Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Álvaro Apocalypse

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2019
14.01.1937 Brasil / Minas Gerais / Ouro Fino
06.09.2003 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Auto Retrato, 1973
Álvaro Apocalypse
Pastel sobre cartão, c.i.e.
25,00 cm x 39,00 cm

Álvaro Brandão Apocalypse (Ouro Fino, Minas Gerais, 1937 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2003). Pintor, ilustrador, designer de bonecos, diretor de teatro, cenógrafo, gravurista, museógrafo e professor. Em 1956, estuda litografia e gravura em metal na Escola Guignard, em Belo Horizonte, e inicia o curso de Direito na Universidade Federal de Mina...

Texto

Abrir módulo

Álvaro Brandão Apocalypse (Ouro Fino, Minas Gerais, 1937 – Belo Horizonte, Minas Gerais, 2003). Pintor, ilustrador, designer de bonecos, diretor de teatro, cenógrafo, gravurista, museógrafo e professor. Em 1956, estuda litografia e gravura em metal na Escola Guignard, em Belo Horizonte, e inicia o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua como ilustrador em várias publicações. Em 1959, leciona na recém-criada Escola de Belas Artes da Faculdade de Arquitetura da UFMG, da qual se torna professor titular em 1981. Em 1962, torna-se também professor da Fundação Mineira de Artes (Fuma), em Belo Horizonte, e começa a trabalhar em publicidade como leiautista1

Recebe o prêmio de viagem ao exterior no 3º Salão da Aliança Francesa em 1969. Viaja para Paris e frequenta o curso de história do desenho na École du Louvre. Durante a estadia na Europa, aprofunda seu contato com o teatro de bonecos, assistindo a espetáculos e visitando exposições. No Brasil, inicia a construção de bonecos com o objetivo de fazer filmes de animação quadro a quadro. Por não dominar as técnicas de videoanimação, decide dar continuidade ao projeto por meio do teatro de bonecos, levando adiante a produção de marionetes. 

Em 1970, Álvaro Apocalypse cria, em Belo Horizonte, o grupo Giramundo Teatro de Bonecos, em parceria com as artistas plásticas Terezinha Veloso (1936-2003), sua esposa, e Maria do Carmo Vivacqua Martins, mais conhecida como Madu (1945), ambas professoras da UFMG. Em sua trajetória profissional, realiza cenários, figurinos e marionetes para várias peças teatrais. Ao todo, produz e dirige 27 espetáculos no Giramundo e, entre 1990 e 1991, coordena o ateliê de tecnologia do Institut International de la Marionnette, em Charleville-Mézières, França. 

Em 1977, publica pela imprensa da UFMG, o álbum de gravuras Minas de Guimarães Rosa, trabalho em que se encontram as facetas de ilustrador e gravador, empenhado em representar temas nacionais. 

Álvaro Apocalypse expõe em diversos salões de arte e bienais. Dentre os inúmeros prêmios recebidos, destacam-se o Prêmio de Desenho do Salão de Arte Moderna de Pernambuco (1962), o Prêmio de Aquisição da 9ª Bienal Internacional de São Paulo (1967), o Prêmio de Cenografia do Festival Brasileiro de Cinema de Brasília (1986) e a Medalha da Inconfidência, oferecida pelo governo de Minas Gerais (1990).

Em 2001, é lançado Álvaro Apocalypse: depoimento, coordenado pela historiadora Marília Andrés Ribeiro (1948) e pelo curador e pesquisador Fernando Pedro da Silva (1965). No livro, o artista expõe algumas diretrizes de seu trabalho, apresentando a linha como elemento central do desenho em suas pesquisas em artes plásticas.

Análise

À frente do grupo Giramundo Teatro de Bonecos, Álvaro Apocalypse desenvolve uma gama variada de bonecos e artefatos cênicos. No grupo, é o principal responsável pela realização dos personagens, criando, inicialmente, desenhos com as características externas dos bonecos. Em seguida, realiza um conjunto de ilustrações de caráter técnico nas quais se vê a construção das articulações e o modo de manuseio das estruturas. Como cenógrafo e diretor, reúne diferentes linguagens e técnicas, criando um teatro experimental que se apropria de elementos da ópera, da mímica e da videoarte para compor uma dramaturgia particular. Os personagens e objetos cênicos produzidos para o teatro são organizados por Apocalypse no Museu Giramundo, aberto em 2001, com o maior acervo de teatro de bonecos das Américas.

Nas artes plásticas, as afinidades com a obra dos artistas brasileiros Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976) e do pintor e escultor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) são visíveis nos estudos e desenhos de figuras humanas e de animais. Neles, Álvaro aprofunda o uso da linha para formar tons, sobretons e planos, como no desenho a carvão Bicho (1992). Nos desenhos em nanquim, nas xilografias e gravuras em metal, nas pinturas a óleo ou nas composições de pastel e guache, vemos o rastro das linhas como elemento construtivo. Por um lado, as linhas revelam-se como malha estruturante; por outro, compõem a superfície e a textura das figuras, conferindo volume e movimento aos personagens.

A partir de 1965, o trabalho de Álvaro Apocalypse apresenta um caráter surrealista que perdura em suas obras. É o caso de Objeto Não Identificado (1966), em que vemos um conjunto de elementos que pode figurar como uma cidade ou como um tabuleiro cênico, posto na parte superior de um retângulo verticalizado que tem, em sua base, linhas representando uma cabeça perfilada com uma boca repleta de dentes. O traço surrealista é também visível em Entrada dos Saltimbancos em Ouro Fino (1996), em que os músicos são retratados como cones ou peões de tabuleiro, e seus corpos confundem-se com os instrumentos musicais.

Álvaro Apocalypse identifica a necessidade de construir uma memória pictórica brasileira e busca realizar figurações capazes de retratar esse universo cultural ainda não documentado. Esse procedimento pode ser visto em Ceia (2000), elaborada em acrílica sobre tela, na qual Jesus está rodeado por negros e índios, além de figuras pitorescas, como um enforcado e um palhaço.

Essas figuras da cultura popular, a representação de manifestações folclóricas e de instrumentos musicais tradicionais são recorrentes. Muitos trabalhos são marcados pela representação de tipos brasileiros – como o violeiro, o operário, o cangaceiro, o flautista de rua, o jagunço etc. –, que ocasionalmente dão nome aos quadros.

Nota

1. Do inglês layout man. Equivalente ao atual diagramador e/ou design gráfico.

Obras 25

Abrir módulo
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Auto Retrato

Pastel sobre cartão
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Auto Retrato

Pastel sobre cartão
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Ceia Camponesa

Acrílica sobre tela montada
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Cesta de Frutas

Acrílica sobre tela
Reprodução fotográfica Maurício Magno Rocha

Congadeiro

Acrílica sobre papel montado

Exposições 61

Abrir módulo

Eventos relacionados 51

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 19

Abrir módulo
  • A Imagem do Som de Caetano Veloso: 80 composições de Caetano Veloso interpretadas por 80 artistas contemporâneos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1998. 179 p., il. color. (A Imagem do Som, 1). ISBN 85-265-0413-4. 709.049 I31ca
  • APOCALYPSE, ÁLVARO. Álvaro Apocalypse brinca num mundo sem fronteiras. Entrevistador: José Carlos Santana. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 20 jun. 1998. Caderno 2. p. 1.
  • APOCALYPSE, Álvaro. Alvaro Apocalypse. São Paulo: AMI Galeria de Arte, s.d1 f. dobrada. A643 s.d.
  • APOCALYPSE, Álvaro. Álvaro Apocalypse: depoimento. Coordenação de Fernando Pedro da Silva e Marília Andrés Ribeiro. Belo Horizonte: C/Arte, 2001.
  • ARAÚJO, Octávio. Octávio Araujo: 20 anos depois. São Paulo, SP: MASP, 1972. [36] p., il. p&b, color. Ao663 1972
  • Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995. Não catalogado
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.1 pt. 1
  • EXPOSIÇÃO dos murais das escolas municipais de Belo Horizonte. Belo Horizonte: [s.n.], 1976. , il. color. MGp-bh 1976
  • FUTEBOL: interpretações. Texto Geraldo Edson de Andrade, Luís da Câmara Cascudo. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1982. folha dobrada.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • Guignard: 50 anos de uma escola de arte. Belo Horizonte: Vidya Galeria de arte, 1994. [60] p., il. p&b color. MGvga 1994/g
  • PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Tradução Florence Eleanor Irvin, John Knox. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976. 709.81 Cg492p
  • PROJETO ajude com arte: retrospectiva 87: exposição coletiva. Rio de Janeiro: Centro Empresarial Rio, 1987. , il. color. RJcer 1987
  • Programa do Espetáculo - Ciranda dos Homems ... Carnaval dos Animais - 1998. Não Catalogado
  • RIBEIRO, Marília Andrés (org.); SILVA, Fernando Pedro da (org.). Um século de história das artes plásticas em Belo Horizonte. Belo Horizonte: C/Arte, 1997. (Centenário). 709.8151 S446
  • SANTANA, José Carlos. Entrevista com Álvaro Apocalypse. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 jun. 1998. Caderno 2, p. 1.
  • SILVA, Fernando Pedro da; RIBEIRO, Marília Andrés (Coord.). Álvaro Apocalypse: depoimento. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 2001.
  • TOMA de Minas a estrada. Rio de Janeiro: Hotel Nacional, 1984. , il. color. MGsec 1984
  • ÁLVARO APOCALYPSE, mestre dos bonecos. Documentário/entrevista de curta-metragem com depoimento de Álvaro Apocalypse. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KYAqQApf31Y. Acesso em: 18 set. 2014.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: