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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Hermelindo Fiaminghi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
22.10.1920 Brasil / São Paulo / São Paulo
29.06.2004 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Vicente de Mello/MAM RJ

Virtual n°13 - Triângulos em Espiral, 1957
Hermelindo Fiaminghi
Esmalte e têmpera sobre madeira
58,20 cm x 58,30 cm
Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Patrocínio White Martins

Hermelindo Fiaminghi (São Paulo SP 1920 - idem 2004). Pintor, desenhista, artista gráfico, litógrafo, publicitário, professor e crítico. Entre 1936 e 1941, freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde estuda com Lothar Charoux (1912-1987) e Waldemar da Costa (1904-1982). Dedica-se à litografia, trabalhando nas principais indústrias gr...

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Biografia

Hermelindo Fiaminghi (São Paulo SP 1920 - idem 2004). Pintor, desenhista, artista gráfico, litógrafo, publicitário, professor e crítico. Entre 1936 e 1941, freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde estuda com Lothar Charoux (1912-1987) e Waldemar da Costa (1904-1982). Dedica-se à litografia, trabalhando nas principais indústrias gráficas de São Paulo. Em 1946, monta sua primeira empresa, o Graphstudio, atuando em produção gráfica. No começo da década de 1950, inicia trabalhos abstratos, em que revela a influência da arte construtiva. Colabora ainda com os poetas concretos na programação gráfica de seus poemas. Entre 1959 e 1966, freqüenta o ateliê de Alfredo Volpi (1896-1988). Integra o Grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro (1925-1973). Participa da criação do ateliê coletivo do Brás, onde desenvolve a série Virtuais, trabalhando ainda com esmalte sobre eucatex. No começo da década de 1960, o artista inicia trabalhos com têmpera e faz experiências com a cor. Passa a utilizar o termo Corluz para designar seus trabalhos, desenvolvendo pesquisas com retículas em offset. É co-fundador da Associação de Artes Visuais e da Galeria Novas Tendências, em São Paulo, criadas em 1963. Em 1969, funda o Ateliê Livre de Artes Plásticas, em São José dos Campos, São Paulo, no qual atua como diretor e professor.

Análise

Hermelindo Fiaminghi freqüenta o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, entre 1936 e 1941, onde estuda pintura com Waldemar da Costa. Cursa também artes gráficas, que exercerá ao longo de toda a sua carreira. Dedica-se à litografia, trabalhando nas principais indústrias gráficas de São Paulo. A partir de 1946, atua em publicidade. Fiaminghi adere ao movimento concreto em 1955. Contribui na produção gráfica dos poemas-cartazes dos escritores concretos paulistas, como Haroldo de Campos (1929-2003) e Décio Pignatari (1927-2012). Em 1959, Fiaminghi rompe com Waldemar Cordeiro e o grupo de artistas concretistas de São Paulo.

No início da carreira, dedica-se à abstração geométrica. Suas obras destacam-se pelo ritmo visual das composições, como em Long Play (1955), no qual trabalha com a sugestão de deslocamento de figuras geometrizadas. Utiliza freqüentemente uma gama reduzida de cores. A partir de 1958, produz a série Virtuais, em esmalte sobre madeira aglomerada. Utiliza poucas figuras, definidas por planos de cor, que apresentam certa ambigüidade, por se constituírem à superfície plana do quadro e, ao mesmo tempo, se inserirem no espaço cúbico, construído por planos ortogonais, como ocorre em Virtual XIV (1958).

Entre 1959 e 1966, freqüenta o ateliê de Alfredo Volpi, com quem aprende pintura a têmpera. Troca a madeira por telas de linho. Em suas pinturas, passa a utilizar cada vez mais a transparência das cores. Com a série de trabalhos denominada Cor-Luz, inicia pesquisas em torno da fusão e difusão da cor pela incidência da luz. Pinta telas inspiradas nas superfícies quadriculadas que compõem a retícula gráfica. Realiza também experimentos com slides, que são posteriormente impressos em off-set, buscando precisão ótica.

Posteriormente, sua pincelada tende a tornar-se mais gestual, subvertendo a trama quadriculada que estrutura suas telas. Na década de 1980, realiza uma série de "desretratos", como o de Haroldo de Campos, de 1985, e de "despaisagens", com pinceladas livres, que revelam o colorido como superfície flutuante. Nessa época, encantado com a pintura de Claude Monet (1840-1926), Fiaminghi revê suas obras e afirma: "Tudo o que eu vinha pensando está lá", e, quase como um antigo pintor impressionista, diz: "Persigo a luz, mas a luz é fugidia".

Fiaminghi revela em sua produção grande liberdade no uso da cor. Ao longo de sua carreira, concilia a dupla atividade de artista plástico e de profissional de artes gráficas, sendo considerado por alguns críticos como pioneiro na utilização do off-set como linguagem de criação artística.

Obras 36

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Canindé

Óleo sobre tela

Exposições 161

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Feiras de arte 1

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Mídias (2)

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Hermelindo Fiaminghi - Encontros
Itaú Cultural
Hermelindo Fiaminghi - Enciclopédia Itaú Cultural
Hermelindo Fiaminghi revela que aprendeu a fazer litografia na pedra. Cada uma delas representando uma cor. “É um troço espetacular a litografia. Você começa a desenhar na pedra e aprende a não errar”, diz. Nesse processo, o artista cria intimidade com a cor, desenvolvendo diversas tonalidades. “Mas isso, para a pintura, não serve, porque você conhece demais e faz de menos!” Durante os anos 1960, Fiaminghi frequenta o ateliê de Alfredo Volpi, que lhe ensina, por exemplo, como preparar uma tela. Cansado da pintura, o artista passa às formas geométricas, aderindo ao concretismo. “A pintura concreta tem poucas cores e muita forma”, descreve. “A pintura concreta é uma beleza de ensinamento. Na hora que você começa a executá-la, descobre o que estava errado antes. Ela te norteia para uma qualidade que é uma surpresa”, acredita. A pintura, para ele, não é uma realização pessoal, é uma atitude de aprendizado eterna.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 18

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  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner).
  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BOUSSO, Vitória Daniela. Fiaminghi ou a concreção sensória. 1992. 200 p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1992.
  • CABRAL, Isabella, REZENDE, Marco Antonio Amaral. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Edusp, 1998. 192 p., il. (Artistas brasileiros, 11).
  • CABRAL, Isabella; REZENDE, M. A. Amaral. A gênese da pintura. São Paulo: EDUSP/ Museu de Arte de São Paulo, 1992.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). IC R703.0981 C376d v.2 pt. 1
  • FIAMINGHI, Hermelindo. Fiaminghi: décadas 50-60-70. São Paulo: MAM, 1980. 241 p. il. p.b., fot.
  • FIAMINGHI, Hermelindo. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1986. 241 p. il. p.b., fot.
  • FIAMINGHI, Hermelindo. Hermelindo Fiaminghi: pintura. Sao Paulo: Montesanti Galleria, 1988. , il. p&b color.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MOLINA, Camila. Morre Hermelindo Fiaminghi, o pintor da luz. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 de jun. 2004. Caderno 2, p. 3. Não catalogada
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • WILDER, Gabriela Suzana. Waldemar Cordeiro: pintor vanguardista, difusor, critico de arte, teórico e líder do movimento concretista nas artes plásticas em São Paulo, na década de 50. 1982. 294f. - Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, 1982.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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