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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ivan Serpa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.06.2022
06.04.1923 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
19.04.1973 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Composição, 1965
Ivan Serpa
Óleo sobre tela, c.e.
120,00 cm x 100,00 cm

Ivan Ferreira Serpa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1923 – Idem, 1973). Pintor, gravador, desenhista, professor. Atuando de forma intensa no meio artístico, formando inclusive outros artistas, Ivan Serpa transita, desde o início de sua carreira, entre o figurativismo e a arte concreta.  

Texto

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Ivan Ferreira Serpa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1923 – Idem, 1973). Pintor, gravador, desenhista, professor. Atuando de forma intensa no meio artístico, formando inclusive outros artistas, Ivan Serpa transita, desde o início de sua carreira, entre o figurativismo e a arte concreta.  

Começa a pintar no início dos anos 1940. Entre 1946 e 1948, estuda pintura, gravura e desenho com Axl Leskoschek (1889-1975), no Rio de Janeiro. Realiza trabalhos figurativos com pouca preocupação temática ou literária. Toma distância das abordagens da pintura acadêmica e de artistas do modernismo nacionalista, como Candido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976), e se interessa pela estrutura da composição e pelo ritmo das formas. Não por acaso, em 1947, realiza sua primeira pintura abstrata: um pequeno guache gestual, ordenado geometricamente. 

Nos primeiros anos da década de 1950, o interesse pela abstração se torna sistemático. Recompõe os temas tradicionais da pintura, como a natureza-morta, utilizando cores puras e formas orgânicas. Em outros trabalhos, decompõe referências figurativas em padrões geométricos.

Em 1951, faz a pintura construtiva Formas, onde demonstra seu interesse crescente pela abstração geométrica. O contato com as obras de artistas concretos, como os suíços Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) e Max Bill (1908-1984) na 1ª Bienal Internacional de São Paulo (1951) reforça essas convicções. Com Formas, ganha o título de Melhor Pintor Jovem nessa Bienal. Adere ao concretismo no mesmo ano. As referências ao mundo real desaparecem nas telas, bem como a relação harmoniosa entre figura e fundo. As obras são feitas com formas geométricas e planas, organizadas matematicamente.

No ano seguinte, torna-se professor da escola de artes no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) , onde ministra aulas desde 1949 e exerce, a partir de 1952, sistemática atividade didática, em especial no ensino infantil. De acordo com o crítico Reynaldo Roels (1952-2009), Serpa é "a alma dos cursos da instituição"1. No museu, forma Hélio Oiticica (1937-1980), Décio Vieira (1922-1988), Aluísio Carvão (1920-2001) e muitos outros artistas. Segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), nessas aulas "se cultiva a liberdade completa de expressão"2

Reúne alguns de seus alunos e outros artistas do Rio de Janeiro, como Abraham Palatnik (1928-2020) e Franz Weissmann (1911-2005), e funda, ao lado de Ferreira Gullar (1930-2016) e Mário Pedrosa, o Grupo Frente, integrado por Hélio Oiticica  e artistas como Lygia Clark (1920-1988)Lygia Pape (1927-2004). Apesar de não ser um grupo concreto strictu sensu e de respeitar a liberdade de pontos de vista estéticos, o coletivo abriga a produção concreta carioca, sem tomar partido dogmático em favor do concretismo. Nas exposições do grupo, participam, além dos artistas abstratos do Rio de Janeiro, alguns pintores naïfs e até um aluno das turmas infantis do MAM: Carlos Val (1937). Serpa lidera o grupo até a sua dissolução, em 1956.

Nesse momento, seu trabalho segue os princípios construtivos à risca. Suas formas são geométricas e objetivas, realizadas com materiais industriais e texturas neutras. O título de suas séries revela a impessoalidade dos trabalhos. Chamam-se Faixas ritmadas e Construções. No entanto, dentro desse esquema, o artista se permite pequenas ousadias. Mais heterodoxo que os concretos paulistas, por exemplo, usa cores "pouco objetivas", como o marrom. Entre o fim dos anos 1950 e o começo dos 1960, seu trabalho ganha novos contornos. Revê sua posição concreta e passa a incorporar elementos menos determinados, como gestos, manchas e respingos de tinta. Em 1960, influenciado pelo desenho infantil3, pinta manchas informes. Com elas, constrói imagens entre a abstração e a figuração. Nessa época, atua como restaurador de livros na Biblioteca Nacional. O trabalho serve como inspiração para a série dos Anóbios, feita entre 1961 e 1962, em que são sugeridas figuras a partir de pequenas marcas coloridas, dispersas e aparentemente aleatórias.

A partir de 1963, seu interesse pela figuração se intensifica. Serpa se identifica com o expressionismo e desenvolve uma figuração gestual, nos moldes do Grupo CoBrA. Essa produção o aproxima dos artistas agrupados sob o rótulo de Nova Objetividade Brasileira. De par com essa nova figuração, realiza trabalhos como a Série Negra, as séries de Bichos e Mulheres com bichos. Algumas obras incorporam letreiros e sobreposição de formas geométricas. A produção é exposta em mostras importantes, como Opinião 65 – evento que marca a difusão de uma nova arte de tendência figurativa, a neofiguração –, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira.

Em 1967, inicia a série Op Erótica, que marca seu retorno à linguagem construtiva. Interessado na op art, retoma a construção geométrica e os elementos bem definidos. Desenvolve outras séries com essa característica, como Mangueira e Amazônicas. O rigor construtivo é amenizado. As formas se tornam sinuosas e sensuais. As cores são suaves. Essas obras o levam às Arcas, móveis com formas brancas no seu interior. O trabalho com planos op dá origem às pinturas Geomânticas, a partir de 1969, nos quais trabalha até falecer.

Partindo do interesse pela abstração e, em seguida, alternando trabalhos entre a figuração e o concretismo, a trajetória de Ivan Serpa conjuga a busca por ambientes artísticos coletivos, a inclinação pela pesquisa estética e o respeito pela liberdade na criação.

Notas

1. SERPA, Ivan. Retrospectiva: 1947-1973. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. p.23.

2. PEDROSA, Mário. Crescimento e Criação. In: PEDROSA, Mário. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. São Paulo: Edusp, 1996. p.76.

3. PEDROSA, Mário. Crescimento e Criação. In: PEDROSA, Mário. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. São Paulo: Edusp, 1996. p.30.

Obras 31

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Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Bichos

Guache sobre papel
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Cabeça

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Ciranda da Vida

Óleo sobre tela

Exposições 302

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Feiras de arte 3

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Fontes de pesquisa 26

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  • 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner).
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AXL Leskoschek e seus alunos: Brasil / 1940-1948. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRASIL Europa: encontros no século XX. Curadoria Marc Pottier, Jean Boghici. Brasília: Caixa Cultural, 2000.
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. Tradução Lia Wyler. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. (Temas e debates, 4).
  • DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998.
  • EMBLEMAS do corpo: o nu na arte moderna brasileira. Curadoria Franklin Espath Pedroso; texto Paulo Sérgio Duarte. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. 80 p., il. p&b, color.
  • GRAVURA moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Curadoria Rubem Grilo. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1999.
  • GRUPO frente / I Exposição Nacional de Arte Abstrata: 1954- 1956 / Hotel Quitandinha - 1953. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1984. (Ciclo de Exposições sobre Arte no Rio de Janeiro).
  • GULLAR, Ferreira. Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan, 1998. 304 p., il. p&b.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. Curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso, Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge, John Norman. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais/ Fundação Bienal de São Paulo, 2000.
  • O DESENHO moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1993.
  • OPINIÃO 65. Curadoria e apresentação Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo : Edusp, 1998. 429 p.
  • PEDROSA, Mário. Arte e vida. Forma e percepção estética: textos escolhidos II. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo: Edusp, 1996. 368 p., il. p&b color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RESUMO JB: exposição. Rio de Janeiro: MAM, 1965. , il. p&b. RJmam 1965
  • SERPA, Ivan. Retrospectiva: 1947-1973. Curadoria Reynaldo Roels Jr.; texto Reynaldo Roels Jr.. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1993. 99 p., il. color. 1 folder.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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