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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Walter Lewy

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
10.11.1905 Alemanha / Schleswig-Holstein / Bad Oldesloe
18.12.1995 Brasil / São Paulo / São Paulo

Sem Título, 1977
Walter Lewy
c.i.d.

BiografiaWalter Lewy (Bad Oldesloe, Alemanha 1905 - São Paulo SP 1995). Gravador, pintor ilustrador, paisagista, desenhista e publicitário. Estuda na Escola de Artes e Ofícios de Dortmund, Alemanha, entre 1923 e 1927. Nesse período, filia-se à tendência do realismo mágico. Já em 1928, participa de coletivas em Dortmund, Gelsenkirchen, Boclusim e...

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Biografia
Walter Lewy (Bad Oldesloe, Alemanha 1905 - São Paulo SP 1995). Gravador, pintor ilustrador, paisagista, desenhista e publicitário. Estuda na Escola de Artes e Ofícios de Dortmund, Alemanha, entre 1923 e 1927. Nesse período, filia-se à tendência do realismo mágico. Já em 1928, participa de coletivas em Dortmund, Gelsenkirchen, Boclusim e outras cidades. Com a crise econômica de 1929, Lewy perde seu emprego de desenhista numa gráfica e vai viver com os pais no interior, tornando-se ilustrador de anedotas em jornais. Realiza sua primeira exposição individual em Bad Lippspringe em 1932, mas ela é fechada quando a Câmara de Arte Alemã proíbe a participação de judeus na vida artística. Escapando dessa situação opressora, o artista imigra para o Brasil em 1938, retomando profissionalmente a pintura. Deixa para trás centenas de trabalhos, que são enviados para a Holanda e perdidos durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). No Brasil, fixa-se em São Paulo. Nos primeiros anos faz desenho publicitário e mais tarde capas de livros e ilustrações para diversas editoras. Ilustra obras de Bertrand Russell, Machado de Assis e Arnold Toynbee, entre outras. Mais tarde, emprega-se como diagramador, letrista e arte-finalista nas agências de propaganda De Carli, Lintas Publicidade, Martinelli, Santos & Santos e Thompson Propaganda.

Comentário crítico
Walter Lewy é apontado como um dos principais nomes do surrealismo no Brasil, tanto que o próprio artista declara: 

"Acredito que o surrealismo tenha sido, para mim, uma necessidade de renovação, não só adequada ao momento (de entre guerras) que vivíamos, mas inclusive uma entrada num campo inesgotável. Para mim, o surrealismo é inesgotável, renova-se sempre e, pelo seu próprio conteúdo, permanece atual."1

Sua pintura constitui-se de um imaginário pessoal irracional e delirante, em que se mesclam paisagens lunares, plantas fantásticas, objetos amorfos e indefinidos, inseridos num espaço espectral e onírico. Há em suas telas algo do imobilismo e da transcendência das obras metafísicas de Giorgio de Chirico. O artista se vale de massas cromáticas chapadas e intensas, e evoca o universo imaginário de escritores como Júlio Verne e Edgar Allan Poe, e de pintores como Max Ernst e Yves Tanguy. Em relação à obra de Lewy, o crítico Sérgio Milliet observa que ela possui uma primeira fase de deformação da figura e de exploração do absurdo poético, passando então pela experiência das formas em liberdade até chegar, afinal, à pintura de um mundo de fantasia cósmica.2 Ainda segundo o crítico, o domínio de seu instrumento de trabalho é perceptível por meio de sua obra, na limpeza da execução e na consciente harmonia do colorido e dos valores.


1 LEWY, Walter. Surrealismo tropical. São Paulo: Espaço Cultural do Banco do Brasil, 1990. pag 2

2 Ibidem.

Obras 18

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Estrada

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Paisagem Espacial

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Pintura

Óleo sobre tela

Exposições 62

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Fontes de pesquisa 16

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  • BARROS, Darcy (Org.). A arte do imaginário. Curadoria Sérgio Lima. São Paulo: Galeria Encontro das Artes, 1985.
  • BRASIL Europa: encontros no século XX. Curadoria Marc Pottier. Curadoria Jena Boghici; texto Aracy Amaral, Frederico Morais, Antonio Callado, et. al. Brasília: Caixa Cultural, 2000. 79 p.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • HOMENAGEM a Walter Lewy: óleos e litografias. Apresentação de Wolfgang Pfeiffer. São Paulo: Faculdade Santa Marcelina, Galeria, 1985.
  • KAWALL, Luiz Ernesto Machado. Artes reportagem. São Paulo: Centro de Artes Novo Mundo, 1972. v.1, 185 p., il. p&b.
  • KLINTOWITZ, Jacob. Versus: dez anos de crítica de arte. Prefácio Jacob Klintowitz; apresentação Pietro Maria Bardi. São Paulo: Galeria de Arte André, 1978. 143 p.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEWY, Walter. Surrealismo tropical. São Paulo: Espaço Cultural do Banco do Brasil, 1990. , 12 p,. il. color.
  • PFEIFFER, Wolfgang. Artistas alemães e o Brasil. São Paulo: Empresa das Artes, 1996.
  • PINACOTECA do Município de São Paulo: Coleção de Arte da cidade. São Paulo: Banco Safra, 1994. p. 154.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • SCHENBERG, Mario. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988.
  • WALTER Lewy. Apresentação de Joy Luyten. São Paulo: Portal Galeria de Arte, s.d.
  • WALTER Lewy. São Paulo: Galeria Alberto Bonfiglioli, 1977.
  • WALTER Lewy: 35 pinturas. Apresentação de Jos Luyten. São Paulo: A Ponte Galeria de Arte, s.d.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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