentação Antonio Fernando De Franceschi. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1998.
  • DESTAQUES da arte contemporânea brasileira. Apresentação Aparício Basílio da Silva. São Paulo, 1985.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Cores como vetores de força. In: SUED, Eduardo. Eduardo Sued. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1999.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Novas obras de Sued exibem a própria história de seu método. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 dez. 1994, Cultura.
  • EDUARDO Sued, Carlos Fajardo: Victor Grippo, Hércules Barsotti, Marco do Valle,. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Babenco, 1984.
  • EDUARDO Sued. Entrevista Lúcia Carneiro, Ileana Pradilla. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. (Coleção Palavra do Artista).
  • EXPOSIÇÃO Brasil-Japão de Arte Contemporânea, 9ª. Curadoria Wesley Duke Lee, Arcangelo Ianelli, Dudu Santos. São Paulo: Fundação Brasil-Japão de Artes Plásticas, 1990.
  • GESTO e estrutura: Amilcar de Castro, Antônio Dias, Eduardo Sued, Iberê Camargo, Jorge Guinle, Mira Schendel. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, s.d.
  • GRAVURA moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Curadoria Rubem Grilo. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1999.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • LEIRNER, Sheila; WILDER, Gabriela Suzana (Curad.). Em busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987.
  • MARTINS, Carlos (Coord.). Acervo gravura: doações recentes 1982/1984. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1984.
  • MORAES, Angélica. O construtor de cores. Revista Veja, São Paulo, 08 mar. 1989. p.106.
  • MORANDI no Brasil. São Paulo: Centro Cultural, 1995.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte contemporânea. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso; tradução Arnaldo Marques, Ivone Castilho Benedetti, Izabel Murat Burbridge, Katica Szabó, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MOSTRA RIO GRAVURA, 1999, Rio de Janeiro. Mostra Rio Gravura: catálogo geral dos eventos. Tradução Stephen Berg. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal, 1999.
  • MOSTRA itinerante do acervo do MAC. Novo Hamburgo: Feevale, 2000. 14 p. il. color.
  • NAVES, Rodrigo. Evidência e dissolução. In: SUED, Eduardo. Eduardo Sued: pinturas. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1989.
  • PRECISÃO: Amilcar de Castro, Eduardo Sued, Waltercio Caldas. Tradução Alita Kraiser. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994. 79 p. il. p. b. color.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued. Rio de Janeiro: Paço Municipal, 1992. il. color. , foto p. b.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued. Texto Paulo Sérgio Duarte. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1999. [16 p. ] il. color.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued. Texto Ronaldo Brito. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1993. il. color.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued. Texto Ronaldo Brito. São Paulo: Gabinete de Arte, s.d. [8 p. ] il. color.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued. Texto de Walter Sebastião. Belo Horizonte: Manoel Macedo Galeria de Arte, 2001.
  • SUED, Eduardo. Eduardo Sued: pinturas 1980-1998. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1998. 96 p. il. color.
  • SUED, Eduardo. Pinturas. Apresentação Walmir Ayala. Rio de Janeiro: Galeria Bonino, 1968.

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